Professor-doutor em Oftalmologia, Marcello Colombo Barboza destaca a importância da avaliação periódica para uma boa saúde ocular (Alexsander Ferraz/ AT) O Relatório Mundial da Visão, lançado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2019, estimava que 2,2 bilhões de pessoas viviam com deficiência visual em todo o mundo, sendo que, pelo menos, 1 bilhão delas possuía uma deficiência visual moderada, grave ou cegueira, que poderia ter sido evitada ou ainda não foi tratada. Nesta quarta (10), no dia dedicado à saúde ocular, o cuidado com as causas da deficiência visual liga o alerta para a questão. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Se dividirmos em relação às causas de maior preocupação, temos as causas reversíveis, que você corrige e melhora, e as irreversíveis, que você precisa diagnosticar cedo para não deixar ficar cego”, afirma o professor-doutor em Oftalmologia, Marcello Colombo Barboza. Ele aponta, entre as causas reversíveis, e que representam 75% dos casos, os erros refrativos (prescrição de óculos, miopia, hipermetropia e astigmatismo) e a catarata, ligada especialmente ao envelhecimento da população. Já as de cegueira irreversível são o glaucoma, retinoplastia diabética e a degeneração macular. “É recomendada uma avaliação periódica, a partir dos 40 anos, com intervalos de seis meses a um ano. Para as crianças e adolescentes, a recomendação é uma avaliação preventiva anual, a partir dos 4 anos”, acrescenta. Ele lembra que a consulta oftalmológica não deve apenas visar a prescrição de óculos. “Deve ser feito um exame completo, de ‘fundo de olho’ (que faz um mapeamento da retina), pressão ocular, exame do grau, do campo de visão. Toda uma avaliação da saúde ocular dos olhos do paciente”, recomenda Barboza. “Em uma consulta de rotina, você consegue diagnosticar as doenças e, caso haja suspeita de alguma dessas patologias, vai fazer exames específicos”. No caso do glaucoma, que é uma doença que se desenvolve por conta de uma alteração no nervo óptico, que o deixa mais frágil, os exames vão avaliar esse nervo, o campo de visão e a pressão ocular, que permitem o diagnóstico precoce. “Na retinoplastia diabética (lesão da retina, na parte posterior do olho e que tem como causa o diabetes), é recomendado o exame de ‘fundo de olho’ para ver se existem hemorragias e alterações. Já na degeneração macular, também é recomendada uma tomografia de coerência ótica da mácula”, recomenda o especialista. Sinais Colombo Barboza ressalta que, no caso dos pacientes com catarata, é sentida uma diminuição da visão noturna, com baixa luminosidade; um embaçamento progressivo da visão; mudanças de grau dos óculos em pouco tempo. “Já os pacientes com glaucoma representam uma grande preocupação, porque não sentem nada. É chamada “cegueira silenciosa”. E, quando você tem histórico na família, deve ficar ainda mais atento. Já a degeneração macular traz uma dificuldade progressiva nos idosos, sobretudo acima de 60 anos, para ler de perto, com distorção de letras e palavras, mesmo com uso de óculos”, pontua. O paciente que tem diabetes, para o oftalmologista, vai notar um aumento na permeabilidade dos vasos. “Isso começa a dar pontos de cegueira, que podem ser periféricos ou centrais. Se a pessoa tem a hemorragia e não controla o diabetes, vai perder a visão”. Tratamento precoce faz toda diferença O oftalmologista Marcello Colombo Barboza enfatiza que todas as patologias, diagnosticadas precocemente, têm tratamento. “No caso da catarata, a cirurgia tem o implante de uma lente dentro dos olhos, e o paciente tem uma recuperação total da visão, caso eu não tenha nenhuma patologia associada. Já para o glaucoma, são prescritos colírios para baixar pressão ocular e, em casos mais avançados, pode-se lançar mão até de implantes de drenagem para melhorar a pressão dos olhos”. Para os casos retinoplastia diabética, o especialista fala em tratamento que vai desde a aplicação de laser até medicações que implantam dentro dos olhos para absorver as hemorragias. E na degeneração macular, o implante de medicações dentro dos olhos ajudam a regredir a doença.