Moradores estão com risco de serem despejados (Carlos Nogueira/Arquivo AT) Moradores do condomínio Residencial D’Ampezzo, no Bairro Samaritá, na Área Continental de São Vicente, estão passando por problemas para conseguirem pagar as parcelas de suas residências da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). De acordo com eles, o aumento constante nos últimos anos tem sido desproporcional com seus salários, fazendo com que diversas pessoas fiquem endividadas e corram risco de serem desejadas. Moradores de Cubatão também têm sofrido com o alto valor das parcelas. O zelador do local, Luiz Carlos Gomes, de 54 anos, disse que o valor das parcelas varia para cada residência. “Tem uns aqui que pagam 600, outros que pagam R\$ 450, R\$ 800, ou até quase R\$ 1000”. Luiz também disse que há cerca de 200 apartamentos no condomínio e que algumas pessoas passam necessidades, ficando entre pagar a parcela da CDHU ou serem despejados. Além disso, o zelador questiona o destino do dinheiro. Segundo ele, há 14 anos, quando assinou o contrato, o seu saldo devedor era de R\$ 53 mil e, agora em 2024, ele deve R\$ 68 mil. Residente no condomínio há mais de uma década, Adilson Nunes Rodrigues, de 57 anos, é aposentado por invalidez, e contou que precisou realizar empréstimos no banco para conseguir pagar as parcelas. “Hoje o salário que eu estou recebendo não chega a R\$ 600 e não tenho condições de pagar. É cobrança em cima de cobrança, estou sem saber o que fazer”, desabafa. Ele diz que tentou realizar um acordo com a companhia para tentar diminuir o valor das parcelas no ano passado, mas não foi correspondido, e o dinheiro que recebe do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não é suficiente. “Minha esposa morreu e eles não fizeram nada, nem abaixaram a prestação, e eu passei a dever”. Por conta da dificuldade financeira, Adilson já tem oito parcelas atrasadas até agosto deste ano. Com isso, ele teme o despejo. “Eu me sinto muito mal. Queremos pagar as dívidas. Ninguém quer viver nessa situação, mas quando você não consegue pagar, e as coisas estão ruins, você começa a perder o sono. Já me causou até problema de diabetes”, diz. Resposta A CDHU informou que, no caso de Adilson, já existe um acordo vigente para regularização de débitos e, além disso, há nove prestações em atraso. Ele entrou em contato com a Companhia na última quarta-feira (28), por meio do canal oficial "Alô CDHU", e foi orientado a procurar o escritório regional da Baixada Santista para realizar um novo acordo ou pedir a revisão de renda. Por outro lado, a CDHU diz que o pagamento das parcelas de Luiz esá em dia, no valor de R\$ 456, e que é possível solicitar, a qualquer momento, revisão do valor da prestação, caso tenha tido diminuição de renda familiar. Sobre a variação do saldo devedor apresentada, a Companhia comunicou que anualmente ocorre a atualização da parcela, e consequentemente, do débito a ser pago, conforme previsão contratual. Pelas regras de financiamento altamente subsidiadas pela Companhia, grande parte do saldo devedor será absorvido pela CDHU na forma de subsídio. A Companhia cita que concede, a pedido da pessoa que recebe o serviço, revisão no valor das prestações com a finalidade de adequá-la à sua capacidade de pagamento, quando for constatada uma real queda de renda, mediante a apresentação de comprovante de renda de todos os participantes do contrato nas Unidades de Atendimento da CDHU. No caso da Baixada Santista, essa revisão pode ser solicitada a qualquer tempo pelos interessados pelo telefone (13) 2104-6900 ou pelo e-mail "gr-santos-atendimento@cdhu.sp.gov.br". Não há a necessidade de deslocamento das famílias para a Regional de Santos, pois o atendimento é desenvolvido de maneira não presencial.