Kayo Amado detalha objetivos para São Vicente: 'Construí esse projeto por 4 anos'

Candidato à Prefeitura pelo Podemos faz um balanço da campanha e das estratégias no segundo turno

Servidor público municipal em São Bernardo do Campo (SP), Kayo Amado (Pode) tem 29 anos e é conhecido no meio político da Cidade. Disputa a Prefeitura de São Vicente pela segunda vez. Na eleição de 2016, pela Rede, ficou em segundo lugar, com 48,6 mil votos, perdendo para o atual prefeito Pedro Gouvêa (MDB). Em 2018 buscou a vaga de deputado federal, também pela Rede: teve mais de 54 mil votos, mas novamente ficou de fora. Leia a seguir trechos da entrevista do candidato, que concorre com o número 19. 

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A campanha deste ano em São Vicente já está marcada na história, devido aos acontecimentos policiais, ameaças, atentado a tiros. Qual o balanço o senhor faz disso tudo até aqui? 

O primeiro turno foi marcado por uma questão policial que acabou protagonizando a questão política. O que a gente precisa, acima de tudo, é discutir propostas.  Temos 360 mil habitantes esperando que se discuta a vida deles, não a vida de uma ou duas pessoas. É claro que a gente se solidariza com toda e qualquer situação de agressão e não quer que ninguém jamais seja agredido. Está tudo muito confuso, muito em dúvida, várias versões e isso não faz bem para a Cidade. Eu busquei me centrar em discutir propostas para a Cidade. Esse foi meu foco e por isso a gente conseguiu chegar ao segundo turno. A gente mostrou para as pessoas que estamos preparados, que a gente tem propósito e pé no chão para administrar a Cidade. Mas teve esse fato relacionados à segurança, se poderia ou não entrar nas comunidades. Eu tive dificuldades, candidatos meus foram obrigados a cortar minhas fotos dos materiais, áudios circularam citando meu nome. A gente precisou ter cuidado e responsabilidade com as nossas lideranças que estavam nas comunidades. Eu mesmo, na porta da Prefeitura, fui abordado por uma pessoa de moto que veio me coagir.  

Quais foram os principais desafios de uma campanha em meio à pandemia? 

Eu procurei tomar todos os cuidados, as medidas de restrição. Fomos seguindo os protocolos conforme os decretos orientavam, evitando aglomerações. Passei três meses trabalhando a questão on-line. O nosso plano de governo mobilizou mais de 900 pessoas da Cidade que contribuíram, foi feito de forma on-line em 96 encontros.  

Nesses últimos dias, quais são as estratégias para conquistar os eleitores que não votaram ou votaram nos outros candidatos? 

É mostrar que a gente está preparado, que tem raiz na Cidade. Eu me preparei para ser prefeito de São Vicente, eu construí esse projeto por quatro anos, desde a última eleição quando a gente ficou a menos de 800 votos do segundo turno. Quatro anos depois a gente entra no segundo turno com força, com uma equipe mais forte. Montamos chapas incríveis de vereadores e elegemos quatro, o mais votado foi do meu partido. Isso mostra a força, a robustez do nosso projeto. Que quatro anos de trabalho significam uma construção. Esse foi o caminho e nossa estratégia é comunicar mais ainda. Tivemos pouco tempo de TV no primeiro turno, menos recursos que outros candidatos, menos exposição na mídia, porque não nos envolvemos em ocorrências policiais. Vamos mostrar que aqui tem esperança, com um vicentino, filho da terra, que foi se preparar para ser prefeito. Com bom diálogo com os governos Estadual e Federal. O vice-governador Rodrigo Garcia é de um partido aliado nosso, o DEM. 

O senhor aceitaria o apoio do prefeito Pedro Gouvêa neste segundo turno? 

Não. Eu acredito que existem divergências muito claras desde a última eleição. Respeito a trajetória de todas as pessoas que passaram pela Cidade, não quero entrar em embates pessoais. Acho que debate tem que ficar em torno do projeto político. A gente tem o apoio da doutora Mônica Batalha (candidata derrotada do PRTB), uma médica da Cidade, que teve na linha de frente do enfrentamento à covid, pessoa do bem. Estamos aqui para fazer uma outra política em São Vicente. O apoio que eu preciso é do vicentino, de quem tem voto na cidade. Quem está indeciso e votou em outro candidato vai olhar nosso programa de governo e escolher.  

