[[legacy_image_273760]] Um dos maiores festivais de teatro do Brasil começa nesta quinta-feira (15) e vai até dia 30 em Santos: o Festival de Cenas Teatrais (Fescete). O homenageado será o diretor teatral, ator e dramaturgo Zé Celso, que representa os coletivos teatrais. Diretora artística do Fescete, Carla Lacerda fala do evento e também do Tescom, escola de teatro da Cidade responsável pela organização. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Como surgiu o Fescete?A gente tem uma escola de teatro em Santos, que é a Tescom. Um dia, conversando com o Pedro, a gente pensou: o que a gente pode fazer para que os estudantes possam experimentar e receber orientações no início do processo, não só quando o espetáculo já tivesse concluído? Muitos festivais no Brasil são assim: julgam o espetáculo final. A gente queria falar do processo. Aí fizemos uma edição interna, mas recebemos pessoas de toda a Baixada Santista querendo participar. E vem essa história longa (desde 1997). São momentos que ficam guardados dentro da gente. O teatro é a arte do efêmero. Ela acontece naquele momento. Mas emociona mesmo para quem viveu aquele encontro: a plateia, esses artistas e a gente que participa desse festival. Com a questão da pandemia, acabamos abrangendo até fora do País, mas no presencial é muito bom receber o pessoal de tantos lugares do Brasil. Como foi a escolha do Zé Celso como homenageado deste ano?Ele é uma pessoa ímpar na história do teatro. Para os santistas, o Zé Celso tem também um apelo muito especial porque ele trabalhou com grupos de teatro amador, com artistas independentes e com grupos. A gente queria, neste ano, trabalhar, aplaudir e incentivar os coletivos de teatro. Está muito difícil fazer a arte e aí, com isso, muitos monólogos aparecem e as companhias ficam pequenas. A gente queria celebrar esse encontro de um núcleo grande de artistas que se reúnem e contam histórias há tantos anos. Não tinha como ser outro que não o Zé Celso para abrir o Fescete 2023. Ele vai participar de um bate-papo inesquecível e histórico, antecedendo a abertura. Qual a importância de manter viva essa chama da arte no Tescom? Talvez a coisa mais importante de nossas vidas - e que nos move - é pensar como fazer para que esse sonho brote dentro desses estudantes e crianças. Lá na escola a gente trabalha com integrantes desde os 5 anos até uma idade que não tem fim. E é justamente por isso, para que possamos ter o encontro de artistas profissionais com os que estão iniciando suas carreiras, para que possam ter essa formação e direção. Aquele que não vai seguir como artista também nos interessa muito porque será um profissional diferenciado. Acho que o teatro tem esse papel de anunciar o porvir, também de relembrar os contextos históricos, essa luta do passado, o que te trouxe até aqui, e fazer com que o momento presente seja inteiro, verdadeiro, em sintonia com o que a gente precisa nos dias de hoje. Como você avalia a atual cena teatral na região?O teatro santista sempre foi muito forte. Possuímos muitos grupos e também trabalhos individuais de artistas independentes. Mas a gente tem as escolas acontecendo na região. Quando eu, o Pedro e a Iracema (Paula Ribeiro, já falecida), que fundou conosco a Tescom, foi para que a gente colocasse na Cidade um espaço de fomento, de iniciação, para o encontro de todas as idades, as famílias participando também e escrevemos esta história. Mas não escrevemos isso tudo sozinhos. Hoje, contamos com um grupo enorme de professores, formados pela nossa escola, dentro de um objetivo que tínhamos.