Embarcação tombou na noite de sexta-feira (13) no Parque Valongo, em Santos (Alexsander Ferraz/ AT) Criador do Museu do Porto, o engenheiro Antônio Carlos da Mata Barreto trabalhou por 50 anos na Autoridade Portuária de Santos (APS). Voluntário no projeto de restauração do navio oceanográfico Professor W. Besnard, que tombou na noite de sexta-feira (13), ele vive uma dualidade de sentimentos: a tristeza de ver um “filho”, como considera a embarcação, deitado ao lado do Parque Valongo em Santos, e a esperança de que o ocorrido possa acelerar a recuperação do navio, um sonho acalentado há alguns anos. E um aceno para isso já estava desenhado, com uma apresentação a empresários marcada para o dia 23, que está mantida. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Estamos vivendo um momento como se estivéssemos indo para uma festa e, no meio do caminho, acontecesse um acidente. Nós estávamos costurando para fazer um barulhão em cima do navio e trazer as empresas do Porto para nos ajudar na concretização desse restauro”, relata. Ele conta que, meia hora antes de tomar conhecimento do tombamento do Professor W. Besnard, estava em reunião com dois presidentes de empresas portuárias quando foi pego de surpresa. “Já conversamos com a direção da APS e mais algumas empresas do Porto e está todo mundo envolvido. O que ocorreu tem esse lado positivo, porque agora está todo mundo interessado em ajudar”, agradece Barreto. Escotilhas Em linhas gerais, o engenheiro define que o navio está “deitado” junto ao cais devido ao excesso de água acumulada na embarcação histórica. “A nossa preocupação sempre foi não deixar o navio adernar. E era através de prumo, tem tudo montado dentro do navio, nós montamos um esquema, bombeava, tirava a água e o navio voltava à normalidade. Estava programado para, assim que o tempo melhorasse, fizéssemos o bombeamento, que seria no sábado. Por azar, há algumas aberturas junto ao casco, roubaram as escotilhas, roubaram algumas coisas, e ela ficava a 20, 30 centímetros da linha d’água”, aponta. A solução, segundo ele, passa pelo fechamento definitivo das escotilhas por meio de solda, a ser feita com a ajuda de mergulhadores, para então retirar a água, com uso de bombas potentes de sucção. “O mergulhador vai ali e, em uma semana, fecha aqueles buracos. Você entra com uma bomba potente, tira a água e ele obviamente vai flutuar novamente”, planeja Barreto. “Se a gente tiver essas empresas que estão se comprometendo a nos ajudar, isso é muito rápido. O resto a gente faz no local sem grandes problemas”. Sentimento O engenheiro conta que a perspectiva de sucateamento do Professor W. Besnard, há alguns anos, o engajou na preocupação em dar um novo sentido à embarcação. “A gente precisa preservar essas histórias. O navio era a grande atração do Parque Valongo. Mas a gente vai chegar lá, eu tenho fé. Isso é uma provação”, sintetiza. Navio Professor Besnard em Santos, em imagem do ano 2002 (Alberto Marques/ AT/ Arquivo)