Carro pega fogo sem motivo aparente em garagem de São Vicente (Reprodução/Câmeras de segurança) Literalmente da noite para o dia, a vida do motorista e entregador Kaique Marques mudou. E para pior: o carro que utilizava para trabalhar pegou fogo na madrugada de 27 de junho, sem nenhum motivo aparente, enquanto estava estacionado na garagem do apartamento onde mora com a família em São Vicente. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Agora, o homem de 29 anos busca levantar a quantia necessária para consertar o veículo e garantir o sustento da casa, pois o carro era usado no dia a dia para entregas a supermercados da Baixada Santista. “Quero poder arrumá-lo o quanto antes para poder voltar a ser útil, a render”, diz Kaique. O motorista autônomo abriu uma vaquinha online para arrecadar R\$ 15 mil para consertar a Fiat Fiorino, que foi parcialmente destruída pelo fogo. Graças aos vizinhos do prédio onde mora, as chamas não atingiram o interior do veículo, mas ainda assim consumiram muito mais que a lataria do automóvel. “O incêndio me deixou tão mal que parecia que eu tinha perdido um parente. Eu fiquei dentro do carro, chorei muito, senti muito frio, mesmo com calor. Agora que consegui superar um pouco é que eu estou tentando contornar isso”, diz. Carro do entregador Kaique Marques pegou fogo enquanto estava estacionado em São Vicente (Kaique Marques) O incêndio começou no capô da Fiorino, com o que teria sido uma explosão na bateria. A causa ainda não foi descoberta. Kaique conta que trabalhou normalmente no dia anterior sem nenhum problema e sempre se esforçou para deixar a manutenção do veículo em dia. “Como o carro é meu, às vezes atrasa alguma coisa ou outra, mas eu sempre tenho que fazer a manutenção, principalmente de segurança, para não ficar sem trabalhar”, afirma. Dentre os possíveis atrasos, estavam as parcelas do seguro. O serviço foi suspenso pouco antes do incidente, para o desespero de Kaique que não vê a hora de voltar a assumir o volante. “Quero poder voltar a passar pelo carro. Hoje eu passo e sinto uma tristeza, porque o fogo deixa suas marcas”, lamenta. Capô do carro de entregador autônomo foi destruído pelas chamas em São Vicente (Kaique Marques) Superação do medo de dirigir Kaique relatou que já chegou a trabalhar como motorista de aplicativo, mas o estresse do trabalho foi tanto que fez com que o motorista desenvolvesse medo de uma das coisas que mais gosta de fazer: dirigir. “Eu fazia corrida para as pessoas e depois não lembrava como eu tinha chegado ao destino. Era como se tivesse dado um apagão”, lembra Kaique. O medo de acontecer algum acidente por conta do estresse diário era tanto por ele quanto pelos passageiros. A superação começou com duas rodas: andando de bicicleta pelos bairros da região, ele só pensava em reverter essa situação. “Eu sempre sonhei em trabalhar atrás do volante, podia ser até de manobrista. E aí surgiu a chance de trabalhar com entrega”, conta. A oportunidade veio por intermédio do cunhado. Ele tinha um carro que precisava de um motorista e possuia contatos com transportadores da Baixada Santista. Depois do incentivo, Kaique retornou a paixão pela direção. “Basicamente, mercadoria não reclama. Já pessoas…”, brinca. “O serviço tem seus lados ruins, mas estar atrás do volante acaba me relaxando. Eu vou para o carro consigo me acalmar, converso com Deus, ouço minhas músicas, dou meus gritos, choro, mas consigo me puxar de volta pra uma coisa que eu gosto de fazer”, diz.