Samba é um marco tradicional em Santos, seja no Carnaval ou pelas ruas (Alexsander Ferraz/AT) O samba santista segue vivo como manifestação, seja nas quadras, nos bares ou casas de shows, avalia o cantor e compositor Rubens Gordinho, que começou sua vida no samba das ruas do bairro Macuco e na quadra X-9. “Sou um cara que é fruto da escola de samba”. Para ele, a identidade cultural de Santos se apoia em dois fenômenos: samba e futebol. Com esse espírito, a Cidade celebra hoje o Dia Nacional do Samba. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para enfatizar a força entre futebol e Carnaval na Cidade, Rubens afirma que, há algumas décadas, quem não era do samba, era do futebol. “Esse movimento proporcionava a sensação de pertencimento nos bairros portuários”. O jornalista Eduardo Silva, ex-editor-chefe da TV Tribuna, reforça que a ligação entre samba e futebol é histórica. “Aqui temos a Sangue Jovem, em São Paulo, as escolas de samba das torcidas foram para o Carnaval. No Rio, apesar de não ser tradicional, pela primeira vez um clube, o Botafogo, terá uma escola de samba”. Eduardo crê que a entradas do samba nas rádios foi primordial para consolidar o Carnaval santista. “A partir das transmissões, (o samba) foi ganhando outras opções”. Dentro do futebol e do samba Alberto Francisco Oliveira, o Alemão, também referenda que samba e Carnaval sempre caminham juntos. Com três casas de samba criadas na Baixada Santista, Alemão investiu no samba como negócio na década de 1990, após ter passado quase três décadas em torcidas organizadas do Santos. Atualmente, seu estabelecimento localizado em frente ao Estádio Urbano Caldeira, na Vila Belmiro, promove esporadicamente eventos ligados ao samba. Samba como identidade Rubens Gordinho acredita que o samba santista é um celeiro de artistas e responsável por expandir a cultura da Cidade pelo País. Com o crescimento do Carnaval de São Paulo, muitos profissionais da região foram convidados para integrar as escolas de samba paulistanas. Alvorada Para festejar a data, a comunidade sambista realiza hoje, às 6 horas, a 61ª edição da Alvorada do Samba de Santos. Como de costume, o evento será no pátio CET-Santos (Rangel Pestana, 126, Vila Mathias). O local tem um significado histórico: lá, um dia, foi o Quilombo do Pai Felipe, o Rei Batuqueiro, considerado o pioneiro do samba no Litoral Paulista. A programação conta com queima de fogos, toque de clarim e 21 batidas no surdo. Participam a Corte Carnavalesca de 2024, os casais de mestre-sala e porta-bandeira das escolas de samba e autoridades. Também haverá homenagens a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do samba santista. Em sua avaliação, isso ocorre em parte pela singularidade do próprio samba santista. “O samba de Santos é mais parecido com o do Rio de Janeiro, justamente por ser uma manifestação urbana, ou seja, que nasceu na cidade”. O coreógrafo João Carlos Miranda, de 76 anos, concorda. Integrante da Velha Guarda da X-9, Miranda reforça que o samba santista se destacou durante o período em que a Família Guinle administrou o Porto, época em que ‘importava’ trabalhadores cariocas. Resultado: deu samba em Santos. “Íamos para as ruas fazendo barulho, de bermuda e descalços, parando nos bares e no comércio da Cidade. Era o segundo maior Carnaval do Brasil, trazíamos do Rio de Janeiro os maiores artistas daquela época”, relembra. Manifestações hoje Além dos blocos de rua, coordenados pela Secretaria de Cultura como parte da programação oficial, as rodas de samba promovidas pelo Ouro Verde, em sua sede no Marapé (Rua Nove de Julho, 41) e pela Esquerdantina (realizada uma vez por mês, ao ar livre, na Rua XV de Novembro) são duas manifestações do samba da Cidade. Para Douglas Martins, da Esquerdantina, as rodas de samba fazem parte da evolução da sociedade de Santos, com uma história própria. A produção do samba até meados das décadas de 1970 e 1980 era dominada por gravadoras monopolistas e tinha um viés de comercialização, ele explica. Aos poucos, surgiu um movimento de resistência. “Nasceu um samba ligado à periferia, o samba que denunciava e que gravava sobre a vida da comunidade. Santos foi na mesma lógica, produzindo samba com linguagem própria, incorporando outros gêneros. E isso é bom”. Ele enfatiza que a função do grupo é expressar a presença preta no modo de cantar, compor e traduzir ritmicamente a fala do movimento. “A Esquerdantina carrega a referência do samba manifesto. Somos um movimento cultural e político”. Reportagem feita como parte do projeto Laboratório de Notícias A Tribuna - UniSantos sob supervisão da professora Lidiane Diniz e do diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes