'Vou deixar a cidade melhor do que quando a encontrei', diz prefeito de Santos

A três meses de deixar o cargo de prefeito, depois de oito anos de governo, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) considera ter feito a maior parte de tudo o que se propôs em 2012

A três meses de deixar o cargo de prefeito, depois de oito anos de governo, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) considera ter feito a maior parte de tudo o que se propôs em 2012, quando se lançou candidato, aos 33 anos de idade. Pesquisa divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT) indica 79,1% de aprovação a seu governo. Leia, abaixo, sua avaliação do cenário político da Cidade, às vésperas de começar a campanha eleitoral.

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Após oito anos de mandato, o senhor teve uma avaliação entre ótima e boa, de 68%, segundo pesquisa IPAT divulgada ontem. Além disso, 79,1% dos santistas ouvidos aprovam a maneira como o senhor administra a Cidade. Como o senhor avalia esses índices?

É muito gratificante depois de quase oito anos de trabalho muito intenso. Procuro todos os dias fazer o melhor, tanto pela Cidade quanto pelo santista. Me sinto muito satisfeito e muito orgulhoso de ver esse índices que a pesquisa apontou. Também me deixa com ainda mais responsabilidade, porque até o final do ano ainda há muitas obras para entregar, projetos para concluir. Farei o melhor até o último minuto do dia 31 de dezembro, porque foi esse o compromisso assumido com o santista.

Há um sentimento de que o eleitor possa estar desmotivado com a política em função do desgaste do cenário nacional e que, talvez por isso e pelo risco que a pandemia ainda provoca, muitos poderão não ir votar neste ano. No entanto, 86% dos santistas disseram que vão às urnas com certeza. Que leitura o senhor faz desse índice alto?

O santista é um cidadão diferenciado, politizado, crítico, cobrador e muito apaixonado pela Cidade. Decidir o futuro da Cidade e se sentir participante dessa decisão é algo que o santista não abre mão mesmo. Embora o clima de eleição ainda não esteja quente, ele já está acompanhando e não vai deixar de participar. Não me surpreende esse número, não. O cidadão não vive no País, não vive no Estado, ele vive na Cidade, e por isso quer participar das decisões de futuro. Santos é um exemplo de cidadania. Sempre foi.

Há oito anos, quando o senhor tinha apenas 33 anos e se lançou candidato a prefeito, imaginava que governar uma cidade como Santos seria exatamente como foi? O que o surpreendeu ao longo desses anos, negativa e positivamente?

Quando a gente assume um desafio como esse, precisa estar pronto para tudo, a gente se coloca à disposição para tudo que puder acontecer...

Mas não imaginou que pegaria uma grave crise econômica e uma pandemia...

Jamais imaginei ter que tomar as decisões que eu tomei, especialmente nesta pandemia, na maior crise sanitária mundial. Quando eu imaginei assinar um decreto fechando as praias, o comércio? Sei que não havia concordância de todos, mas eram atitudes necessárias naquele momento. E enfrentamos a maior crise econômica dos últimos anos. Mas é nas maiores dificuldades que surgem as oportunidades, que te obrigam a sair da zona de conforto, pensar em soluções diferentes para problemas novos e imprevisíveis. E não falo de mim, mas da minha equipe toda, todos se dedicaram. Mar calmo não faz bom marinheiro. Eu levo comigo a experiência de ter feito um bom enfrentamento, um bom combate. E avançamos. Para o próximo prefeito, vou deixar a cidade em uma condição melhor do que a que eu encontrei.

A pesquisa também o apontou como o melhor prefeito para 35,8%.

É muito gratificante. Eu nasci e cresci aqui. Estou prefeito, mas sou santista de nascimento, de time, de coração. Fico muito feliz por ter esse reconhecimento, porque usei toda minha capacidade intelectual e física pra fazer o melhor. Mas ainda tem muito a ser feito até o final do ano. A Cidade não está pronta ainda. Tenho 41 anos agora, perdi muito cabelo nesses oito anos (risos), mas ainda posso contribuir muito com a Cidade.

Apesar de todos esses índices positivos, o senhor ainda tem o desafio de tornar seu sucessor conhecido. A pesquisa apontou que 88% dos santistas não sabem quem o senhor está apoiando.

Sim, são questões diferentes. Estamos concluindo um ciclo de trabalho e estou feliz por ter o reconhecimento do santista. Não tem maior conquista para um homem público do que poder chegar ao final do mandato com essa aprovação toda. Em relação à eleição, podemos dizer que o processo ainda não começou. Os candidatos estão se anunciando agora, a campanha começa em uma semana e a população vai ter oportunidade de conhecer cada um deles. Mais importante do que saber quem são é a população saber a história, a trajetória de cada um. Meu desejo, como santista, é que Santos possa seguir nesse caminho de desenvolvimento. A Cidade tem muitos desafios, muitas necessidades ainda.

Uma crítica que tem sido feita ao senhor é que, com tantas obras, estaria deixando o caixa da Prefeitura endividado para o próximo prefeito.

Isso já é resultado do início da disputa eleitoral. As pessoas repetem mentiras até elas virarem verdades. Vamos deixar a Cidade sem dívidas de curto prazo. Nenhum município brasileiro faz obra de infraestrutura sem tomar financiamento, e foi isso que fizemos. Disputamos verba do Governo Federal e conseguimos e entregamos. O maior prejuízo pra população seria deixar o santista sonhando mais 50 anos com as obras da entrada da Cidade. Tiramos os bons projetos do papel, como essa, o VLT, a nova Ponta da Praia, 11 policlínicas e tantas outras. Fizemos isso com verbas de financiamento e com a nova dinâmica de gestão, inovação, com a participação da iniciativa privada, através de contrapartidas. Em relação às contas da Prefeitura, todas as minhas contas foram aprovadas pelo Tribunal de Contas, faltando apenas 2019 e 2020. 

Na sua opinião, qual será o maior desafio do próximo prefeito, seja ele quem for?

Desenvolvimento econômico, com foco em geração de emprego e renda, sem dúvida nenhuma. E explorar o grande potencial da região central da Cidade. As obras da segunda fase do VLT vão começar, e acho que esse vai ser o grande marco divisor para o desenvolvimento dessa região.

E a partir de 1º de janeiro, que papel terá o ex-prefeito Paulo Alexandre Barbosa?

Vou continuar participando das coisas da Cidade como todo cidadão santista que ama Santos. Mas o cargo principal que vou assumir em 1º de janeiro é ser pai da Gabriela, do Paulo e do Guilherme, funções que deixei em segundo plano nesses oito anos.

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