Até a tarde desta segunda-feira (16), eram 25.177 arquivos (Reprodução) Quando se fala em processo, é comum que venha uma pilha de papéis à mente. Afinal, são documentos, protocolos, argumentos e decisões. Mas a realidade está mudando: segundo a Subseção de Santos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deve terminar nesta semana a digitalização de processos físicos — de papel — no Fórum da Cidade. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Até a última segunda-feira (16), eram 25.177 arquivos, e 99% das varas da Comarca já têm sistema digital. “Em pleno 2024, a gente mexer com processos físicos, volumes, seria inimaginável”, diz o presidente da OAB santista, Raphael Meirelles. A iniciativa é uma parceria da OAB local e do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-SP). Desde dezembro de 2022, digitaliza-se todo o acervo físico das varas da Cidade. Já foram 8.277.111 páginas digitalizadas, e a tarefa, que parecia impossível no início, agora está quase concluída. “No começo, quando olhamos, falamos: ‘Meu Deus, isso não vai acabar nunca’. Mas estamos acabando”, comemora. Estima-se que, em média, cerca de 150 mil pessoas serão impactadas com a digitalização dos processos, considerando que uma ação envolve, pelo menos, dois clientes, dois advogados, um juiz e um cartório. A digitalização ocorreu dentro do Fórum Central. A iniciativa leva benefícios para os advogados, clientes e o meio ambiente. “Há expectativa, até, de economizar no aluguel dos prédios. Porque, pelo que estamos observando, não é preciso ter um espaço físico tão grande, já que os processos físicos vão embora”, diz Meirelles. Ele explica que há varas com três ou quatro salas apenas para armazenar processos físicos. Há ainda, redução de custos para os advogados, que não precisam mais se deslocar para fazer despachos ou protocolos, e economia ao Poder Judiciário na compra de itens como papéis, grampeadores, clipes e tinta para impressoras. Segurança e agilidade Outro fator é a segurança de advogadas, pois a maioria dos fóruns está em locais vulneráveis. “Querendo ou não, é uma profissão de risco, porque as pessoas, muitas vezes, não entendem a nossa posição como advogados de defender os interesses de uma pessoa. Envolve muita emoção, a vida e o futuro das pessoas, que, às vezes, não ficam contentes com o resultado”, diz o presidente. Os clientes também se beneficiam da digitalização dos processos, e a principal vantagem é a agilidade. “Num processo cada vez mais rápido, quem se beneficia são o cidadão e o advogado. Tanto faz, para a Justiça, um processo demorar um ano ou dez. Eles não vivem de processos, mas o advogado, sim. E a parte envolvida no problema quer a sua resolução cada vez mais rápida”, afirma Meirelles.