Na sua visão, o que de positivo feito pela administração Pedro Gouvêa? Que nota dá para o governo dele, de 0 a 10? 

Ele teve um governo que precisava fazer uma ascensão, após um governo muito difícil que foi o do Bili, um governo muito travado, que deixou a Cidade bastante marcada. O governo Pedro foi tentar buscar e trazer para a Cidade talvez algumas melhorias, mas infelizmente a gente sentiu que muito do que havia sido prometido não foi cumprido. Administrar São Vicente não é tarefa simples, mas não podemos aceitar que o que se fala em campanha eleitoral fique ao vento. Foi prometido, venceu a eleição e não conseguiu cumprir. Dou nota 6, governo mediano. Com relação a melhorias, a gente vê que foi iniciado um processo de iluminação das praias, por exemplo. É positivo, mas também é crítico. Temos um projeto para melhorar o que foi feito e levar iluminação para todos os bairros da Cidade. 

Caso seja derrotado nas urnas, pretende ajudar a prefeita eleita? 

Minha história demonstra o que eu faço. Eu fiz uma escolha após o resultado da eleição (de 2016), fui buscar recursos e ajudei alguém que seria o meu adversário. Meu foco não é o enfrentamento político, mas a melhoria da Cidade. Mesmo sem mandato, eu ajudei um governo ao qual eu combatia, enfrentava, questionava. Sempre de um jeito responsável. Consegui trazer recursos para Raios-X móvel, equipamentos para UTI e respiradores. Mas, definitivamente, eu não trabalho com a hipótese de perder a eleição. Então esse é o tipo de pergunta que não faz sentido nenhum responder. A gente vai vencer essa eleição porque temos o melhor projeto.  

Quais são os grandes projetos que vão exigir recursos federais e estaduais? 

Enfrentamento às enchentes é um desafio com vários eixos. Desde a limpeza e manutenção constantes, que é uma responsabilidade do município, conseguir criar um sistema de gestão que faça isso acontecer de forma mais regionalizada. Levar a conscientização ambiental para a escola também é algo fundamental. Agora, quando a gente fala em enchente, falamos de infraestrutura. Só na Área Insular são várias bacias que alagam, transbordam, ilham as pessoas e tiram a dignidade. A gente precisa de 13 comportas e na primeira etapa vamos buscar financiamento para quatro. Para fazer realmente a infraestrutura necessária. É possível, junto ao Governo Federal, conseguir linhas de crédito para isso. Ainda mais em tempo onde temos o marco do saneamento acontecendo. Com relação ao Governo Estadual, a gente pode buscar recursos no Fehidro, que é um fundo específico para recursos hídricos e aí conseguir fazer as devidas comportas para a Cidade. 

A Área Continental pode realmente receber grandes empresas, para a geração de emprego e renda? 

É viável, mas ainda leva algum tempo. Porque depende de regularização fundiária em certas áreas e em outras existem questões ambientais que impedem algum desenvolvimento, como áreas contaminadas, casos antigos que precisam de um enfrentamento. A primeira alavanca para desenvolver São Vicente é turismo e comércio. É possível levar para as áreas Insular e Continental. Turismo está naturalmente mais focalizado na Insular, mas a gente tem as cachoeiras na Área Continental. Se fizer um trabalho bem organizado, com pessoas que têm interesse em explorar é desenvolver com sustentabilidade, é possível. Mas o comércio é a alavanca para gerar os empregos que a gente perdeu.  

Um problema grave em São Vicente é o da saúde, que não tem estrutura adequada para a população, que procura atendimento principalmente em Santos e Praia Grande. O que o senhor vai fazer? 

O ponto central é que o governo do PSDB deixou de investir na saúde da Cidade ao longo de todas essas décadas no poder. Isso fica nítido quando a gente calcula o valor que o Estado distribuí para Cidade por pessoa. São Vicente recebe R$ 57,00 por pessoa, enquanto Santos recebe R$ 525,00 e a média estadual é de R$ 487,00. É alarmante. Porque São Vicente é tão prejudicada pelo PSDB? Isso não é aceitável e a gente precisa mudar essa configuração. E isso começa com um trabalho sério de gestão na Cidade. São Vicente investe cerca de 30% (do orçamento) na saúde, o dobro (do que é obrigatório). Só que não está bom. Como pode? Eu sei os caminhos.  

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