[[legacy_image_208057]] Ela descobriu bem cedo que queria ser atriz. Depois de pisar pela primeira vez no palco aos 6 anos, encarou um longo processo não apenas para se formar e se estabelecer no mercado, como para fazer com que seus pais aceitassem sua escolha profissional. Hoje, com 28 anos de carreira e 52 de idade, a gaúcha é dona de uma trajetória de sucesso no teatro, no cinema e na televisão, e ainda acumula experiência como escritora. Também é engajada em causas sociais e de cultura de paz. Para manter o equilíbrio físico e mental, pratica ioga e exercícios tibetanos, dança e gosta do “pé na terra”. “Tenho um sítio e amo cuidar de plantas”, diz Leona, que há 20 anos é vegetariana. No bate-papo, ela fala, entre outros assuntos, dos seus novos trabalhos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Você está numa fase bem voltada ao teatro. Quais são os seus próximos passos nos palcos?Terminei no fim do semestre a temporada da comédia Procuro o Homem da Minha Vida, Marido Já Tive e emendei os ensaios da montagem do clássico Fausto, em São Paulo. Foi um desafio, pois tivemos um período bem curto de preparação, de um mês; ficamos em cartaz de agosto até a semana passada, com boa repercussão de público. Agora, vou fazer o monólogo Elogio da Loucura, que vai estrear na última semana de novembro na Capital. Esse texto do Erasmo de Roterdã é inédito no teatro brasileiro. Apesar de ter sido escrito no século 17, mostra-se extremamente atual. Durante o período de isolamento na pandemia, o Sesc organizou um projeto com atores apresentando monólogos on-line. Nessa época, encenei o Elogio da Loucura e, como as pessoas amaram, resolvi levar para o palco. No texto, a loucura elogia ela mesma e, com isso, acaba mostrando a loucura do mundo. Para quem assiste, parece que a loucura está traçando um panorama dos dias de hoje, pois ele fala da loucura sob vários aspectos: nas amizades, na sociedade, na política... Tem outros projetos em vista?Em 18 de outubro, será lançada a série O Rei da TV, que fiz para o streaming Star+, da Disney. O seriado, através da história do Silvio Santos, acompanha a história da televisão brasileira. Tanto que nos episódios aparecem figuras como Roberto Marinho e Edir Macedo. Interpreto a Iris Abravanel, mulher do Silvio. Gravamos a série no decorrer da pandemia. Já deixamos pronta, inclusive, a segunda temporada. Fora isso, será lançado nos cinemas, entre o fim do ano e o início de 2023, o longa A Cerca, que rodei no Rio Grande do Sul, o que, para mim, foi muito especial, pois sou gaúcha e nunca tinha feito uma peça ou filme lá. A minha personagem se chama Elisa, que é o nome da minha avó. Trata-se de um suspense, e é o primeiro longa do Papinha, diretor conhecido da tevê. Na trama, a Elisa vai fazer uma reportagem numa área de fazendas e acaba desvendando um mistério da família dela. O que despertou a sua paixão pelas Artes Cênicas?Aos 6 anos, fiz uma peça na escola. Lembro até hoje do que senti ao subir no palco. Naquele momento, tive certeza de que queria ser atriz. O que foi muito difícil, pois minha cidade, Rosário do Sul – onde meus pais moram até hoje –, não tinha nada de teatro naquela época. Para completar, eu não possuía nenhum artista na família. Acabei cursando Artes Cênicas em Porto Alegre, mas foi complicado para meus pais aceitarem. Demorou muito para eles aceitarem a sua escolha?Bastante! Isso só aconteceu quando eu já tinha feito teatro e cinema. Os meus pais nunca foram deslumbrados com a minha carreira; ainda acho que eles continuam preferindo que eu tivesse seguido outra profissão. Aos 15 anos, fui fazer intercâmbio em Londres (Inglaterra) e fiquei alucinada com uma peça que vi lá. Disse para o meu pai que não ia voltar mais para o Brasil. Ele falou que era um absurdo. Respondi que só retornaria se ele me deixasse prestar vestibular para a faculdade de Artes Cênicas, em Porto Alegre. Meu pai acabou aceitando. Nos primeiros dois anos, cursei Artes Cênicas junto com Direito. Depois, foquei na graduação de atriz. Perto de terminar a universidade, percebi que, se permanecesse em Porto Alegre, talvez tivesse que conciliar a carreira de atriz com outro trabalho, para conseguir sobreviver. E eu queria me dedicar apenas à interpretação. Por causa disso, me mudei para São Paulo. Como foi a sua adaptação à nova cidade?Difícil, porque eu não conhecia ninguém e me sentia sozinha em São Paulo. Havia deixado para trás os meus pais, um casamento, enfim, uma vida inteira no Rio Grande do Sul. Mas comecei a fazer teatro e, por meio dele, conheci pessoas e São Paulo se apresentou para mim. Alguma vez você pensou em desistir da carreira?Nunca, porque sou atriz por uma questão de necessidade minha. Desde menina, sentia que só seria feliz me dedicando às artes cênicas. É como uma condição de felicidade, sabe? Com o tempo, comecei a explorar outros lados meus: de escritora, produtora, diretora e palestrante/responsável por oficinas de interpretação. Mas isso aconteceu, essencialmente, como desdobramento das minhas experiências de atriz. Por exemplo, o livro infantil que escrevi nasceu a partir do meu trabalho como palhaça. Agora, estou preparando minha terceira obra, que será sobre atuação, assim como o primeiro livro que publiquei. Você se define como pacifista no Instagram. Como se engaja nesse sentido?Faço parte há mais de dez anos da ONG Paz Sem Fronteiras, que se dedica à promoção da cultura da paz, auxilia artistas de circo e indígenas, distribui cestas básicas e cobertores para moradores de rua, realiza trabalhos de ecologia, como o plantio de sementes ancestrais sem agrotóxicos. Além de atuar nessa ONG, busco agir dentro de uma cultura de paz no meu dia a dia. Acredito em um mundo e em um Brasil melhor por meio do convívio entre as diferenças, de uma forma construtiva.