Com os sucessivos incêndios no Interior paulista, e após o Governo de SP decretar estado de alerta em pelo menos 45 cidades, qual o risco dessa situação dramática se reproduzir na Baixada Santista? Graças à geografia, a chance é quase inexistente. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) na Baixada Santista e representante da Unesco no Brasil em mudanças climáticas, Ronaldo Christofoletti, explica que, onde houver vegetação, há risco de incêndio em épocas de seca. “Agora, na Baixada Santista, o perigo é muito menor do que nas áreas interiores, porque a gente tem a Serra do Mar”. E Serra do Mar é sinônimo de Mata Atlântica, úmida por natureza. “Ela (Mata Atlântica) pega a maresia, dos ventos que vêm do mar e encontram a Serra do Mar, fazendo com que a região litorânea, principalmente aqui, cercada pela Serra do Mar, seja muito úmida”, explica. O representante enfatiza que a Baixada Santista é diferente de outras áreas litorâneas que são platôs, nos quais a umidade se dissipa. “Basta ver a neblina na Serra: ela é fruto da umidade. É a maior representação visual de como a Serra e a Mata Atlântica nos protegem do fogo”. enfatiza. Por isso, é importante a conscientização sobre as mudanças climáticas e a importância de se tomar decisões agora, para alterar esse panorama (veja ao lado). “Com a mudança do clima, essas áreas úmidas podem se tornar mais secas. Se o homem interferir, desmatar, vai piorar. Mas, neste momento, estamos em uma região muito mais tranquila (em relação ao fogo)”. Saúde Outra consequência dos incêndios é a fumaça, cujas partículas em suspensão aérea causam impacto na saúde. “Vamos ter irritação do pulmão, das vias aéreas superiores, podendo resultar em incômodo e tosse. Sobretudo pessoas alérgicas, com doença pulmonar crônica e asma, vão sofrer mais”, diz o médico infectologista e estudioso dos efeitos das mudanças climáticas para a saúde Evaldo Stanislau. Para se proteger nessas situações extremas, ele enfatiza a prática de uma hidratação vigorosa. “Vai aumentar a produção de muco saudável, que é parte da nossa defesa da via respiratória”. Ele também recomenda o uso de soro fisiológico. “Pode comprar em farmácia, não precisa de receita, e fazer lavagem continuada das narinas”. Eventualmente, a quem apresentar algum tipo de irritação ou sintoma mais severo, é aconselhável procurar orientação médica.