[[legacy_image_241031]] Quando assumiu a titularidade da 4ªVara Federal, em agosto de 2003, a juíza Alessandra Nuyens Aguiar Aranha recebeu uma ação civil pública que impactaria a vida dos santistas e mudaria para sempre a área do Emissário Submarino. Nela, o Ministério Público Federal pedia a remoção da plataforma sobre o emissário, ou ao menos, subsidiariamente, uma destinação adequada daquela área, classificada como “acrescido de Marinha”. O local estava degradado, abandonado e exposto à sorte. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O Parque Roberto Mario Santini foi uma conquista dos surfistas para todos os cidadãos. Alessandra convocou audiências públicas para ouvir as pessoas. As ideias que surgiram desse diálogo definiram a estrutura do futuro parque e de seus equipamentos, entre eles o Museu do Surfe, a escultura de Tomie Ohtake, a pista de skate, o parquinho para as crianças, num espaço de contemplação da natureza. Enfim, uma área multiuso para toda a população, sem abrir mão dos valores primordiais para uma sociedade: bem-estar, lazer, segurança e incentivo à pratica de esportes. Aos surfistas, um segmento genuíno e importante de identidade da nossa Cidade, um espaço para que pudessem contar suas histórias, promover a prática do surfe e projetar a cidade de Santos no cenário nacional. A juíza do Quebra-Mar nasceu em Santos, no dia 18 de outubro de 1965. Descobriu o prazer do mar na casa de praia do tio Odair, o Coronel, em Paúba. Era lá, no beach-break do Litoral Norte paulista, que ela se divertia pegando onda de jacaré ao lado do pai, sr. Aguiar. Aos 18 anos de idade, por volta de 1984, quando os primeiros morey-boogies invadiram as praias brasileiras, Alessandra, contagiada pela nova onda, comprou a sua bodyboard amarela, e Fernanda, sua irmã, uma azul. Elas e as amigas frequentavam a Praia do Pernambuco. Era o início do bodyboarding, nem mesmo havia uma variação de manobras: os drops e os cutbacks eram a maior sensação, o 360º uma conquista e o el rollo um progresso. Nesse início, Alessandra saiu em busca de uma nadadeira apropriada. Ela procurou pelo pé de pato na Reação Surf Shop, onde conheceu o proprietário Diniz Iozzi, o Pardhal, e aprendeu muito sobre o surfe. Com o equipamento completo, o céu era o limite. Na companhia de amigos, as surftrips partiam em busca de ondas no Litoral Norte, em especial a Praia do Felix, em Ubatuba, seu pico preferido, deixando na lembrança dias maravilhosos de muito surfe, aprendizados, risadas, contato com a natureza e energia positiva. Com o irmão Timó, um dos surfistas pioneiros do Itararé, Alessandra viveu dias inesquecíveis no Tombo. Naquela época o sobrinho Daniel, filho de Timó, ainda era pequeno, começou a pegar suas primeiras ondas na praia do Guarujá, virou um surfista e atualmente mora com a família na Califórnia. Alessandra continuou surfando intensamente durante o período que cursou a faculdade de Direito da Unisantos, onde conheceu o marido, Alexandre, também surfista e futuro delegado de polícia. Os dois sempre surfaram juntos ao lado de amigos. Os estudos continuaram intensos. Após vários anos de disciplina e dedicação, Alessandra tomou posse como juíza federal em dezembro de 1996. Com a atividade profissional e o nascimento dos filhos Beatriz e Paulo, a vida tomou outro rumo, afastando-a um pouco do surfe, porém sem jamais perder a paixão dentro de si. As ondas que um dia dividiu com o pai, hoje divide com a família. O surfe e o Parque agradecem! Acompanhe as postagens da Equipe de pesquisadores das Histórias do Surfe @museudosurfe