O último encontro do grupo, seus fundadores e parte da comunidade atendida ocorreu neste sábado (28) no Sindicato dos Petroleiros, em Santos (Arminda Augusto/AT) Fundado em junho de 2000, quando o combate às hepatites virais ainda era precário no Brasil e quase nada se sabia sobre a hepatite C, o Grupo Esperança foi o ponto de partida para que pacientes e seus familiares tivessem acesso não só a informações sobre a doença, como medicamentos e acesso a tratamento pela rede pública. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Atualmente, com os controles preventivos implantados e medicamentos acessíveis a todos os pacientes, o Grupo Esperança encerra suas atividades. O último encontro do grupo, seus fundadores e parte da comunidade atendida ocorreu neste sábado (28) no Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro), com uma solenidade festiva e uma carreata pela Avenida Conselheiro Nébias. “A missão está cumprida. Vamos virar essa página”, disse o aposentado Jeová Fragoso, presidente do Grupo Esperança e um dos fundadores, há 24 anos. O Grupo Esperança foi criado em resposta à falta de informação e assistência que havia no final da década de 1990 em relação aos pacientes acometidos pela hepatite C, naquela época ainda sem tratamento pela rede pública. Assintomática, era comum a transmissão do vírus em pacientes que precisavam de transfusão de sangue e até em hemodiálise. Jeová lembrou dos primeiros passos dados no sentido de diagnosticar o maior número de pacientes possível, já que os testes sorológicos, caros, eram limitados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse momento, o envolvimento do médico infectologista Evaldo Stanislau foi fundamental, lembrou o presidente do grupo. “Não fosse ele, não teríamos vencido todos os obstáculos”, disse. Em sua fala, Stanislau lembrou do apoio de vereadores em Santos, deputados estaduais e representantes do Ministério da Saúde para criar leis que ampliassem os direitos dos pacientes, e também de campanhas de esclarecimento sobre a doença. Referência Ao longo dos anos, o Grupo Esperança tornou-se uma referência em informação científica e modelos de legislações destinadas a essa causa. Jeová lembrou de parte das conquistas que nasceram em Santos: criação do Programa Municipal de Prevenção e Tratamento da Hepatite C (2003, do então vereador Fausto Lopes), obrigação de esterilização de aparelhos e instrumentos usados em barbearias, salões de beleza e outros locais onde pode haver transmissão do vírus da hepatite C (2005, da vereadora Sueli Morgado), entre outros. Vitória da ciência Evaldo Stanislau lembrou da restrição que havia para o uso do Interferon Peguilado, único disponível para o tratamento no início dos anos 2000. “Muitos pacientes não podiam usar pelo alto teor de toxicidade, mas não havia outros. Hoje, temos medicamentos de ponta, e acessíveis a todos. Devemos isso à Ciência e aos esforço de tanta gente que se juntou a essa jornada. E se fizemos isso com a hepatite C, é possível fazer com outras doenças”, disse. O Grupo Esperança deixará de existir, mas Jeová Fragoso destacou que a ação de seus integrantes segue: “Agora, temos informação e consciência para seguirmos conscientizando enquanto cidadãos. É isso que nos cabe a partir de agora”.