[[legacy_image_177725]] José Fornos Rodrigues, o Pepito, asssessor e parceiro de Pelé mundo afora, completa 79 anos de idade neste sábado (21). Ele vai curtir o aniversário aposentado e longe do amigo e chefe famoso. Depois de uma convivência de mais de 50 anos, a covid-19 afastou os dois e a parceira chegou ao fim de forma natural. Agora, o homem de confiança do Rei do Futebol aproveita o tempo ao lado da família e pensa em escrever um livro sobre essa longa parceria. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Todas as pessoas que acompanharam o meu trabalho e me conhecem há muito tempo estão me incentivando a escrever essas histórias. Quem sabe...”, afirma. Entretanto, a longa jornada de vida de Pepito vai além de Pelé. Ele, que sempre gostou de música, fez parte do famoso conjunto do Betinho do Vibrafone. No esporte, ganhou títulos nadando o Campeonato Santista pelo Clube Internacional de Regatas. Treinou caratê com o mestre Shinzato e disputou campeonatos de tênis. E de futebol? “Nem pensar. Às vezes, nos sábados à tarde, minha turma jogava no Canal 3. Como ninguém gostava de ir para o gol, minha vaga estava sempre garantida. E no gol até que eu era razoável”, recorda. A vida tem dessas coisas. Sem marcar gols de cabeça, de falta e nem mesmo de pênalti, coube ao Pepito andar ao lado do futebolista mais famoso de todo o mundo. Uma relação que começou quando ambos frequentavam festinhas de amigos em comum. Anos depois, Pepito foi trabalhar na antiga companhia aérea Varig e acabou designado para acompanhar o time do Santos. Com a proximidade, Pelé começou a chamá-lo para outros compromissos. Mas o convite oficial para uma relação profissional só veio no início dos anos 70. “Fui acompanhar o Pelé na despedida dele na Seleção Brasileira. O famoso e saudoso jornalista Oldemário Touguinhó foi nos receber no aeroporto. Pelé foi na frente com Oldemário e eu atrás. No percurso para o hotel ele brincou: ‘Tá vendo, Oldemário? Esse meu amigo aí atrás faz piada o tempo todo. Gosto tanto dele que gostaria que trabalhasse comigo, mas é tanta piada que eu não sei se vai ser uma boa’”. [[legacy_image_177726]] Pepito lembra de todos os detalhes como se fosse agora. “Foi aí a primeira vez que percebi que ele poderia me convidar para trabalharmos juntos. Logo veio a inauguração do escritório em Santos e uma relação de muita amizade e confiança”, destaca. Não é nenhum exagero dizer que o braço direito de Pelé exerceu muitas funções. De conselheiro oficial até assessor de imprensa informal. Em muitos eventos e viagens, ajudou muito o trabalho dos jornalistas. Como ele mesmo disse anteriormente, o futebol nunca foi o forte dele, mas, como se fosse um bom zagueiro, se antecipou muitas vezes para evitar problemas ao Rei. Amigo sincero, leal e prestativo, certamente sabia mais dos compromissos do chefe do que o próprio Pelé. Depois de tanto tempo juntos, todos concordam que Pepito foi muito mais que um funcionário. Foi um amigo da família, que conviveu com seo Dondinho (pai de Pelé), Zoca (irmão) e Dona Celeste (mãe), que tem 97 anos, e com a caçula Lúcia (irmã): “O Dico (como ela se refere ao irmão Pelé) e o Pepito sempre jogaram juntos. De início, eram amigos de trabalho, mas aos poucos ele foi convivendo conosco e ganhando a admiração de toda nossa família”, comenta Lúcia. Sincero, objetivo e direto, falava o que pensava, mesmo que contrariasse a opinião de Pelé. O fim desta parceira profissional de tanto tempo é apenas uma etapa, mas a amizade não tem como acabar, porque eles foram cúmplices a vida inteira. Agora, Pepito está pensando em escrever um livro com tantas histórias que viveu com o Rei do Futebol. Mas não espere nada polêmico. “Muita gente me cobra e incentiva. E eu estou pensando seriamente. Mas não pense em polêmicas, fatos negativos. Nada disso. Se eu escrever, vai ser um livro das minhas histórias com o Pelé. O gênio dos campos e o amigo. E foram tantos bons momentos que seria legal eternizá-los”, finaliza.