[[legacy_image_192546]] Do Morro Nova Cintra para a Romênia. E na Romênia, para um trabalho que interliga todos os povos: lidar com refugiados. Se a trajetória do santista Airton Silva pudesse ser resumida em poucas palavras, essas talvez fossem as mais fiéis ao papel que ele vem desempenhando desde que saiu do Brasil, há 22 anos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Airton nasceu em Santos em 1968, terminou o Ensino Médio na Escola Estadual Cesário Bastos, no Centro, e foi estudar Teologia. Membro da Igreja Batista desde pequeno, foi convidado para fazer um treinamento em antropologia e missiologia em São José dos Campos (SP). E foi ali que sua vida como missionário começou. Em setembro de 2000, foi convidado para integrar uma equipe de missionários na Romênia, um trabalho desenvolvido por uma organização humanitária chamada Operação Mobilização Romênia (OM), que tem por objetivo prestar atendimento e acolhimento para refugiados vindos de todos os países. Irmão mais novo de uma família de nordestinos que conta com sete filhos, Airton gostou de viver na Romênia e teve a oportunidade de conhecer outros países, como a África do Sul, onde morou por dois anos. De volta à Romênia, casou-se há sete anos com Lume, uma romena que também integra a OM. Hoje, o trabalho do casal, que vive na cidade de Brasov, é lidar com as histórias e as necessidades dos refugiados ucranianos, instalados em casas de acolhimento e vindos de cidades destruídas pelo conflito com a Rússia. Mas, antes dos ucranianos, a experiência foi com ciganos discriminados e excluídos da sociedade, e castas de indianos e de outros povos que vivem à margem da civilização. HistóriasA experiência com refugiados ucranianos é diferente das demais já vividas por Airton. Acostumado a lidar com povos excluídos e marginalizados, agora o trabalho é com famílias inteiras que tinham suas vidas organizadas e estabelecidas na Ucrânia. “Semanas atrás, conhecemos uma mulher que era designer de interiores na Ucrânia, tinha uma casa linda e grande. E agora vive em um quartinho com os filhos, dependendo de ajuda. Muito difícil a situação deles”. Airton e Lume levam alimentos, produtos de higiene pessoal, roupas, medicamentos. Mais do que isso, levam conversa, acolhimento, entretenimento para as crianças, esperança. “Escutamos muitas histórias, de gente que fugiu da destruição, das bombas”. LiçõesEm 22 anos de trabalho com refugiados, qual o aprendizado que fica? “Sempre que volto para o Brasil, digo para todo mundo: tenho muita gratidão por ser brasileiro. Já viajei para vários lugares na África, Ásia, Leste Europeu, e sou muito grato de verdade. Mesmo com todos os problemas que temos, como violência e corrupção, não existe lugar melhor para viver do que o Brasil”. Sobre o sentido da vida, Airton também mudou seus conceitos. “Todos temos problemas, mas, nestes anos todos lidando com tantas histórias tristes, aprendi a não ficar olhando muito para isso e olhar mais para os outros e tentar ajudá-los. Foi para isso que nasci. Essa é a minha missão. Não tenho pretensão de ser rico, apenas viver com o suficiente. Coloco a cabeça no travesseiro e penso: estou fazendo a minha parte neste planeta”. Airton possui seus canais para quem quiser acompanhá-lo: Airton Silva no Mundo (YouTube) e @airtonsilvanomundo (Instagram).