EDIÇÃO DIGITAL

Sábado

16 de Novembro de 2019

Carille diz que fica e vê multa rescisória pequena 'para problema do Corinthians'

Técnico tem contrato com o clube até o final de 2020 e a sua multa rescisória inicial era de R$ 6 milhões

O técnico Fábio Carille disse que fica no comando do Corinthians. Depois da derrota por 2 a 1 para o CSA, sofrida na noite de quarta-feira, em Maceió, o presidente do clube, Andrés Sanchez, deixou a decisão pela continuidade nas mãos do treinador. Ele teve a quinta-feira para pensar, conversar com os dirigentes, com familiares, e, nesta sexta-feira confirmou que optou por seguir com a equipe.

"Primeiro, quero agradecer todo o ibope de ontem. Dia do fico, dia de não fico... é claro que depois do jogo passa tudo pela cabeça. Tenho uma diretoria que é experiente de vestiário. O Andrés, quantos anos têm? O Duílio (Monteiro Alves, diretor de futebol), quantos anos tem? Se eles entendem que pode ser melhor, por que eu vou desistir? Está sendo o primeiro momento e eu tenho que enfrentar. Todos nós temos que melhorar. Eu, jogador... Claro que no pós-jogo você pensa um monte de coisa, mas na viagem, ontem à tarde e à noite, eu já comecei a planejar o jogo de domingo (contra o Flamengo, no Maracanã, pelo Brasileirão)", destacou o comandante.

Carille tem contrato com o clube até o final de 2020 e a sua multa rescisória inicial era de R$ 6 milhões. "Os contratos são para ser cumpridos e também para ser conversados", disse. O valor vai diminuindo mês após mês - hoje estaria em torno de R$ 4 milhões. Além disso, o Corinthians deve ao treinador cerca de R$ 3 milhões por atraso no pagamento de prêmios e bônus de seu salário. O técnico, entretanto, negou que a questão financeira tenha influenciado na sua permanência.

"Tem clima (para ficar). Não me preocupa com a parte financeira. Minha vida se direcionou de 2017 para cá. Outro dia Andrés falou da dívida do clube. E 400 (milhões de reais) é pouco. Quem deve 460 deve 470. Não é multa que vai me prender aqui. Se o clima está ruim não é dinheiro que vai fazer segurar. Não fica achando que é o dinheiro que prende ou não. Minha multa é muito pouca para o problema do Corinthians. E não são esses valores. É bem menos", comentou.

Vergonha do time

O treinador, no entanto, admitiu que houve queda de rendimento dos jogadores por eles estarem na reta final da temporada. Como justificativa, o treinador disse que o time parou de jogar bem quando conseguiu a pontuação que livra a equipe do rebaixamento. O Corinthians, no entanto, está na briga por uma vaga na Copa Libertadores.

"Depois que atingimos 45 pontos, chamou atenção a concentração dos atletas. Chamei atenção deles. Definiu o ano. Isso está sendo um desafio para mim, motivar os jogadores e fazê-los entender que tem que estar bem sempre e temos nove jogos agora. O nível de atenção é nítido que caiu depois que a gente atingiu uma pontuação", comentou.

Para completar, Carelli disse que considerou vergonhosa as atuações recentes. "Vergonha. Não preciso olhar como torcedor, não, tenho que olhar como comissão e ser ciente daquilo. Vergonhoso, não parece um time treinado, parece que se junta no vestiário e vai para o jogo. Você passa informações e depois tá na beira do campo e isso não é feito. Não está faltando raça, mas tecnicamente a gente tem que ser melhor", declarou.

Fama de retranqueiro

Uma das principais críticas feitas ao atual time do Corinthians está na dificuldade de atacar. Em 29 jogos no Campeonato Brasileiro, foram apenas 31 gols marcados. "Falam de retranca, mas terminei o jogo contra o Vasco com Pedrinho, Jadson, Clayson, Janderson e Gustavo. Que retranca é essa? Falando de 2018, lembro de gol contra o Paraná que ficamos 1 minuto e 17 segundos com a bola. Enchemos o campo, é algo que o Flamengo vem fazendo. A gente está conhecendo alguns jogadores nesse momento de pressão, não é fácil jogar no Corinthians. Meus pensamentos de futebol são os mesmos", justificou o treinador.

Sem vencer há sete jogos, o Corinthians viu a crise ampliar após a derrota na quarta-feira. Na madrugada depois do tropeço, torcedores tentarem invadir o hotel em Maceió. Em São Paulo, os muros do Parque São Jorge foram pichados. O time também precisou de escolta policial para chegar ao CT Joaquim Grava e ainda teve de conversar com membros de torcidas organizadas. O clube autorizou na quinta-feira que oito torcedores entrassem no Centro de Treinamento para expor suas insatisfações aos atletas.

"Não participei, eles (torcedores) não queriam falar comigo. Em outros momentos já aconteceu de eu falar com eles e foi muito bom. Prefiro isso do que agressão, saber o que eles pensam com paixão, como torcedor. Não sei como foi a conversa. Quando eles estavam falando, eu fui embora. Se não falaram comigo, é porque eu não tinha que saber. Mas agressão, como temos visto por aí, contra Palmeiras e São Paulo, é coisa que tem que acabar", destacou.

Tudo sobre: