Porto das Naus teria sido o primeiro trapiche alfandegário do Brasil, instalado por Martim Afonso de Sousa em 1532, ano da fundação da Vila de São Vicente (Alberto Marques / Arquivo AT) Localizado próximo à Ponte Pênsil, na Área Continental de São Vicente, o local conhecido como Porto das Naus, são, na verdade, ruínas de um engenho de açúcar quinhentista, possivelmente construído sobre os alicerces desse porto. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O Porto das Naus foi o primeiro trapiche alfandegário do Brasil, estabelecido oficialmente por Martim Afonso de Sousa em 1532, mas já utilizado antes, desde 1510, por João Ramalho, Antônio Rodrigues e o Bacharel de Cananeia como estaleiro e ponto de apoio. No final da década de 1540, o porto perdeu importância devido ao assoreamento da Baía de São Vicente e à ascensão do Porto de Santos. Em 1580, Jerônimo Leitão construiu no local um trapiche, uma capela e uma casa de purgar (dependência dos engenhos de açúcar coloniais, onde o açúcar era refinado e branqueado), mas essas instalações foram destruídas em 1615, durante o ataque de Joris van Spilbergen, segundo o Projeto de Valorização Patrimonial do Monumento Nacional da Universidade de São Paulo (USP). Em 1977, o Governo Estadual tombou as ruínas do Porto das Naus, prometendo sua recuperação para preservar a memória do período colonial. No entanto, as promessas nunca foram cumpridas, e o local continuou a se deteriorar. A partir de 2010, com as escavações arqueológicas do Centro Regional de Pesquisas Arqueológicas (Cerpa), foi possível identificar o local como o engenho de açúcar de Jerônimo Leitão, com a descoberta de mais de 400 fragmentos de utensílios do engenho, como formas de açúcar e tanques para melado. Embora haja especulações de que o Porto das Naus tenha sido tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o registro oficial inclui apenas os remanescentes da antiga Vila Colonial, como a Igreja Matriz, sem especificar o tombamento do Porto das Naus.