Phamella Borba, com doença degenerativa e que às vezes precisa ficar internada, diz sentir “esperança” (Vanessa Rodrigues/AT) O Instituto Taupets, em parceria com o Hospital Ana Costa, oferece a pacientes internados terapia animal. Ela é feita com uma porca de estimação: Adalgysa, ou Gigi, é a pet terapeuta e visita leitos do hospital uma vez ao mês. Tutor de Gigi, o médico-veterinário Wilson Rodrigues Trindade Filho é fundador e presidente do instituto. A porca é uma minipig pigmeu, uma das menores raças de miniporcos do mundo. Pela internet, os porcos dessa espécie parecem pequenos, mas podem chegar a pesar 40 quilos. O instituto, fundado há cinco anos, começou a pet terapia usando cães para atender pessoas em situação de rua. “E a gente teve a ideia de fazer com animais diferenciados”, conta Trindade, que também dispõe de galos, papagaios e, “em breve, teremos um cavalinho, que será o primeiro cavalo do Brasil a entrar em hospitais”, explica. Gigi, desde o final de 2023 frequentando o Ana Costa, está desde os 15 dias de vida com o tutor e, por isso, acostumada a interagir com pessoas, “calma e dócil”. Segundo Trindade, “qualquer animal está apto a fazer pet terapia, desde que seja tratado com amor e carinho e tenha as condições adequadas para realizar esse trabalho”. Adalgysa, ou Gigi, é uma minipig pigmeu. Uma vez por mês, faz visitas (Vanessa Rodrigues/AT) Acolhimento Um exemplo de paciente satisfeita com a visita é a analista de departamento pessoal Phamella de Oliveira Alves Borba, de 42 anos. Ela foi afastada do trabalho após perder o movimento das mãos devido à espondilite anquilosante, doença autoimune de que sofre há quatro anos. Ela viu Gigi pela primeira vez na terça-feira. “Eu me senti especial, porque não esperava encontrar um animal tão inusitado, um porquinho”, conta ela, acostumada a gatos e cachorros e que, de vez em quando, precisa ficar internada. A doença, autoimune e degenerativa, danifica os ossos de Phamella, que já passou por duas cirurgias e tem oito parafusos e duas hastes na coluna. Ela estava há dez dias hospitalizada, sem previsão de alta. Mas, com a pet terapia, “você sai do foco da doença, tira o pensamento do hospital, da dor, de estar trancado, muitas vezes sem janela. A pessoa (o tutor) vir aqui e trazer algo novo significa que há esperança de que eu posso melhorar, e que eu mereço carinho e acolhimento”. Tutor de Gigi, médico-veterinário Wilson Rodrigues Trindade Filho trabalha em conjunto com o Ana Costa (Vanessa Rodrigues/AT) Animais no Ana Costa têm carteirinha de saúde e atestado Gerente de atendimento do Hospital Ana Costa há 28 anos, Luciane Chaves afirma que a pet terapia é parte do “olhar humanizado” da instituição com os pacientes. Foi por meio do chamado escritório de experiência do paciente, instituído há oito anos, que projetos do tipo foram adotados pelo hospital — com visitas de personagens de desenhos animados e super-heróis, por exemplo. “A gente sabe o quanto é desafiador estar internado no hospital. Mesmo que a internação seja breve, é sempre desconfortável”, diz Luciane. Os animais que visitam o hospital têm carteirinha de saúde e atestado médico, como parte do controle de infecção hospitalar. Psicóloga do hospital, Bruna Louise de Godoi Macedo observa que a interação dos pacientes com Gigi resulta em “redução da ansiedade, diminuição do nível de estresse e também auxilia no controle da dor, pois a percepção da dor acaba sendo diminuída ao mudar o foco (do paciente)”. A visita animal, continua ela, ajuda o paciente a ficar mais colaborativo com o tratamento e favorecer a interação entre a equipe e a família de quem está hospitalizado. “Os adultos acabam se permitindo ser um pouco crianças de novo.”