Três municípios da Baixada Santista não elegeram mulheres às cadeiras de suas Câmaras Municipais: São Vicente, Itanhaém e Cubatão, conforme a divulgação do resultado das eleições municipais de 2024 feita pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e publicado minutos após a apuração. Para especialistas ouvidos por A Tribuna, a ausência de parlamentares femininas eleitas provoca uma lacuna de representação e sinaliza que ainda há avanços a serem feitos na questão da representatividade feminina na política. Para a cientista política e professora universitária Clara Versiani, até mesmo em cidades que elegeram mulheres há uma sub-representação feminina nas Câmaras Municipais. É o caso, segundo ela, de Santos. Das 21 cadeiras de vereadores do município, somente duas serão ocupadas por mulheres. São elas a vereadora reeleita Débora Camilo, do Psol, mais votada nas eleições deste ano, e a atual vice-prefeita, Renata Bravo, do PSD. “Há uma consideração que consegue ser identificada, a qual existe no mundo todo e ainda é relativamente alta no Brasil de que mulheres são menos preparadas do que homens para determinados cargos ou funções, dentre elas funções e cargos políticos ou de liderança. Essa é uma ideia bastante disseminada na sociedade brasileira, inclusive entre as mulheres”, analisa Versiani. De acordo com o cientista político do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), Alcindo Gonçalves, o quadro, que se deu mesmo com a imposição legal de 30% de candidaturas femininas por cada partido, é preocupante. “É lamentável que não estejamos assistindo a um avanço das mulheres na política, considerando que correspondem à maior parte da população no país”, diz o especialista. Gonçalves pontuou que, no Brasil, por questões históricas e culturais, há uma noção de que política é uma atividade masculina. “O país ainda tem que caminhar muito para que haja um equilíbrio maior nessa questão”, completou. Ainda segundo Clara Versiani, a ideia de que não há interesse das mulheres na política é falsa. “Há interesse, tiveram mulheres candidatas nas eleições, mas dentro das estruturas partidárias e até por parte da própria sociedade ainda há essa resistência (à participação das mulheres na política)”. A professora universitária e cientista política pondera que, para que haja avanços na representatividade feminina na política, a manutenção das cotas é essencial, mas não é o suficiente. “As cotas precisam ser mantidas, mas outras ações têm que ser desenvolvidas, e os partidos, as mulheres e a sociedade como um todo têm de se engajar nessa busca de espaço para as mulheres na política”. Confira os vereadores eleitos Os vereadores eleitos em cada cidade da região podem ser conferidos nos seguintes links: Bertioga Cubatão Guarujá Itanhaém Mongaguá Peruíbe Praia Grande Santos São Vicente