A Meca Santista, na foto preparada no Estação Bistrô, surgiu em 2005 (Alexsander Ferraz/ AT) Imagine um prato capaz de traduzir as influências gastronômicas de uma cidade. Em Santos, no litoral de São Paulo, ele existe: atende pelo nome de Meca Santista e, em 2025, completa duas décadas de sucesso. Para celebrar, a Semana da Meca Santista será realizada de 20 a 26 de outubro, reunindo 24 restaurantes que apresentarão versões especiais do prato, desde preparos tradicionais até criações da alta gastronomia, mostrando toda a criatividade e talento dos chefs locais. O evento é realizado pela Secretaria de Turismo, Comércio e Empreendedorismo de Santos, em parceria com o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sinhores). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Meca Santista nasceu em 2005, quando a cidade ainda não tinha um prato oficial. O então professor do curso de Gastronomia da Universidade Católica de Santos (UniSantos), Rodrigo Anunciato, foi desafiado a transformar os ingredientes preferidos pelos santistas — meca, palmito pupunha e banana — em uma receita marcante. Em dois dias de intenso trabalho, nasceu o prato que conquistaria restaurantes, turistas e moradores. “Desde o início, acreditei na proposta. É um prato que une sabores tradicionais com técnicas contemporâneas. Ele representa nossa história e nossas comunidades de imigrantes — japonesa, portuguesa, italiana— e originais dentro de uma só refeição. Hoje, não mudaria nada nele”, afirma Rodrigo. O prato rapidamente se tornou símbolo da cidade. Em 2018, após votação entre turistas e moradores, a Meca Santista foi oficialmente reconhecida como Patrimônio Gastronômico de Santos, consolidando seu papel como embaixador da culinária local. Para o chef, a criação do prato uniu a força da gastronomia tradicional caiçara à sofisticação contemporânea: “A meca representa a pesca em alto-mar e a contribuição da comunidade japonesa, a farofa de banana traz a essência caiçara e portuguesa, e o risoto de pupunha combina um ingrediente regional com técnica italiana. É um prato que conta a história de Santos em cada garfada”. A Meca Santista tem como estrela o filé de meca grelhado, servido com risoto de palmito-pupunha, farofa de banana-da-terra e camarões salteados. O chef Júnior Monteiro Leite, do Restaurante-Escola Bistrô de Santos, comandou uma aula-show ensinando o preparo do prato, mostrando técnicas e segredos que garantem sabor e consistência. O Restaurante Espanhol Sabores da Terra, um dos participantes da Semana da Meca, por exemplo criou dois pratos além da Meca Santista: a Meca Dorata (tiras douradas de meca e camarão-rosa crocantes sobre risoto de arroz carnaroli, creme de queijos e pupunha, vinagrete de banana e crispy de couve) e o Campeira Caiçara (filetes de meca grelhados e selados, salsa verde feita com ervas frescas, azeite, aliche e alcaparras, mix de folhas cruas, ovo cozido, azeitonas e legumes salteados). Conheça a meca A meca, peixe de alto-mar encontrado na costa brasileira, pode chegar a pesar até 600 quilos. Antes da criação do prato oficial, era preparada quase sempre na brasa ou no espeto. Sua carne firme e saborosa a torna ideal para grelhar. Especialistas recomendam adquirir o peixe sempre de um fornecedor de confiança, garantindo qualidade e evitando confusões com outras espécies. Restaurantes participantes da Semana da Meca Santista, de 20 a 26 de outubro: Vixe Pompéia, Centro Espanhol, Sítio 17, Augustinho Burger, Porto das Naus, Anzol, Restaurante São Paulo, Café Paulistania, Armazém 29, Casato, Dona Angola, Tasca do Porto, Restaurante Canal 4, Salada Paulistana, Babbo Américo, Marruá Churrascaria, Pipa Pizza, Ibéricos, J Garcia, Cola na Base, Van Gogh, Mar Del Plata, Comfort Hotel Santos e Estiva (Ana Costa).