Além do excesso de proteína, o consumo exagerado de ovos pode levar a outros problemas ( Pixabay ) A influenciadora Virgínia Fonseca chamou atenção nas redes sociais ao revelar que consome cerca de 20 ovos por dia para recuperar a forma física após a última gestação. Famoso por seus benefícios, o ovo é uma potência nutricional: ele é rico em aminoácidos, carotenoides e vitaminas do complexo B, por exemplo, além de ser uma conhecida fonte de proteínas. Mas será que consumi-lo em grande quantidade é boa ideia? Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo Valéria Machado, coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), o consumo diário de ovos é benéfico, mas todo exagero deve ser desestimulado. Um dos motivos para a parcimônia, de acordo com a nutricionista Paula Quiterio, do Hospital Santa Paula, é que o excesso de proteína pode afetar negativamente a função dos rins. Como explica Valéria, o corpo é capaz de aproveitar cerca de 20 gramas de proteína por refeição e o restante sai na urina. “Por isso, dependendo de como estiver a função renal do paciente, isso também pode ser prejudicial”. Ainda assim, para Valéria, o consumo de 20 ovos por dia deve ser visto mais como um exagero do que um risco em si. Para Daniela Cierro, consultora da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran), a influencer adota “uma dieta restritiva, sem base cientifica e semelhante a muitas outras dietas, que levam ao aumento do risco de doenças crônicas, como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, fígado e rim, além dos distúrbios alimentares”. Para ela, é preciso combater a desinformação nas redes sociais, que estimula pessoas a adotarem hábitos alimentares muitas vezes nocivos. “O planejamento de cardápio deve ser individual, levando em consideração as necessidades de cada indivíduo, genética, estilo de vida e estado atual, e precisa ser elaborado por um nutricionista”, ressalta. Ovos e saúde cardiovascular Além do excesso de proteína, o consumo exagerado de ovos pode levar a outros problemas. “Pode elevar os níveis de colesterol no sangue, especialmente em pessoas com predisposição genética para colesterol alto”, explica Paula. Não que o ovo seja um vilão. Por muito tempo, acreditou-se que o alimento poderia ser prejudicial à saúde cardiovascular pela alta concentração de colesterol, mas pesquisas realizadas nos últimos dez anos apontaram que o verdadeiro problema pode ser a manteiga, frequentemente utilizada como acompanhamento do ovo. Hoje, entende-se que o colesterol presente nos alimentos (dietético) tem um impacto limitado sobre os níveis de colesterol no sangue e, nesse sentido, o consumo de ovos não representaria riscos – mas a regra não vale para quantidades excessivas. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reitera que o consumo excessivo de ovos pode levar ao aumento do colesterol LDL (“ruim”), principalmente devido ao teor de colesterol presente na gema. Virgínia explica que retira as gemas dos ovos, por recomendação do nutricionista. Segundo Valéria, a medida torna a alimentação mais segura com relação ao colesterol, mas ignora nutrientes importantes na gema. Assim, a recomendação é que a quantidade de ovos seja moderada, especialmente para pessoas com histórico de doenças cardíacas ou níveis elevados de colesterol.