Após poucos jogos na Europa, Gabriel Brazão tem a grande chance na carreira (Raul Baretta/SFC) Contratado para ser reserva de João Paulo, Gabriel Brazão tem a grande chance da carreira. Quis o destino que a titularidade viesse após a infelicidade do colega, que rompeu o tendão de Aquiles do tornozelo esquerdo, contra o América-MG, e dificilmente volta a campo este ano. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Brazão também viveu o drama de se lesionar seriamente, após passar por cirurgias nos dois joelhos. Após dois anos de incertezas e de poucas atuações no futebol europeu, a confiança de que a sua oportunidade chegaria o moveu. Agora, é a vez de agarrá-la. Em circunstâncias normais, você não teria feito o primeiro jogo no Santos. Mas com a infelicidade do João Paulo, aconteceu. Como foi a sua estreia inesperada no Peixe? Não foi a estreia da maneira que eu gostaria, por causa da lesão de um amigo. Só que a gente tem que estar preparado. Procurei fazer aquilo que eu venho fazendo nos treinamentos. Teve um significado especial estrear na Arena Independência, já que você nasceu em Uberlândia e começou na base do Cruzeiro? Em Uberlândia eu fiquei três meses, cheguei muito novo no Cruzeiro (com 10 anos). É meio difícil de explicar, porque em Belo Horizonte eu fiz todas as reabilitações das minhas cirurgias, a minha esposa é de Belo Horizonte, é uma cidade onde eu fiquei nove anos da minha vida, praticamente metade do que eu vivi. Todos os meus amigos estavam no estádio, uma parte da minha família também. Então foi uma emoção diferente, foi um mix de emoções. Quais lesões você sofreu? Eu me machuquei na Inter de Milão e o Cruzeiro abriu as portas pra eu fazer a recuperação. Fiz a reabilitação do joelho (direito) e, assim que estava voltando, o Ronaldo comprou o clube e apareceu a oportunidade de vir emprestado. Porém, no primeiro treino, machuquei o menisco do outro joelho. Fiz a reabilitação e, após a volta, rompi o ligamento cruzado do joelho (esquerdo). Foi um momento duro, entre 2021 e 2022, porém, creio nos planos de Deus. Aprendi muito, cresci muito por tudo que aconteceu. Depois eu voltei pra Inter, onde terminei a minha reabilitação e pude passar uma temporada com o clube, em que a gente chegou na final da Champions (League). Amadureci muito. Gabriel Brazão estreou no gol santista na derrota para o América-MG em BH (Raul Baretta/SFC) Hoje você está plenamente recuperado? Eu voltei mais forte, muito melhor fisicamente, mentalmente, foi algo que que me ajudou a crescer, me sinto 100%, preparado. Tanto que depois que eu voltei, em dezembro de 2022, eu não perdi um treinamento. Você se destacou nas seleções de base, mas saiu do Brasil cedo (aos 18 anos, vendido do Cruzeiro ao Parma), por isso não é muito conhecido por aqui. Falando de suas qualidades, como se apresentaria ao torcedor? Creio que sou um goleiro rápido, tenho um bom um contra um, evoluí muito o jogo com os pés na Europa. Você ficou quatro anos na Europa (Brazão defendeu Parma, Inter, SPAL e Ternana, na Itália, e Albacete e Real Oviedo, na Espanha), mas fez apenas 11 jogos como profissional. Como lidava com a situação, com a ansiedade de querer estar em campo? Dos quatro anos foram só dois, porque dois (anos) passei lesionado. Sempre fui muito tranquilo, sei das minhas qualidades, apenas não tive oportunidade. E nos jogos em que eu estive, correspondi à altura. As lesões me atrapalharam, porque foi uma pausa longa e na volta, pra ter confiança, demora um pouco. Há uma grande diferença entre treino e jogo. A falta de ritmo de jogo pode te atrapalhar de alguma forma? Creio que não, venho fazendo um bom trabalho nos treinamentos e agora tenho a oportunidade de