Confiante, Cuca chega à Vila Belmiro para a quarta passagem pelo comando do Peixe (Silvio Luiz/AT) Cuca chega para a quarta passagem no Santos com a missão de resgatar o clube num dos períodos mais turbulentos da história. Sem título de expressão há 10 anos e convivendo com seguidas lutas contra o rebaixamento, o cenário não assusta o técnico, apresentado na noite desta sexta (20), na Vila Belmiro. Sem Neymar, ele estreia neste domingo (22), às 16 horas, contra o Cruzeiro, no Mineirão, pela oitava rodada do Brasileirão. Escaldado, Cuca citou a última vez que dirigiu o Peixe, entre 2020 e 2021, quando o presidente José Carlos Peres sofreu impeachment, o vice Orlando Rollo assumiu e, após as eleições no final de 2020, Andres Rueda tomou posse, em janeiro de 2021. “Tínhamos três meses de salários atrasados, que conseguimos colocar em dia com as vendas de Everson e Sasha. Tudo isso serviu muito de aprendizado para mim. Os jogadores ganharam confiança e fizemos uma campanha maravilhosa, principalmente na Libertadores. Infelizmente, tomamos um gol no minuto 53 e perdemos, mas fica uma grande lembrança, de um grande time, que conseguiu sair de uma situação muito adversa, mais difícil que hoje, com certeza”, lembrou Cuca, que garantiu ter sido procurado pelo clube somente na madrugada de quinta-feira, após a demissão de Juan Pablo Vojvoda. “Eu já passei por outras situações mais delicadas, no próprio Santos, no Fluminense. Aqui tem tempo hábil para trabalhar e fazer o jogador entender a grandeza que o Santos tem, quanto tempo que o Santos não tem uma grande conquista. Isso tudo já começou a ser posto na cabeça dos jogadores, a partir da minha apresentação e da conversa que eu tive com eles”. Atrás dos rivais paulistas Diferentemente dos rivais paulistas, disse Cuca, o Santos não tem uma base atuando junta há três, quatro anos. Por isso, na conversa com o elenco, antes do treino desta sexta, no CT Rei Pelé, ele colocou seu estilo em prática: uma boa conversa. “Se pegar um comparativo em São Paulo, Palmeias, São Paulo e Corinthians, os três já tem uma estrutura de jogadores que estão ali alicerçando. O Santos não, não tem jogadores que estão há três, quatro anos jogando juntos. O Santos tem ainda esse déficit, um time montado há menos tempo. A gente tem esse agravante contra que a gente tem que fazer, o quanto antes possível, virar favorável. Como faz isso? No dia a dia, nas concentrações, no bate-papo, em cima dos números que a gente tem hoje”. Ele também lembrou do calendário atípico nesta temporada, em que as competições vão parar no final de maio, em razão da Copa do Mundo. “Esse ano atípico, por causa da Copa do Mundo, vai exigir dos jogadores, vai ser um absurdo. Você vai ver a choradeira daqui pra frente: a cada 3,3 dias, um jogo. Isso, se não tive rum elenco grande, fica no meio do caminho em competições importantes. A gente tem que estar atento a tudo isso para que possa exigir e extrair o máximo de cada jogador”. Papo franco com o elenco Cuca disse que precisa de alguns dias de trabalho para avaliar o elenco. Nesses momentos de troca de comando, disse ele, jogadores que estavam fora dos planos podem se tornar boas opções. E projetou o que o Santos pelo que o Santos pode brigar este ano. “Nessas oportunidades, de repente aparecem alguns jogadores que abraçam e conseguem render. Temos condições de buscar, principalmente nas copas (do Brasil e Sul-Americana), os títulos. No Brasileirão ficamos um pouco para trás, ainda dá para se recuperar, mas lutar por uma Libertadores, dentro de um torneio difícil assim, também é um bom negócio”. Para não correr riscos no Brasileirão, ele levou um papo franco com os atletas. “Eu mostrei o calendário, o percentual de aproveitamento que temos hoje e onde isso vai acabar no final do ano. Que a gente fique atento, porque os mesmos pontos de hoje valem lá em novembro. Chamo isso de conscientização, saber contra quem vai jogar, não só no Brasileiro”.