É possível manter valores como estão durante semanas, dizem feirantes, sobre efeitos do clima no custo (Vanessa Rodrigues/AT) Os dias de tempo seco e com queimadas, especialmente no Interior de São Paulo, ainda não tiveram consequências negativas na feira livre, como o aumento dos preços de frutas e legumes. Porém, tanto feirantes quanto consumidores ouvidos por A Tribuna não descartam a possibilidade de que isso aconteça em questão de semanas. A Reportagem esteve ontem de manhã na feira montada na Rua Frei Francisco Sampaio, na Aparecida, em Santos. Em uma das barracas de legumes e verduras, o feirante Edivânio Ribeiro, com 20 anos de experiência — e, na memória, várias oscilações de preço —, acredita que o preço da cebola, por exemplo, deve subir daqui a duas semanas. “Por enquanto, dá para levar do jeito que está.” Na barraca ao lado, o comerciante de frutas Marcos Antonio Abreu de Nascimento projetava um possível reajuste de preços decorrente da estiagem no Interior do Estado, mas para dentro de dois meses. “Quando tiver uma nova safra, devemos ter algum efeito. Com o que tenho hoje, consigo manter o preço (R\$ 10,00 o quilo).” Outro feirante do ramo de hortifrúti, Ivanildo Jesus Santana, espera que não haja necessidade de aumentar os preços — embora, para ele, o vilão seja outro. “O tomate só não fica mais barato por causa do frete. É a principal despesa. Um frete de Goiás é de R\$ 30,00 por caixa, por exemplo. O maior custo é esse.” Consumidores Do outro lado da barraca, consumidores torcem para que os preços não subam muito. A costureira aposentada Perpétua Rosa, de 75 anos, conta que fazia tempo que não ia à feira. E a surpresa não lhe foi boa. “O problema maior está nas frutas. Tem bastante variedade, mas os preços... Tem o tomate também; muitos já não estão com a qualidade ideal, e, por isso, é preciso escolher bem. Você gasta um tempo a mais para escolher, mas é algo que compensa”, conta. Enquanto isso, o auxiliar administrativo aposentado Élcio Samagaia, de 61 anos, reconhece o efeito negativo dos tempos de estiagem e secura nas plantações e nos possíveis efeitos nos preços futuros, não só para o consumidor, mas toda a cadeia produtiva. “Pode atrapalhar a própria lavoura. Resta torcer para que essa situação pare, Pois é um sofrimento para quem planta e colhe, quem vende e para quem comprar, porque não vai ter um preço tão acessível.”