Os veículos podem ter diferentes origens: recuperação de financiamento, apreensões judiciais, sinistros parciais ou veículos de frota desativada (Imagem ilustrativa/FreePik) A compra de veículos pode representar uma boa alternativa, mas exige cautela, análise técnica e jurídica, segundo o advogado especialista em Direito do Trânsito, Roberto de Faria. “Depende (se vale a pena). Apesar de muitas vezes o veículo ser arrematado por um valor inferior ao praticado no mercado, é essencial que o comprador observe com atenção as condições reais do bem”, alerta. Em muitos casos, de acordo com Faria, os gastos com a recuperação do motor, reposição de peças ou regularização da documentação podem encarecer significativamente o negócio, tornando-o menos vantajoso do que aparentava inicialmente. Os veículos podem ter diferentes origens: recuperação de financiamento, apreensões judiciais, sinistros parciais ou veículos de frota desativada. As cinco recomendações, porém, são as mesmas para todos os casos, lembra o advogado. “Leia atentamente o edital, que traz todas as regras da venda; verifique a origem e a reputação do leiloeiro; consulte o histórico do veículo (Renavam, multas, restrições e alienações); sempre que possível, faça uma vistoria visual no pátio do leilão — e, se possível, leve um mecânico de confiança; e prepare-se para custos adicionais, casos da comissão do leiloeiro, taxas, transporte, documentação e reparos”, lista. Documentação Roberto de Faria afirma que, na maioria dos casos, a documentação é fácil de regularizar. No entanto, isso dependerá da apresentação da nota fiscal de venda em leilão, do laudo de vistoria (exigido pelos Detrans) e da baixa ou desvinculação de eventuais multas e débitos preexistentes. “Todas essas informações devem estar claramente descritas no edital do leilão, o que reforça a importância de uma leitura cuidadosa do documento antes de realizar qualquer lance”, ressalta o advogado. Em média, o processo de regularização leva entre 30 e 90 dias, podendo variar de acordo com o estado do veículo, a agilidade do Detran local e a eventual existência de pendências administrativas ou judiciais. “Caso surjam obstáculos inesperados, como restrições não informadas ou bloqueios judiciais, será necessária atuação jurídica para assegurar a transferência e o uso regular do bem”, alerta Faria. “Comprar um carro de leilão pode ser vantajoso, desde que o comprador aja com responsabilidade e tenha plena ciência dos riscos e obrigações envolvidos”, finaliza. Recomendações para compra de veículos em leilão: Leia atentamente o edital, que traz todas as regras da venda. Verifique a origem e a reputação do leiloeiro. Consulte o histórico do veículo (Renavam, multas, restrições e alienações). Sempre que possível, faça uma vistoria visual no pátio do leilão — e, se possível, leve um mecânico de confiança. Prepare-se para custos adicionais: comissão do leiloeiro, taxas, transporte, documentação e reparos. Segurança e itens eletrônicos merecem atenção O engenheiro mecânico Carlos Alberto Fávaro Pinheiro recomenda que a pessoa não entre na compra de carros de leilão sem conhecer o ramo. “A desistência consiste em uma multa de 20% do valor do carro, ou seja, levantou a mão, não pode desistir”, alerta. Pinheiro observa, por exemplo, pontos importantes relacionados aos carros sinistrados de seguradora, que podem ter poucos ou todos os problemas possíveis. “Os que são recuperados de roubo/furto são aqueles que foram localizados após a seguradora indenizar o segurado, que teve esse veículo roubado ou furtado. Esses, dependendo do tempo que ficaram sumidos, podem apresentar poucos danos ou estarem totalmente depenados”, lembra o também proprietário da Baobá Serviços Automotivos, em Santos. O engenheiro mecânico afirma que é importante ficar atento à parte eletrônica de módulos, chicotes (componente que faz a conexão de todos os sistemas e componentes elétricos sem que haja algum tipo de curto ou problema entre eles), bomba de combustível e até as chaves, que possuem alto custo de substituição. “São itens difíceis de avaliar sem desmontar o carro, já que nos pátios de leilão presencial não é permitido tentar ou ligar o carro. Assim, somente um olho treinado em avaliar consegue saber reparar o ruim e o bom negócio, sem esquecer que são veículos que já passaram pela avaliação de vistoriadores e peritos da seguradora, que definiram como melhor opção mandar o carro para o leilão ao invés de reparar”, alerta. Outro item primordial para não ser esquecido, segundo Pinheiro, é a segurança do veículo. “Itens de mecânica, freios, cintos de segurança e air bags devem ser analisados, reparados ou substituídos com responsabilidade. Imagine um veículo desses reparado e vendido, o comprador tem uma colisão e o air bag não funciona. Quem será responsabilizado?”, argumenta. Gestor comercial teve problemas, mas recomenda compra O gestor comercial Lino Marques Pereira Júnior, de 50 anos, não tem boas lembranças quando o assunto é comprar carro de leilão. “Não me arrisquei mais por motivos de fraudes”, afirma. “Até gostaria de ter comprado pelo atrativo de preço, mas com tantos golpes no mercado, preferi não arriscar mais”, emenda. Nas duas vezes em que estava finalizando o negócio, Pereira percebeu que se tratava de golpe. “Não efetivei a compra após fazer a consulta com um amigo, que tem a prática nesse mercado. Ele me salvou as duas vezes”, relembra o morador do Bairro Vila Belmiro, em Santos. Apesar dos problemas enfrentados, o gerente comercial segue recomendando a compra de carro de leilão, desde que observando alguns cuidados. “A procura tem que ser feita em sites de procedência, que o valor a ser pago não seja muito abaixo do mercado, pesquisar no Reclame Aqui (site), verificar se a empresa tem interação com o site há mais de cinco anos e, por fim, fazer consulta com pessoas que já têm experiência nessa prática com mais efetividade para não cair em golpes”, lista.