Leonardo chegou a 200 kg e, após um trabalho de transformação, ingressou no fisiculturismo (Arquivo pessoal) Qual o tamanho da sua força de vontade? Quanto vale empenhar esforços em busca de uma transformação pessoal? Pois o fisiculturista Leonardo Machado, de 31 anos, que mora em São Vicente, é um exemplo claro de mudança: após chegar a 200 kg, ele celebra os frutos da sua nova vida, participando de torneios e disseminando seu exemplo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Sempre que alguém decide mudar de vida — quando realmente toma essa decisão —, gosto de destacar que, muitas vezes, as pessoas dizem que vão se transformar, mas não fazem as correções necessárias para que essa mudança aconteça. Essas correções são graduais e exigem esforço contínuo. Infelizmente, apenas falar não muda nada. É como diz o clichê: ‘Ações falam mais alto que palavras’, A boca pode falar, mas são as atitudes que demonstram a verdade”, afirma Leonardo. Segundo ele, o problema ficou evidente quando a saúde começou a dar sinais de alerta. “Comecei a perceber minha saúde se deteriorando de forma avassaladora, muito além do que eu já estava acostumado. Alguns exemplos: picos de pressão arterial de 27/12, com apenas 21 anos; dificuldade cada vez maior para me locomover e realizar tarefas básicas; e já não conseguia me limpar adequadamente ao ir ao banheiro. Isso sem falar que precisava de ajuda para amarrar os sapatos ou, então, tinha que colocar o pé em um lugar elevado para conseguir alcançar”, relata. Ele descreve seu modo de vida como “automático, sem vontade de continuar. Como se estivesse à deriva, alheio a tudo que a vida poderia oferecer. “Ainda assim, havia algo dentro de mim que sentia medo de morrer. Hoje sei que era uma parte minha que ainda buscava a cura”, conta. Um grito, um alerta Leonardo explica que uma tentativa de tirar a própria vida acabou se transformando em um ponto de virada. "Eu tinha 21 anos, e essa foi a fase em que alcancei meu maior peso e o maior desgosto pela vida. Quando me ajoelhei e levei uma arma à boca, tive uma experiência espiritual. Tenho uma irmã gêmea chamada Michelle, e, quando posicionei o dedo no gatilho, ouvi uma voz masculina, desconhecida, dizer o nome dela em alto e bom som: ‘Michelle!’”, descreve. “Para aqueles que acreditam em Deus, há uma explicação clara para isso. Eu tenho certeza de que foi Deus me impedindo de cometer aquele ato”, complementa Leonardo. Segundo ele, o propósito de ajudar as pessoas nasceu em 2016, quando iniciou sua transformação. “Foi a soma de todos esses acontecimentos, e o inconformismo com o que eu havia feito comigo mesmo, que me levaram a começar minha mudança”. Rede de apoio Leonardo atesta que o amparo da família e amigos foi fundamental ao longo do processo. Mas que as decisões sempre couberam a ele. “Nós nunca estamos sozinhos. Sempre há pessoas ao nosso redor que nos ajudam, mesmo que de formas sutis ou indiretas. Minha mãe e minha irmã sempre me apoiaram, estiveram ao meu lado da melhor forma que podiam. Ainda assim, a responsabilidade sempre foi minha. Foi a minha decisão que me colocou nessa jornada, e de forma alguma eu poderia culpar minha família ou esperar que eles vivessem o estilo de vida que eu escolhi para mim”. O fisiculturista tinha noção do desafio que tinha pela frente, quanto à questão da alimentação. “Eu não 'abri mão' de nada. O mais difícil foi entender que não precisava excluir tudo da minha vida ou agir como se nunca mais fosse comer algo gostoso. O verdadeiro desafio está em saber priorizar os momentos em que é necessário dizer 'não' e reduzir ao mínimo os momentos em que podemos dizer ‘sim’. Claro, algumas mudanças são essenciais, como substituir refrigerante com açúcar pelo zero, mas, no geral, é possível comer de tudo na medida certa e na frequência adequada”. As roupas e a virada O fisiculturista lembra que chegou a usar shorts tamanho 68 (ainda guarda esta peça) e camisetas tamanho 11XL, uma das quais era importada e foi um presente de um tio. "Eu tinha pouquíssimas roupas que me serviam", lembra. Quanto ao peso, ele diz que parou de se pesar quando viu 199,7 kg na balança, embora seguindo ainda o mesmo estilo de vida por alguns meses. Como comparação: hoje em dia, em uam situação normal, o peso varia entre 95kg e 105 kg. Em período d bulk, ou seja, fase de treinamento e dieta que tem como objetivo o ganho de massa muscular, chegou a ter 118 kg. Mas no palco, apresenta-se com 88 kg. Até que o fisiculturismo entrou de vez em sua vida. “Já conhecia o mundo 'maromba' de longe, pois meu irmão já treinava e, por causa dele, eu tinha algum contato com conteúdo sobre musculação. Também já acompanhava fisiculturistas como Fernando Sardinha na internet. Em 2016, quando iniciei meu projeto de transformação, estabeleci dois grandes propósitos. O primeiro era eliminar a obesidade da minha vida, controlá-la por completo e ensinar outras pessoas a fazerem o mesmo. O segundo era me tornar um fisiculturista, realizando uma transformação tão absurda que as pessoas fossem impactadas só de olhar minhas fotos. E, de fato, ambos os objetivos foram alcançados. Hoje, sou mentor em emagrecimento, ajudo pessoas a saírem dos vícios e da obesidade, e também fisiculturista”. Pilares Leonardo reforça que, dos 200 kg ao “Léo magro”, como define, foram quase sete anos. Para chegar aos palcos, oito anos. “Os pilares podem ser resumidos em: propósito (ter um motivo muito forte que te mantenha no eixo quando tudo fica difícil); obsessão e objetivo claro (nunca se deixar esquecer o motivo que te levou a começar e o objetivo final. Essa obsessão impede que você passe meses parado); ambiente (amizades, familiares, estilo de vida, lazer, além da despensa, que pode ser seu maior aliado ou seu pior inimigo): constância (trabalhar de forma organizada e consistente, mesmo que não seja no seu 100%, é o que garante resultados) e responsabilidade (assumir responsabilidade por si mesmo e por tudo que se faz é essencial)”, ensina. A rotina, de acordo com o fisiculturista, é sempre a mesma. “A única coisa que muda são os focos em pontos fracos no físico. Aí, é feita uma periodização diferente para trabalhar mais certos agrupamentos musculares e ajustar a dieta. Perto de uma competição, ela é bem restritiva; em momentos de construção de massa, a quantidade de calorias aumenta muito e a dieta se torna mais permissiva, com mais refeições livres”. Exemplo Tamanho esforço encontra eco no exemplo dado por sua trajetória. E tal situação reforça a sensação de que a escolha foi mais que válida. “Quando estava no ápice da minha depressão, eu falava em tom de brincadeira que tinha certeza de que não seria nada e nem faria a diferença na vida de ninguém. Hoje, o simples fato de eu existir dá esperança para as pessoas, e isso me trouxe a vontade de viver de novo. Hoje, eu amo a vida, amo estar vivo, e aliviar um pouco o peso do processo para essas pessoas me traz propósito de vida. É isso que me guia’, finaliza.