jogar. Após quatro meses no Santos, o que dá pra falar sobre a diferença entre os treinamentos que você faz no clube e o que fazia nos clubes que passou na Europa? No Brasil eu sinto que tem uma intensidade maior, são trabalhos mais técnicos, de coordenação. A técnica brasileira muda muito pra escola italiana, mas eu busco usufruir da melhor forma possível as oportunidades que eu tive de estar na Europa e de juntar com o que eu venho fazendo aqui no Brasil, aprendendo dia a dia com o professor Oscar (Rodrigues) e com o professor Arzul. Você ficou com uma certa frustração por não ter tido chance de jogar na Inter de Milão, um dos grandes clubes europeus? Sempre tive uma boa relação com a diretoria (da Inter), mas infelizmente as lesões me atrapalharam no início da carreira, onde eu tive que ficar um bom tempo parado e isso corta um pouco do ritmo de tudo que vinha acontecendo, de estar jogando, de estar na seleção. Mas eu não fico frustrado, creio muito que Deus tem um plano pra minha vida e se não foi lá, ele preparou o momento certo e as coisas vão acontecer da forma que deveria. Se, por um lado, você jogou pouco na Europa, viver esse tempo na Itália e Espanha te proporcionaram outras conquistas, não? Eu aprendi muito na Europa, gostava muito do ambiente, hoje eu falo italiano, espanhol, inglês fluente. Não tive dificuldade de adaptação, eu não posso falar que voltei porque não gostava, porque tive dificuldade de adaptação, voltei por minha escolha e porque era o Santos. Eu tinha contrato com a Inter, que é um grande clube, mas creio que tava no momento de respirar novos ares e eu aprendi muito lá, cresci como pessoa, como atleta. O João Paulo pode não jogar mais este ano e há especulações de que o clube sondou Marcelo Grohe. Como vê a chance de ter mais um goleiro na disputa pela posição? Fico tranquilo, eu sei que quem vem, se for o Grohe ou outro goleiro, vai vir pra somar. Primeiro vem a instituição, o clube, e quem chegar vai ser bem recepcionado, da forma como eu fui. O primeiro gol do América-MG, no jogo da sexta passada, gerou polêmica. Como você encara aquele lance? É um lance incomum, mas de certa forma a gente sabe que o fair play teria que ser acionado do lado deles, mas infelizmente isso não aconteceu. No reinício do jogo, após o gol, o Santos deu a bola ao América. Houve alguma conversa entre os jogos para que aquele gol polêmico fosse compensado? Eu não vi, foi no momento que estava entrando em campo, estava muito concentrado. Mas creio que foi algo de instinto, acho que todos pensavam que eles acionariam o fair play. O clima ficou pesado entre os jogadores em campo e, em setembro, o América-MG vem jogar na Vila. O clima de revanche é inevitável? Setembro está muito longe. Agora a gente tem que pensar no Botafogo (próximo jogo do Santos, no dia 3 de junho, em Londrina), nos próximos jogos. Em setembro vai ser mais uma decisão, um confronto importante e a gente tem que fazer um bom jogo em casa. O Carille diz que o Santos não é favorito somente ao acesso, mas ao título. É um peso a mais para o elenco jogar com essa obrigação de conseguir o acesso e ser campeão? A partir do momento em que a gente está no Santos, tem que brigar pra ser campeão em todos os campeonatos. Isso não é um peso, quando a gente veio pro Santos sabia da importância desse ano. Então a gente procura fazer o nosso trabalho da melhor forma possível no dia a dia pra poder estar bem durante os jogos e corresponder. Assumir a meta santista é a maior oportunidade da sua carreira? Representar o Santos é um momento mágico, é uma oportunidade gigante, a oportunidade da minha vida pelo tamanho do clube. Me sinto bem, preparado pra corresponder e ajudar o clube.