Condenado por coação e ato sexual com menor na Suíça, em 1989; Cuca teve condenação anulada em 2024 (Silvio Luiz/AT) Assunto frequente quando Cuca chega a um novo clube, ele foi questionado nesta sexta (20), na apresentação no Santos, sobre a condenação à revelia, em 1989, por coação e ato sexual com menor de idade, ocorrida em 1987, na Suíça, quando ele era jogador do Grêmio. A condenação foi anulada em 2024. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! "Eu, desde 1987, quando era menino (ele tinha 24 anos) e jogava no Grêmio, e teve esse episódio de assédio, dirigi diversas equipes e, na verdade, nunca dei a importância devida a esse tema, porque ficou apagado por 30 e tantos anos. Eu sequer sabia que teve julgamento, sequer um advogado esteve, isso já foi falado um milhão de vezes”, disse Cuca. "Quando fui para o Corinthians (em 2023), teve aquela enxurrada (de protestos). Me reuni com a minha família, minha mulher e minhas filhas e falei: ‘vamos resolver’. Fomos atrás do problema no exterior, fiz tudo o que um ser humano podia fazer para reabrir o processo e não conseguimos mais do que tudo que foi feito, que foi a anulação, que foi paga uma indenização, que não precisava também, que foi trazer para casa a dignidade de um homem, que, no caso, naquele Corinthians, me machucou bastante”, relembrou. Ações pela causa Cuca disse que demorou a entender a gravidade da situação, até chegar à conclusão de que deveria se envolver com a causa, uma forma de se redimir. Assunto que ele passou a se dedicar, garante, sem fazer divulgação das ações. “Eu entendo as pessoas que ficam decepcionadas, elas vivem das notícias, mas, assim, eu peço que elas me entendam também. Eu fiz tudo o que podia dentro da condição ideal. O importante hoje não é o Cuca, é a causa, e eu já falei o que faço pela causa e vou continuar fazendo. Fui entender isso falando com pessoas, com mulheres. Elas querem saber o que o Cuca faz pela causa, e eu faço muita coisa pela causa, mas não sou de ficar falando, não sou de rede social. Eu me afastei do futebol um ano para poder resolver isso, gastei muito dinheiro para resolver”. Entre as ações, ele citou algumas que desenvolveu em Curitiba, cidade onde o técnico vive a maior parte da vida com a família. “Hoje faço palestras, reuni Atlético, Coritiba, Paraná, bases, com o feminino junto, discutindo o tema. Foi bacana, isso se chama educar. Eu promovi cursos, de arbitragem feminina, para que tenha mais inclusão na arbitragem. Se formaram 14 mulheres. Eu recebi na minha casa um time de vôlei feminino de Irati, que foi disputar campeonato em Curitiba. Eu ajudo entidades de mulheres carentes, que já sofreram algum tipo de abuso”. Ações contra o feminicídio O técnico também chamou a atenção sobre os crescentes casos de violência contra a mulher, que têm sido motivo de debate cada vez maior, uma vez que os índices têm aumentado no País. “Eu faço muita coisa por isso, porque entendo que hoje existem cinco vítimas por dia por feminicídio no Brasil. Tem 20 milhões de mulheres que sofrem algum tipo de abuso no mundo, e cabe aos homens, não só a mim, que estou aqui na frente do microfone. Tenho obrigação de tentar me incluir neste processo e ajudar para que isso diminua, porque acabar é difícil. Eu também tenho mulheres na minha família, não podemos esperar que algo aconteça antes de fazer. O que falo hoje, falo para muitos amigos meus: o que pudermos fazer para diminuir o feminicídio, temos que fazer”.