Rosana Valle (PL, número 22) (Sílvio Luiz/AT) Rosana de Oliveira Valle tem 55 anos e nasceu em Santos. É jornalista profissional diplomada, escritora, membro da Academia Santista de Letras e deputada federal. Foi eleita pela primeira vez para a Câmara em 2018. Está em seu segundo mandato consecutivo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Como a sra. avalia seu desempenho no primeiro turno das eleições e como tem sido a campanha neste segundo turno? Foi uma vitória histórica: há 20 anos a Cidade não tinha segundo turno. Nós mostramos as nossas propostas. A gente tem visto que os santistas esperam por mudanças na forma de gerir a nossa Cidade em diversas áreas. Os santistas sabem que é uma Cidade com muito potencial, uma Cidade rica, mas que precisa corrigir a sua rota em muitos aspectos. Por exemplo, na área da saúde, na educação, na segurança, nas obras, na fiscalização dessas obras. Eu venci em praticamente todas as urnas em duas zonas eleitorais, em quase todas as seções, na (Zona) 272 e na 273. Agora, a gente também está focando a nossa campanha tanto na Zona Noroeste como nos Morros, mostrando para a população que essas regiões também foram esquecidas pelo Poder Público. A gente espera, nesses debates do segundo turno, ter mais condição de deixar claro para a população para o que nós viemos, com propostas reais. A sra. acredita que os votos do eleitor santista são definidos de acordo com ideologia política ou têm um caráter mais pessoal, baseado no histórico do candidato? Eu acho que têm a ver com o histórico do candidato, as propostas que ele apresenta, a leitura que o santista tem da realidade da Cidade, o que espera. Se essa gestão tivesse sido aprovada, eu não estaria aqui disputando o segundo turno. É uma decisão, sob nosso ponto de vista, não ideológica: é entre o que já está aí e o que pode ser, a esperança do que pode ser para a Cidade melhorar. Quais são as suas propostas para a educação? Entre as nossas propostas para a educação, valorizar o professor, porque, (com) o professor valorizado, o ensino melhora. Nós vamos atender também a uma queixa recorrente em todas as reuniões que a gente faz com pais de alunos, sobre inclusão. Os alunos com autismo estão sendo colocados nas salas de aula, mas sem a atenção devida. Nós vamos ampliar o número de alunos atendidos também na escola de tempo integral, ampliar e dar qualidade. Nós iremos inserir aulas de reforço, Português, Matemática. A gente vai também municipalizar os anos finais do Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano. E fazer, realmente, funcionarem 100% das escolas em tempo integral. Hoje, a Prefeitura diz que tem 75%. O MEC (Ministério da Educação) atesta que são 49% dos alunos, só, em tempo integral. Se eleita, qual será o seu primeiro ato como prefeita em 2025? A gente vai fazer uma gestão anticorrupção. Nós vamos fiscalizar, vamos auditar os contratos do Município, vamos fazer a gestão ser eficiente. Vamos instalar não uma gestão para a próxima eleição, mas uma governança, que é a tendência, hoje, das empresas. Vamos fazer a transformação digital que a Cidade precisa. Isso vai diminuir muito o desperdício de recursos, fazer com que os sistemas estejam interligados. Qual suas propostas na saúde? Fazer com que os sistemas estejam interligados até na área da saúde. Muitas vezes, os pacientes reclamam da espera, por exemplo, na unidade de saúde. Espera para fazer exame, por uma internação para uma cirurgia eletiva. A gente não tem ideia das filas, mas as pessoas contam para a gente: chegam a esperar dois anos e meio, três anos para uma cirurgia, por exemplo, no joelho. Uma cidade que tem R\$ 1 bilhão para serem gastos com a saúde não era para viver essa realidade, porque 66% dos santistas possuem planos de saúde. Nós entendemos que temos que instalar a telemedicina para especialidades nas UBS (unidades básicas). Na sua avaliação, qual deve ser o papel de Santos para viabilizar, na prática, a metropolização da Baixada Santista? O papel de Santos é liderar a região da Baixada Santista, é a cidade mais importante. O gestor de Santos precisa ser um líder regional. Muitos dos nossos problemas precisam ser resolvidos de forma metropolitana. A destinação do lixo, as enchentes. A gente tem exemplos de que só fazer uma intervenção na entrada da Cidade, como aquela estação elevatória que foi entregue, levou o problema da água para São Vicente. Eu tenho esse canal aberto com o governador (Tarcísio de Freitas, Republicanos) para que a gente resolva de forma regional muitos dos nossos problemas. Na área da mobilidade, na saúde, quais serviços de referência em cada cidade a gente pode coordenar. Santos tem uma das maiores frotas de veículos por habitante. Qual a sua proposta para melhorar a mobilidade na Cidade e agilizar deslocamento entre bairros? A gente tem, primeiro, que incentivar o transporte público, só que não vamos conseguir se não houver uma reorganização das nossas linhas de ônibus. Integrando o transporte pelos ônibus com o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e com as ciclovias também. Vamos colocar realmente os semáforos inteligentes, pôr sensores no chão. Vamos empregar dinheiro na educação no trânsito porque, hoje, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) tem mais caráter punitivo do que educativo. Qual a sua proposta para fomentar empregos para os mais jovens e para quem passou dos 50 anos e, muitas vezes, tem dificuldade para recolocação? Vamos fazer com que as empresas do Porto participem mais das políticas de geração de empregos, da gestão do Parque Tecnológico. Ali, elas vão encontrar um meio de qualificar a nossa mão de obra. Com relação aos empreendedores, nós temos 43 mil MEIs (individuais). A gente precisa fazer com que eles participem também do dia a dia da Cidade, oferecendo oportunidades para que eles exponham os seus produtos. A gente está estudando uma forma de promover uma linha de crédito específica para melhorar o negócio e que eles possam fazer pequenos serviços na Cidade. Como lidar com pessoas em situação de rua e usuários de drogas? A (atual) Administração vai gastar R\$ 9 milhões em um programa (estadual) que traz presidiários de outros municípios para trabalharem aqui. E à nossa população de rua, que está aqui em situação vulnerável, o dinheiro gasto não chegou a R\$ 900 mil. A gente tem que intensificar a fiscalização para não permitir que pessoas de outros municípios sejam despejadas aqui de forma clandestina de madrugada. Precisa manter fiscalização permanente com ajuda da Polícia Militar, com a Guarda Municipal, com as câmeras de monitoramento. A Guarda Municipal precisa, sim, estar presente nessa busca ativa, porque pode e deve identificar, no meio dessa população, quem é bandido. Precisa ser levado para a cadeia. Outro passo: oferecer um protocolo para as igrejas, para as ONGs, e fazer convênio. Por que o santista deve votar na sra. neste segundo turno? O eleitor deve acreditar que nós temos o melhor plano de trabalho para nossa Cidade melhorar. Eu espero que a população dê uma chance para a gente. Estou convocando pessoas que me conhecem, que sabem da minha seriedade e do meu trabalho, para que apostem numa nova forma de fazer a gestão da nossa Cidade.