(Reprodução) Imagine viver em um lugar onde a chuva praticamente não existe. Esse cenário, que parece improvável, é realidade em Arica, considerada a cidade habitada mais seca do planeta. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Localizada no extremo norte do Chile, a cidade impressiona não apenas pela paisagem árida, mas também pelos números extremos: a média anual de precipitação é de apenas 0,76 milímetro, segundo dados meteorológicos internacionais. Mais de 14 anos sem chuva O dado mais surpreendente envolve um recorde histórico: entre outubro de 1903 e janeiro de 1918, a cidade passou 172 meses consecutivos sem qualquer chuva mensurável — o equivalente a mais de 14 anos de seca absoluta. Esse feito foi reconhecido pelo Guinness World Records, consolidando o município como o lugar habitado mais seco da Terra. Para efeito de comparação, cidades brasileiras como São Paulo registram cerca de 1.400 mm de chuva por ano, evidenciando o contraste extremo. Por que quase não chove? A explicação está em uma combinação rara de fatores naturais. A cidade está próxima ao Deserto do Atacama, considerado o mais seco do mundo, e sofre influência de três elementos principais: A Corrente de Humboldt, que resfria o ar e dificulta a formação de chuva Um sistema de alta pressão atmosférica no Pacífico A barreira da Cordilheira dos Andes, que bloqueia a umidade Esse conjunto impede que nuvens carregadas se formem, criando um clima extremamente seco. Como a população vive nesse cenário? Mesmo com condições tão adversas, mais de 200 mil pessoas vivem na cidade. A sobrevivência depende de soluções criativas: Uso de água proveniente de rios andinos Captação de umidade da neblina (chamada de camanchaca) Forte dependência de água armazenada ou tratada Além disso, a arquitetura e o estilo de vida foram adaptados à escassez hídrica ao longo dos anos. Um exemplo extremo que chama atenção do mundo A cidade se tornou referência para estudos sobre mudanças climáticas, desertificação e adaptação humana. Cientistas analisam o local para entender como populações conseguem viver com praticamente nenhuma chuva — um cenário que pode se tornar mais comum em diversas regiões do planeta. Mais do que uma curiosidade, o caso acende um alerta global sobre o futuro dos recursos hídricos e os impactos das mudanças ambientais.