Pessoas com TEA precisam de cuidado diferente no consultório dentário (AdobeStock) Esta quarta (2) é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma iniciativa da ONU para aumentar a visibilidade do transtorno do espectro autista (TEA) e defender os direitos das pessoas autistas. Além de promover a inclusão e o respeito, a data é uma oportunidade para desmistificar preconceitos, disseminar conhecimento científico e incentivar debates sobre a qualidade de vida no espectro autista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Uma excelente oportunidade para mostrarmos o que pode ser feito para melhorar a saúde bucal dessas pessoas”, destaca a dentista Monique Pimentel. “Por terem uma alta sensibilidade a estímulos sensoriais, o cuidado com dentes, língua e gengiva pode ser um desafio para os responsáveis e para a própria pessoa”, detalha. “Eles podem ter dificuldade para cuspir, manter a boca aberta e sentir a mão do adulto no próprio rosto”. Monique aponta que algumas dificuldades podem ser mais intensas nas pessoas com TEA. Por exemplo, por terem propensão à hiperatividade, o uso de telas (celular, tevê, tablet, computador) pode comprometer o relaxamento necessário antes de dormir. “Se os últimos conteúdos que consumirem forem agitados, ou mesmo agressivos, como em jogos ou alguns desenhos animados mais violentos, a tendência é que fiquem com essa inquietação ainda mais aguçada nas primeiras quatro horas de sono e a consequência é bruxismo”, detalha. Além dessa questão, a especialista alerta para a dificuldade em fazer a higienização da boca no dia a dia. “Colocar algo na boca é muito íntimo e invasivo. No caso dessas crianças, os pais podem enfrentar resistência à escova e ao fio dental. A saída é fazer com que eles entendam o que está acontecendo” - veja ao lado dicas de como realizar a higienização bucal. Consultas especiais As consultas ao dentista também atendem a requisitos específicos para esse público. Por exemplo, não se deve deixar essas crianças esperando, para não ficarem ansiosas. Os estímulos também devem ser suavizados, como a iluminação da sala de atendimento e a luz direcionada na cadeira. “Explicamos cada etapa, cada processo, dando ordens simples e diretas, como pedir primeiro para a criança sentar, depois para abrir a boca. Temos também um kit de instrumentos extra (tirando, claro, o que é cortante ou afiado), para que o paciente segure nas mãos e saiba exatamente como é enquanto usamos um deles em sua boca”. Entenda mais sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) (A Tribuna) A importância de cuidar Os cuidados são importantes pois algumas questões de saúde oral podem ter impacto maior nessa população. “Muitos deles têm seletividade alimentar, preferindo alimentos ricos em carboidratos, ou com bastante açúcar. Isso somado a outras características, como a tendência a supercrescimento das gengivas e hipoplasia de esmalte (esmalte poroso, que ‘esfarela’), mais a má higienização é um cenário que leva a acúmulo de resíduos, gerando cáries, gengivite e periodontite”, finaliza Monique.