Victor Alexandre e Marcus Vinicios estão na moda do retrô e do vintage (Arquivo pessoal) Ter peças antigas, sejam objetos ou roupas, é algo que acompanha as gerações ao longo dos tempos. E com os jovens de hoje não é diferente: se há os absolutamente tecnológicos, existem também os que gostam de artigos de épocas passadas, ainda que eles também estejam na modernidade em outros aspectos. A moda é um dos setores que mais são abastecidos. Os conceitos retrô e vintage têm ganhado cada vez mais força, trazendo à tona estilos e tendências do passado, mas com toque moderno e contemporâneo, afirma a consultora de imagem de alto impacto Andrielly Antunes. “Quando falamos de retrô, estamos nos referindo a peças atuais, fabricadas nos dias de hoje, mas inspiradas em décadas passadas, como franjas, estampas florais e étnicas, e babados típicos dos anos 1960 e 1970. Já o vintage traz à tona o charme das peças originais de décadas passadas, frequentemente encontradas em brechós, que não só têm história, como também proporcionam exclusividade e personalidade ao visual, como jaquetas e coletes de camurça e acessórios antigos, como lenços”, explica. Os conceitos retrô e vintage ganham destaque em 2024/2025 por intermédio do Boho Chic, uma das principais tendências da moda, observa Andrielly. Ela combina a liberdade e a característica despojada do estilo boêmio com a sofisticação e elegância de peças mais refinadas. “O Boho Chic resgata as influências do movimento hippie dos anos 1970, mas traz uma nova roupagem, mais atual e cheia de personalidade”, completa. O estilo Boho Chic se inspira no retrô com peças como vestidos fluidos, saias longas e blusas com estampas étnicas e florais, que são ressignificadas e atualizadas para o contexto atual. Além disso, incorpora elementos vintage, como acessórios exclusivos e peças cheias de história, conferindo ao look um toque autêntico. “Essa fusão entre passado e presente também possui uma forte conexão com a sustentabilidade, ao valorizar o reaproveitamento de peças antigas, criando looks que combinam estilo e consciência ambiental”, comenta a consultora de imagem. Nesse contexto, tanto o retrô quanto o vintage desempenham papéis essenciais, criando uma estética que mescla o antigo e o moderno de maneira harmônica e única, afirma Andrielly. “Na moda, o uso de peças retrô e vintage está sempre em alta, seja como uma tendência sazonal adotada por quem se identifica com ela, ou como um estilo pessoal, que vai além das modas passageiras e se torna uma expressão de identidade única no cotidiano”, completa. Retrô desde criancinha O publicitário Victor Alexandre Monteiro de Siqueira, de 25 anos, começou a curtir moda e objetos retrô há duas décadas. Aos 5 anos, ele, que mora no Boa Vista, em São Vicente, ganhou seu primeiro disco da banda de heavy metal inglesa Iron Maiden, que foi gravado em 1982. “É a minha banda favorita, junto com o Guns N’Roses. Vi as duas nas edições do Rock in Rio 2017 e 2019. Foi épico. Daí comecei a adquirir as vestimentas das bandas, como calças jeans com correntes, braceletes de spike (espinho) e com caveira, cinto com correntes, anéis de caveira, jaqueta de couro com patches, colete e jaquetas jeans com patches muito usados pelos headbangers (metaleiros) nos anos 1980 e 1990, os chamados Battle Jackets”, conta Siqueira, que está sempre procurando novos itens. Como não poderia ser diferente, curtir discos de vinil está no estilo de Siqueira, que também tem canais no YouTube e no TikTok, além de página no Instagram. “Não costumo ir muito a bazares e brechós, mas fui neste ano a um em São Vicente com uma amiga que também curte artigos retrô. Ficamos os dois vendo os discos e os CDs. Tinha muita variedade legal, como Elvis Presley, Beatles, Chuck Berry e outros artistas bem legais”, lembra. “Eu tô sempre nas lojas de rock e discos e de instrumentos musicais dando uma olhada nas novidades”, completa. Apesar disso, o publicitário não se restringe no seu mundo e também tem amigos que não curtem seu estilo. “Mas eles falam muito bem, que é um estilo meu próprio, que eu gosto de rock e que eu tenho que ser quem eu sou e não deixar ninguém mudar”, afirma. Hoje ele não está namorando, mas as mulheres com quem se relacionou sempre curtiram o estilo dele, “rockeiro retrô anos 1980”, como se define. Auxiliar de serviços gerais coleciona artigos e sonha com brechó para moda antiga Embora consuma o retrô, o estilo do auxiliar de serviços gerais Marcus Vinícios dos Santos Lacerda, de 33 anos, é mais ligado ao vintage, com artigos originais de época. “Um dos meus itens de coleção preferidos é uma luminária de neon abstrata produzida nos anos 1970, na França. Um artefato único no mundo. Também possuo telefone, despertador, uma vitrola 3x1 da National (marca que, depois, virou Panasonic), brinquedos e até uma caixinha de fósforos da década de 1950”, lista o morador do Morro São Bento, em Santos. Saber como e quando começou essa paixão é uma pergunta bem difícil de Lacerda responder. “Eu sou de 1991 e, desde criança, me lembro do Whitesnake e do Pretenders (as duas são bandas) tocando na rádio enquanto a minha mãe faxinava a casa e sempre fui apaixonado nos mullets e pigmaleões (cortes de cabelo) da época. Era tudo muito mágico”, comenta. Ir a bares não é muito a praia de Lacerda, justamente porque a maioria toca músicas contemporâneas, o que não agrada aos ouvidos dele. “E tenho meu próprio espaço retrô em casa, onde me reúno com os amigos para tomar cerveja e ouvir música”, conta. A busca por discos de vinil é constante, mas colecioná-los virou um hobby caro, ainda mais quando são de rock. “Eu me afastei um pouco dos brechós. Tenho muitas coisas e preciso dar uma segurada no bolso, embora eu sonhe em abrir um brechó voltado apenas para a moda retrô, pois os que temos aqui vendem de tudo e não são dedicados apenas à moda antiga”, projeta.