Saber reconhecer os sintomas, controlar os fatores de risco e buscar atendimento imediato são atitudes que salvam vidas (Divulgação) O Acidente Vascular Cerebral (AVC), também conhecido como “derrame”, é uma das doenças que mais matam e deixam sequelas no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 400 mil brasileiros sofrem um AVC por ano, e a condição responde por mais de 11% das mortes no país. O dado impressiona e reforça a importância de saber reconhecer os primeiros sinais, o que pode significar a diferença entre a recuperação e a perda de funções vitais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “O tempo é cérebro”, dizem os especialistas. Isso porque a cada minuto em que o cérebro fica sem oxigênio, milhões de neurônios morrem. Entender o que é o AVC, como preveni-lo e como agir rapidamente em caso de suspeita é fundamental para salvar vidas. O que é o AVC e por que ele acontece? O AVC ocorre quando há interrupção do fluxo sanguíneo para o cérebro (caso do AVC isquêmico, responsável por cerca de 85% dos casos) ou rompimento de um vaso cerebral, levando a um sangramento interno (AVC hemorrágico). Nos dois casos, o resultado é o mesmo: as células cerebrais deixam de receber oxigênio e nutrientes e começam a morrer, provocando sintomas que surgem de forma repentina. De acordo com o Ministério da Saúde, a incidência média é de 108 casos a cada 100 mil habitantes por ano. E, ao contrário do que muita gente ainda pensa, o AVC não é uma doença exclusiva de idosos, ele também pode atingir jovens e adultos, especialmente os que têm fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo e sedentarismo. Os sinais que exigem ação imediata Reconhecer o AVC rapidamente é essencial. Médicos recomendam um teste simples, conhecido pela sigla SAMU (Sorriso, Abraço, Mensagem, Urgência): Sorriso: peça para a pessoa sorrir; observe se um lado do rosto fica “caído”. Abraço: peça para levantar os dois braços; um deles pode não se mover. Mensagem: peça para repetir uma frase; a fala pode sair enrolada ou confusa. Urgência: se qualquer um desses sinais aparecer, ligue imediatamente para o 192 (Samu). O Ministério da Saúde reforça que quanto mais cedo o atendimento for feito, maiores as chances de recuperação e menores as sequelas. Um problema de saúde pública O AVC é uma das principais causas de internação no Sistema Único de Saúde (SUS) e também uma das doenças que mais geram incapacidade permanente. Dados oficiais mostram que: Mais de 60% dos casos ocorrem em pessoas com menos de 70 anos; Aproximadamente 16% das vítimas têm menos de 50 anos; O SUS investiu R\$ 700 milhões entre 2023 e 2024 para ampliar a rede de diagnóstico e tratamento de AVC, incluindo a mplantação de centros especializados e a adoção da trombectomia mecânica, técnica moderna que remove coágulos e devolve o fluxo sanguíneo ao cérebro. O governo também tem ampliado campanhas de conscientização sobre os fatores de risco e o reconhecimento dos sintomas, especialmente durante o Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro. Fatores de risco: o que pode causar o AVC Entre os fatores que mais aumentam a probabilidade de um derrame cerebral estão: Hipertensão arterial (pressão alta); Diabetes; Colesterol elevado; Tabagismo e consumo excessivo de álcool; Sedentarismo e obesidade; Distúrbios cardíacos, como fibrilação atrial; Estresse crônico e má alimentação. De acordo com o Ministério da Saúde, até 90% dos casos poderiam ser evitados com mudanças simples no estilo de vida, como praticar exercícios físicos, manter alimentação equilibrada, controlar a pressão e o açúcar no sangue e evitar o cigarro. Tratamento e reabilitação O tratamento depende do tipo de AVC. Nos casos isquêmicos, a trombólise (uso de medicamento que dissolve coágulos) pode ser realizada nas primeiras horas após os sintomas, reduzindo sequelas. Já o AVC hemorrágico pode exigir cirurgia para conter o sangramento e aliviar a pressão no cérebro. Após o atendimento emergencial, começa uma nova fase: a reabilitação, que pode envolver fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. Quanto mais rápido o paciente inicia essa etapa, maiores as chances de recuperar movimentos e funções cognitivas. Como prevenir o AVC A prevenção é o melhor tratamento. Médicos e especialistas reforçam alguns cuidados que ajudam a reduzir o risco: Meça a pressão regularmente; Pratique atividade física; Mantenha uma alimentação rica em frutas, legumes e grãos; Evite o cigarro e o álcool em excesso; Faça exames de rotina e controle doenças como diabetes e colesterol alto; Durma bem e gerencie o estresse. O Ministério da Saúde reforça que investir em hábitos saudáveis e reconhecer os sinais precoces é o caminho mais eficaz para reduzir mortes e sequelas causadas pelo AVC. O AVC é uma emergência médica e cada minuto conta. No Brasil, ele é responsável por milhares de mortes todos os anos, mas pode ser prevenido e tratado com sucesso se houver informação e ação rápida. Saber reconhecer os sintomas, controlar os fatores de risco e buscar atendimento imediato são atitudes que salvam vidas — e preservam histórias.