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Sexta-feira

20 de Setembro de 2019

Especialista explica insuficiência medular, doença rara diagnosticada em Carlos Alberto

Emprestado ao Remo pela Portuguesa Santista, jogador está internado e precisando de transfusões de sangue e plaquetas

Meia da Portuguesa Santista, Carlos Alberto, que está emprestado ao Remo, foi diagnosticado com insuficiência medular em fase aguda, doença que também é chamada de anemia aplástica. O jogador está internado no Hospital Porto Dias, em Belém, desde a última quarta (24), onde espera receber transfusões de sangue e plaquetas. Mas, afinal, sobre o que se trata a patologia que afeta o meia que pertence à Briosa e qual a sua gravidade?

Carlos Alberto foi encaminhado ao hospital na capital paraense após ter sentido mal-estar durante treinamento. De prontidão, exames detectaram uma anemia no jogador de 24 anos e, alguns dias depois, foi descartada a possibilidade de se tratar de uma leucemia. Nesta segunda-feira (29), o diagnóstico ganhou um nome mais complexo. Especialista em hematologia, a médica Giuseppina Patavino esclareceu que a anemia aplástica é uma doença rara e que, até pouco tempo, era considerada grave.

Boletim médico do jogador, emitido pelo hospital em que está internado (Foto: Divulgação/Hospital Porto Dias)

"A insuficiência medular consiste na falha da medula óssea para fabricar as células do sangue. Estima-se que ela ocorra em uma pessoa em cada um milhão de habitantes aqui no Ocidente, enquanto no Oriente ela é um pouco mais comum. Ela pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum que ela afete pessoas abaixo de 25 anos", explicou a profissional.

A anemia aplástica é considerada uma emergência hematológica e médica, como afirma ainda Giuseppina, e há várias causas para o aparecimento da patologia. Por exemplo, alguns vírus, como o da hepatite, são responsáveis pela insuficiência medular. A exposição à radiação e a alguns tóxicos, como o benzeno e incenticidas usados sem os devidos cuidados, também são causadores. No entanto, a especialista elucida que, na maior parte dos casos, a doença é idiopática, isto é, que não se pode identificar a causa. 

"O tratamento é feito através de hemocomponentes, com antibióticos, e pode ser introduzido imunosopressores, como corticoide. Confirmado o diagnóstico, o tratamento definitivo é feito por meio de transplante de medula óssea. É um método curativo e que tem feito a diferença no tratamento dessa doença. É muito difícil prever o que vai acontecer daqui para frente. No momento, esse jovem precisa desse tratamento agudo", falou a médica.

Em contato com a Tribuna On-Line, o gerente administrativo da Portuguesa Santista, Marcos Martiniano, revelou que o meia deve deixar o hospital ainda nesta quarta-feira (31), mas que continuará em observação. "Por ora, ele vai continuar o tratamento até que os exames apontem uma coisa concreta. Não há uma informação conclusiva sobre seu estado de saúde", concluiu.