Fera nas ondas grandes, Taiu se acidentou em 1991 em uma praia do Litoral Norte (Arquivo Pessoal) O surf da Baixada Santista está de luto. Morreu, neste domingo (8), Octaviano Augusto de Campos Bueno, o Taiu. O velório acontece a partir das 21 horas no Cemitério Gethsemani (Praça da Ressurreição, 1, no bairro Morumbi, em São Paulo). O sepultamento será às 11 horas da manhã desta segunda (9). Ele, que estava internado no Incor, em São Paulo, completou 62 anos no último dia 1º de dezembro. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Um exemplo de perseverança e resiliência, Taiu, que era local de Guarujá, teve uma carreira brilhante no surfe como big rider (especialista em ondas grandes) interrompida por um acidente na praia de Paúba, no Litoral Norte de São Paulo, em 1991, quando ficou tetraplégico. Em 2010, pôde rever o amor pelas ondas, ao ir para a água em uma prancha de SUP adaptada com uma cadeira. Este ano, tomou parte em uma iniciativa inspiradora chamada Dream Challenger, que levou equipamentos adaptados a praias do sudeste entre junho e setembro. Tudo em nome do amor ao surfe e à capacidade de vencer desafios. “Nos deixou grandes lições de vida, um exemplo para todos! Deixou seu legado aqui no nosso plano e partiu com honra! Obrigado por tudo”, postou o surfista Phil Rajzman, filho do medalhista olímpico de prata no vôlei Bernard, no Instagram. Depoimentos Pauê Aagard, triatleta que também sofreu um grave acidente, lembra dcom carinho de Taiu. “Uma pessoa que já era uma grande inspiração antes do meu acidente. Eu acompanhei boa parte da trajetória dele. Era pequeno ainda, mas eu já surfava, então eu acompanhei à distância. Eu tive a oportunidade de conhecê-lo numa feira que teve de surf em 2001, em São Paulo. E ele já sabia da minha história”, narra. Segundo ele, foi uma identificação mútua entre duas pessoas que buscavam vencer as adversidades. “A gente manteve uma amizade muito legal ao longo desses anos todos. Nunca fomos de nos visitar, marcar coisas em conjunto assim, de estar no dia a dia. Mas estava sempre se falando por telefone”, acrescenta. Para Pauê, Taiu era uma pessoa “destemida”. “Ele tinha uma enorme representatividade no meio do surfe, como símbolo de um cara feliz, que, dentro da sua realidade, conseguiu tocar sua vida”, emenda. Jojó de Olivença, outro surfista de renome da Baixada Santista, também lamentou a morte de Taiu. "Era uma pessoa que amava a vida e quis realmente viver, entender o propósito de Deus pra ele. Mesmo vivendo naquela situação, com muitas limitações, não desistiu, foi adiante, servindo de inspiração e de referência"