Heitor, Otávio e Álvaro tentam ampliar as fontes de renda no universo do jiu-jítsu com projetos paralelos (Marco Aurélio Ferreira/Agência Jiu-Jitsu) Três irmãos, nascidos e criados em Guarujá, transformaram o jiu-jitsu em mais do que esporte: fizeram dele um caminho de vida. Otávio Pinheiro de Souza Silva, de 32 anos, Heitor Pinheiro de Souza Silva, de 26, e Álvaro Pinheiro de Souza Silva, de 22, conciliam competições, aulas e projetos sociais com a preparação para disputar um dos principais torneios da modalidade, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, previsto para novembro. Competindo juntos desde 2020, os irmãos já acumulam resultados expressivos. Entre os principais destaques estão medalhas em campeonatos europeus, títulos sul-americanos e colocações no Campeonato Brasileiro. “Três irmãos subindo ao pódio foi algo inédito”, exalta Otávio, ao recordar a campanha do trio no Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu, realizado em janeiro deste ano em Lisboa, em Portugal, quando conseguiram conquistar medalhas em suas respectivas categorias. Para o atleta, lutar ao lado dos irmãos “ajuda muito no dia a dia, a manter a constância e a responsabilidade de querer sempre evoluir”. No entanto, ele admite que a pressão é maior. “Eu fico bastante nervoso, tanto quando eles estão lutando e eu estou do lado de fora quanto quando eles estão me vendo. Porém, acredito que ajuda muito mais do que atrapalha”, afirma. Rotina e desafios financeiros Atualmente, os irmãos treinam entre cinco e oito horas por dia, combinando sessões de jiu-jitsu, musculação e outras atividades complementares, como pilates e fisioterapia. A rotina inclui ainda aulas que eles próprios ministram, além da gestão de projetos e iniciativas ligadas à modalidade. Entretanto, antes de conseguirem viver exclusivamente do jiu-jitsu, a realidade era diferente. Otávio relata que precisou conciliar trabalho e treinos por anos, além de arcar com os custos das competições. “Eu sempre trabalhei e paguei os campeonatos para a gente, tanto para mim quanto para incentivá-los. Na primeira viagem internacional do Heitor, eu comprei a passagem com o dinheiro que tinha juntado”, comenta. “A maior dificuldade no começo sempre é essa: o aporte financeiro e a estrutura para poder dar continuidade”, enfatiza. Hoje, além das aulas e competições, os irmãos buscam ampliar as fontes de renda dentro do próprio universo do jiu-jitsu, com a criação da marca “Pinheiro Jiu-Jitsu”, realização de seminários e até a venda de produtos. Projeto social Os atletas também participam da Associação Brothers Club, projeto social que oferece aulas de jiu-jitsu e outras atividades, incluindo defesa pessoal para mulheres. No local, eles atuam como professores e ajudam a expandir o alcance da iniciativa, voltada principalmente para crianças e moradores da região. “A gente tem como meta poder, além de sobreviver, viver da arte marcial e ajudar novas gerações a trabalhar no jiu-jitsu. Ter um porquê, um objetivo de vida, e dar isso a elas. Criar a sua realidade, não só viver na realidade imposta pelo que está à sua volta. Conseguir sair dali e viver de forma digna, fazendo algo que faça bem para as outras pessoas”, diz Otávio. Abu Dhabi O próximo passo na carreira dos irmãos é a participação no Abu Dhabi World Pro (Campeonato Mundial Profissional de Jiu-Jitsu de Abu Dhabi), considerado um dos campeonatos mais relevantes do circuito internacional da modalidade. A competição reúne atletas de alto nível e oferece premiação em dinheiro, além de visibilidade global. Para viabilizar a viagem, os atletas buscam apoio financeiro por meio de parcerias com marcas e projetos. Segundo Otávio, a participação no torneio pode representar um salto na carreira. “É um campeonato de extrema credibilidade. Tendo um bom desempenho, a gente fura a bolha da região, pessoas de outros lugares começam a nos conhecer e as marcas passam a olhar com outros olhos para a gente”, explica.