O propósito de se criar uma associação é conseguir acesso a financiamento do BNDES para estancar o aumento da inclinação (Vanessa Rodrigues/AT) A existência de prédios tortos em Santos, apesar de ser uma atração para os turistas, é incômodo diário para os moradores dessas edificações. Tanto que, com o objetivo de, ao menos, ‘estancar’ o aumento da inclinação, um grupo de síndicos pretende se unir, para ir atrás de soluções. E esperam mobilizar os candidatos à Prefeitura para a questão. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A primeira reunião está marcada para esta terça-feira (6), a partir das 16 horas, no salão de festas do Condomínio Conjunto Tertulia (Rua Carlos Afonseca, 190, no Gonzaga). Os síndicos que quiserem participar podem entrar em contato pelo e-mail condominiotertuliaoficial@gmail.com. Pelo menos 20 representantes dos edifícios estão confirmados. De acordo com a síndica Eliana de Mello, o propósito é solicitar intermediação para conseguir financiamento para os prédios inclinados da orla. “Por se tratar de terrenos de marinha, em especial da orla, tivemos essa iniciativa, para solicitar um financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou do Banco Mundial, A intermediação seria da Prefeitura”, informa. De acordo com a síndica, a intenção não é recolocar os prédios no prumo, especialmente por conta dos altos custos de uma operação como essa. Ela especula que, para deixar os prédios totalmente estabilizados, seria algo na casa dos milhões de reais. "Vamos fazer uma associação e, com a ata da reunião, distribuir para os candidatos e ver quem pega essa bandeira”. Transtornos Eliana relata alguns transtornos da vida em um edifício fora do prumo. “A manutenção da parte hidráulica é altíssima, as prumadas (coluna vertical de encanamento que serve a todos os andares de um prédio) de água quebram constantemente, assim como a manutenção dos elevadores, uma vez que foram projetados para funcionar na vertical e não inclinados”, exemplifica. Eliana considera que é o momento dos moradores de edifícios nessa situação se fazerem ouvir. “Os prédios não pararam de inclinar. A gente precisa da colaboração do Poder Público”, relata. Sem embargo Em nota, a Prefeitura afirma que “não tem na Cidade nenhum prédio torto em situação de embargo e muito menos na cota máxima permitida”. Além disso, “analisa e monitora os edifícios com declividade, em especial os 65 mais acentuados”. Os edifícios em desaprumo estão situados entre o Canal 2 e o Canal 6, nos bairros do Gonzaga, Boqueirão, Embaré e Aparecida. Em 2019, dados da Prefeitura indicavam que os prédios entortavam 1 centímetro por ano. Prefeitura diz que “analisa e monitora os edifícios com declividade, em especial os 65 mais acentuados” Ainda de acordo com a Administração Municipal, o levantamento inicial foi efetuado dos prédios com inclinação pela Prefeitura de Santos entre os anos de 2012 e 2013. “A partir de então, as análises das medições de desaprumo e análise de sua segurança estrutural passaram a ser de responsabilidade dos condomínios, através do estabelecido na LC 441/01 (Lei Complementar), a chamada Lei de Autovistoria”. Sem comprometimento A Prefeitura informa, ainda, que as condições atuais dessas edificações “não indicam comprometimento das seguranças estruturais e das suas estabilidades. Conforme programado em 2014, novas avaliações de segurança estrutural estão sendo cobradas destes condomínios este ano”. O responsável técnico pelo laudo, engenheiro ou arquiteto legalmente habilitado (cadastrado na Prefeitura), responsável técnico, civil e criminal por suas conclusões, verifica a necessidade de obras de reparos ou de manutenção da edificação e a Prefeitura, por meio da Secretaria de Obras e Edificações (Seobe), realiza a intimação para execução das obras ou serviços indicados. “A periodicidade da apresentação dos laudos de autovistoria dos imóveis plurihabitacionais de Santos depende da idade da edificação e de sua altura”, complementa. Um já foi Único edifício da orla de Santos a passar por um processo de estabilização total, o Núncio Malzoni (Av. Bartolomeu de Gusmão, 14) tinha alicerces de só 1,5 metro de profundidade, causando a inclinação. Macacos hidráulicos foram erguendo a construção e, após 55 dias, um dos blocos estava estabilizado. ao custo de R\$ 1,5 milhão, ou R\$ 90 mil por apartamento.