A formação da nova ilha no litoral de São Paulo foi registrada por satélites da chamada Constelação Dove, operada pela empresa Planet, que conta com cerca de 100 equipamentos em órbita (Reprodução / PlanetScope via SCCON) Em meio ao avanço acelerado da erosão costeira, o litoral de São Paulo pode ganhar uma nova configuração geográfica nos próximos anos. No Estreito do Melão, em Cananéia, há a previsão de que, entre 2032 e 2034, uma faixa de terra se rompa completamente, isolando parte da Ilha do Cardoso e dando origem a uma nova ilha. O fenômeno foi captado por meio de imagens de satélite. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As imagens foram registradas por satélites da chamada Constelação Dove, operada pela empresa Planet, que conta com cerca de 100 equipamentos em órbita. Os dados são disponibilizados pela plataforma SCCON, responsável por monitorar áreas com base na identificação de alterações e na emissão de alertas. A ação faz parte do Programa Brasil MAIS (Meio Ambiente Integrado e Seguro), considerado o maior projeto de sensoriamento remoto do país, fruto de um acordo entre a Polícia Federal (PF), por meio do Ministério da Justiça, com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública. Como noticiado por A Tribuna, a Justiça concedeu uma nova liminar determinando medidas emergenciais para conter a erosão costeira e o avanço do mar no Parque Estadual Ilha do Cardoso, em Cananéia, no litoral de São Paulo. A decisão atende pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e determina que o Estado, junto à Fundação Florestal, apresente um plano emergencial voltado à proteção das comunidades possivelmente afetadas. A medida também inclui a avaliação das estruturas de contenção já existentes e orienta que sejam evitadas intervenções de engenharia incompatíveis com a dinâmica natural do ambiente costeiro. Liminar anterior Em fevereiro deste ano, o MP-SP já havia obtido uma liminar que determinava aos órgãos responsáveis a conclusão, em até 45 dias, de estudos técnicos sobre as áreas do Melão e da Pereirinha. A decisão também estabeleceu que, após essas análises, sejam adotadas medidas efetivas para mitigar ou eliminar os danos ambientais, desde que haja viabilidade e benefício ambiental comprovado. As determinações seguem em vigor. Erosão já abriu canal No Canal do Ararapira, na divisa entre São Paulo e o Paraná, a faixa de terra — que já chegou a ter cerca de 100 metros de largura — foi reduzida para aproximadamente 20 metros em seu ponto mais estreito. Parte dela já havia se rompido em 2018, após uma forte ressaca na Enseada da Baleia, o que agravou o processo de erosão. A ação do mar abriu um canal com cerca de 170 metros de largura e três metros de profundidade, dificultando o acesso por terra para moradores da região. Caso o rompimento avance, a área ao sul do estreito pode acabar ficando totalmente isolada por água. O Canal do Ararapira está localizado em uma das regiões ambientalmente mais sensíveis do Brasil, onde ocorre o encontro entre águas doces e salgadas. Alterações nessa dinâmica podem impactar a navegação, modificar a distribuição de sedimentos e afetar manguezais que dependem desse equilíbrio. Além de ser uma importante via de transporte para moradores e turistas entre o continente e a ilha, o canal também é amplamente utilizado por comunidades caiçaras e pescadores. Reflexo das intervenções humanas Caso uma nova ilha venha a se formar no Estreito do Melão, o impacto será direto sobre ao menos seis territórios tradicionais caiçaras, incluindo comunidades como Vila Mendonça e Nova Enseada da Baleia, cuja subsistência depende principalmente da pesca. Em 2018, parte das famílias dessas localidades já precisou ser realocada. Pesquisas realizadas na região indicam que o processo erosivo tem origem em intervenções humanas, como a abertura do Canal do Varadouro, na década de 1950. Com o passar dos anos, o fenômeno se intensificou e, mais recentemente, vem sendo agravado pela crise climática, com mais ressacas.