Neymar retorna ao Santos com o status de "príncipe", herdeiro da mítica camisa 10 do Rei Pelé (Alexsander Ferraz/AT) Um novo reinado, comandado por um príncipe. Herdeiro da mítica camisa 10, de Pelé, Neymar foi apresentado na noite desta sexta (31), na Vila Belmiro, num ambiente digno de comemoração de título. Doze anos após a partida rumo à Europa, o Santos anunciou: “The Prince is Back” (O príncipe está de volta). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com energia renovada, como ele disse, o astro chega disposto a escrever mais um capítulo glorioso com a camisa do Peixe. Porém, o contrato curto, até o final de junho, só dá ao craque a possibilidade de disputar um título, o do Campeonato Paulista. Competição em que a equipe iniciou muito mal, com três derrotas em cinco jogos. Para Neymar, no entanto, o elenco santista tem qualidade, mas precisa de confiança para deslanchar. Ingrediente que ele pode adicionar, com o talento nato que o fez fazer história no Alvinegro, entre 2009 e 2013Foram seis conquistas: o tricampeonato paulista (de 2010 a 2012), a Copa do Brasil 2010, a Libertadores 2011 e a Recopa 2012. Colecionador de taças, ele vislumbra ver o time lutando por mais um título do Estadual. Para isso, “falta encaixar” a equipe, segundo o ídolo, numa referência ao trabalho do técnico Pedro Caixinha, que tem apenas um mês no comando do clube. Superada essa fase, Neymarmostrou fome para brigar por mais um troféu. “Sou cara competitivo. Tudo o que faço e que tem de competição, eu quero ganhar. Volto para o Santos com vontade de ser campeão de novo. É uma volta depois de 13 anos e ganhar um Paulista, que ganhei três vezes, ganhar de novo será diferente. Tenho essa chama de ganhar no sangue. Não vim para passear, não vim para estar em casa sentado no sofá. Vim em busca da minha felicidade de jogar futebol e ajudar o Santos. Vou me dedicar para fazer a torcida do Santos e me fazer feliz”. Sem essa de “salvador da pátria” Sem falsa modéstia, Neymar falou que sabe de sua qualidade e capacidade, que podem contribuir muito para o crescimento da equipe. Mas, ao mesmo tempo, ele não quer ser visto como “salvador da pátria”. “Se fosse tênis, com certeza eu iria me garantir. Mas é futebol, esporte coletivo. Obviamente sei da esperança que o torcedor tem de eu voltar para o Santos. Sei que me veem como “salvador da pátria”, mas não é dessa forma, tem outros jogadores que serão importantes. Tive muitas vitórias na minha vida, e nessa não será diferente. Tem coisas muito importantes lá na frente nos esperando, mas temos que começar agora, fazer as coisas certas e colher. Não vou conseguir vitórias sozinho, dependo dos companheiros, como em qualquer time do mundo. Na minha função, se puder fazer a diferença, vou fazer”, decretou . Casamento perfeito Neymar frisou, em vários momentos da entrevista, que está feliz. É esse sentimento, impulsionado pelo carinho como é tratado pelos santistas, que o inspira a recuperar a melhor forma para ajudar o Santos e a seleção brasileira a voltar aos bons tempos. “Mentalmente estou muito feliz, renovado, quando pisei aqui (na Vila) senti o carinho e me fez voltar aos 17, 18, 19 anos. Estou rejuvenescido. Volto amadurecido como homem, com uma família linda, então é outro cara, obviamente, mas com a mentalidade de vencer igual, com a essência de criança igual. Vim para ser feliz. É a torcida que mais amo. Não tem como casar melhor do que com o Santos”. Neymar se emociona durante a entrevista, quando falou da importância do pai na sua vida e carreira (Alexsander Ferraz/AT) Devoção ao pai e maturidade Neymar teceu elogios ao pai, “o cara mais importante da minha vida”, disse. A volta à Vila, segundo o craque, não seria possível sem a ajuda do chefe da família. “Tiro o chapéu. É chato demais, pega no pé de todo mundo, é crucial na minha vida. Estou contente, o choro é de felicidade, pois venci. Não foi fácil, tive turbulências, mas voltar para a casa com esse prestígio, ver todo mundo gritando seu nome e receber a 10 do Rei é surreal. Só tenho que agradecer a Deus pelo que faz e viver isso tudo da melhor maneira possível, aproveitar todos os dias”. Prestes a completar 33 anos, na próxima quarta (5), quando pode reestrear com a camisa do Peixe, contra o Botafogo, na Vila, Neymar falou sobre as mudanças na vida ao longo dos anos. Afinal, ele deixou o Santos e a Cidade quando tinha apenas 21 anos. “Mudei tudo. Estou mais barbudo, mais forte, acho que mudaram muitas coisas, estilo de jogo também. Se tivesse a mentalidade de agora naquela época, com 17 anos, seria completamente diferente. Você vai aprendendo e criando casca, experiência, vai errando ali, acertando, se reerguendo. A vida é assim em qualquer esporte, qualquer trabalho, é difícil se manter, terá momentos de queda e você tem que se reerguer. Sou um cara muito diferente, e esse cara de hoje, tenho certeza de que vai ajudar muito o Santos de todas as formas”.