Beth Gomes se emociona após conquistar a medalha de prata para o Brasil nas Paralimpíadas de Paris 2024 (Reprodução/Sportv) A atleta santista de 59 anos, Elizabeth Gomes, conquistou a medalha de prata e bateu o recorde mundial no arremesso de peso F53/F54 na manhã desta segunda-feira (2) nas Paralimpíadas de Paris. A prata foi conquistada no Stade de France. Nesta categoria participam atletas que tem função normal em seus braços e mãos, porém competem em cadeiras de rodas por conta de amputações, lesões medulares ou sequelas de poliomielite. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nascida em Santos, Beth participa da classe F53 e disputa com atletas uma classe acima da sua (F54), conseguindo bater o seu próprio recorde no Mundial de Atletismo do ano passado que era de 7,75m, neste ano Beth conseguiu alcançar os 7,82m. Em entrevista ao canal Sportv, Beth ficou emocionada e, com lágrimas em seus olhos, agradeceu a todos que estão torcendo pelos atletas. “Muito obrigado a todos que estão torcendo para nós. Essa prata veio com gostinho de ouro. Numa prova acima da minha classe e ainda bati o recorde mundial”, comenta. No pódio, o ouro ficou com a mexicana Glória Zarza, depois de conseguir lançar o peso até os 8,06m, e o bronze foi conquistado pela Usbeque Nurkhon Kurbanova, do Uzbequistão, com o arremesso de 7,75m. Nas paralimpíadas, o Brasil conquistou 30 medalhas, sendo nove de ouro, seis de prata e quinze de bronze. Na tarde desta segunda (2), Beth Gomes- atual campeã paralímpica no lançamento de dardo- volta em cena para defender o título no dardo, sua especialidade, a partir das 14h04, e três compatriotas (Lorena Spoladore, Jerusa Geber e Jhulia Karol) disputam as semifinais da provas dos 100m classe T11 (deficiência visual) às 14h20. Desde o último sábado (31), as competições em Paris têm transmissão ao vivo online (on streaming) no canal dos Jogos Paralímpicos no YouTube. A brasileira já arrematou o ouro este ano na modalidade no Mundial de Kobe (Japão). Como foi a preparação? Beth viajou cheia de sonhos e muita esperança para tentar subir no pódio mais uma vez. A Tribuna acompanhou o último treino dela no Brasil, sob a orientação da competente técnica Rose Farias no tradicional Clube dos Ingleses & Caiçara, que acaba de completar 135 anos de história. Durante os treinos, Beth e Rose ainda contam com a companhia das jovens paratletas Ana Clara e Beatriz, que se inspiram na multicampeã. Depois do último treino, Beth e Rose contaram que, nos Jogos de Paris, as duas provas vão ser disputadas no mesmo dia: 2 de setembro. O arremesso de peso pela manhã, e a prova principal de Beth, o lançamento de dardo, no período da noite. Isso não é uma novidade para quem é campeã para-panamericana, paralímpica e bateu 41 recordes mundiais entre as três provas que disputa: lançamento de disco e dardo e arremesso de peso. Beth terminou a preparação com o mesmo otimismo de sempre. “Quero a torcida de todos, o calor de todos, para que eu possa fazer uma boa competição. Minha prova principal é o lançamento de disco, mas também tem o peso, que eu falo que é meu filhinho”. Rose também saiu feliz do treinamento final em Santos. “Foi um treino muito bom. A gente estava ajustando alguns posicionamentos para ela chegar bem focada nas provas em Paris”. Contudo, a preparação não terminou ali. “Estamos indo para a aclimatação em Troyes, na França. Ainda vai ter treino lá, um pouquinho mais de potência, para quando chegar perto da competição, possa fazer o polimento (descanso), para que ela entre bem no campeonato”. Beth fez 59 anos de idade, tem esclerose múltipla e nunca desanima. Quando olha para trás, relembra tudo que realizou. “É muito gratificante conquistar aquilo que sempre sonhei, quando ainda não deficiente e era jogadora de vôlei, mas Deus me deu a oportunidade de ir a duas Paralimpíadas, em duas modalidades diferentes. A primeira no basquete, e agora no atletismo”. Campeã de tudo que disputa, Beth ainda fica com aquele friozinho na barriga, na hora de embarcar para mais um desafio. “Com certeza. Minha terceira Paralimpíada, mas o friozinho dá aquela sensação boa, a adrenalina sobe, eu acho que a hora que passar esse friozinho, acho que estará chegando o tempo de se aposentar”.