Promovido no auditório do Grupo Tribuna, em parceria com Prefeitura de Santos, Governo do Estado e BTP, fórum reuniu especialistas (Alexsander Ferraz/AT) A formação de profissionais em um cenário cada vez mais impactado pela tecnologia, a necessidade de qualificação contínua e o risco de aprofundamento das desigualdades estiveram no centro dos debates do terceiro Fórum Santos 500+, realizado nesta segunda-feira (23), no auditório do Grupo Tribuna. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com foco no futuro do trabalho e na preparação de jovens e trabalhadores para novas demandas do mercado, o encontro reuniu especialistas das áreas de educação, inovação, setor produtivo e gestão pública. Eles convergiram em um diagnóstico: o País ainda enfrenta dificuldades para alinhar a formação profissional às exigências atuais. O diretor do Núcleo de Inovação, Inteligência Artificial e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, Hugo Tadeu, afirmou que o debate sobre o futuro do trabalho passa por entraves históricos do Brasil. Segundo ele, a baixa competitividade, a dificuldade de transformar conhecimento em prática e a distância entre universidades e empresas ainda são obstáculos relevantes. “Não adianta falar de inteligência artificial se não tivermos conhecimento de base e formação adequada”, disse. Para ele, o problema não está na tecnologia, mas na falta de qualificação, que impacta diretamente a capacidade de inovação, produtividade e crescimento econômico. Problema não é tecnologia, mas falta de qualificação, que tem impactos negativos, considera Hugo Tadeu (Alexsander Ferraz/AT) Tadeu também destacou que o Brasil ainda forma poucos profissionais em áreas estratégicas, como engenharia e tecnologia, o que limita o avanço em setores essenciais para o desenvolvimento. O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Felipe Chiarello, destacou a mudança no comportamento dos estudantes e a necessidade de um ensino mais conectado à realidade do mercado. “Se o estudante não entender que aquilo faz sentido, ele não vai vivenciar a universidade”, afirmou. Segundo ele, a escolha profissional está cada vez mais ligada à percepção de empregabilidade e à expectativa de retorno, o que afeta cursos tradicionais. Chiarello também defendeu que o ensino precisa ir além do conteúdo técnico. “A gente quer conviver com gente boa, que tem um coração bom. Isso também é uma habilidade essencial.” A presidente do Semesp (sindicato das instituições de Ensino Superior) e membro do Conselho Superior de Educação da Fiesp, Lúcia Teixeira, reforçou que o desafio não é só formar profissionais, mas desenvolver competências que acompanhem as transformações do mercado. “No Brasil, apenas 20% dos jovens de 18 a 24 anos chegam à universidade”. E, ao longo da carreira, profissionais terão de mudar de área e se atualizar. De um lado, qualificação. De outro, necessidade de ler o mercado (Alexsander Ferraz/AT) Lúcia também destacou que habilidades humanas tendem a ganhar relevância e que a capacidade de trabalhar em equipe, se comunicar e lidar com problemas complexos será cada vez mais exigida. O presidente da Fundação Parque Tecnológico de Santos, Eduardo Bittencourt, destacou a dificuldade de conexão entre quem produz conhecimento e o mercado. “Se a gente não tiver esse papel de articulação, o conhecimento se perde no caminho”. Segundo ele, projetos nas universidades não são aplicados por falta de estrutura, investimento e integração com o setor produtivo. Bittencourt também chamou atenção para a velocidade das mudanças no mercado de trabalho e o surgimento de novas profissões, muitas em consolidação, o que exige dos profissionais capacidade constante de adaptação. “É um setor pujante, em expansão, mas se a gente não tiver uma mão de obra preparada, isso pode ser um problema”, diz Joel Contente, diretor administrativo da BTP (Alexsander Ferraz/AT) Setor produtivo reforça demanda A necessidade de alinhar a formação profissional às demandas reais do mercado foi reforçada por representantes do setor produtivo, especialmente diante das transformações tecnológicas e da crescente exigência por profissionais mais qualificados. Diretor administrativo da Brasil Terminal Portuário (BTP), Joel Contente destacou que o crescimento do setor portuário não tem sido acompanhado pela qualificação da mão de obra disponível. “É um setor pujante, em expansão, mas, se a gente não tiver uma mão de obra preparada, isso pode ser um problema”, afirmou. Segundo ele, o cenário atual mostra um descompasso entre o que se ensina em faculdades e o que é exigido pelas empresas no dia a dia. “A gente percebe que os cursos não acompanham a velocidade do setor”, disse. “No Brasil, apenas 20% dos jovens de 18 a 24 anos chegam à universidade”, diz Lúcia Teixeira, presidente do Semesp (sindicato das instituições de Ensino Superior) e membro do Conselho Superior de Educação da Fiesp (Alexsander Ferraz/AT) Contente ressaltou que as mudanças tecnológicas vêm alterando o perfil demandado, exigindo formação técnica e competências ligadas a análise, interpretação de dados e capacidade de tomada de decisão. “Falta um pouquinho de competências, que a gente vê, de análise de dados, trabalhar com questões de tomada de decisão”, afirmou. O secretário de Assuntos Portuários e Emprego de Santos, Bruno Orlandi, reforçou que esse descompasso está diretamente ligado à falta de leitura do mercado de trabalho e das oportunidades que surgem a partir dele. “Se o estudante não entender que aquilo faz sentido, ele não vai vivenciar a universidade”, diz Felipe Chiarello, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie (Alexsander Ferraz/AT) Segundo ele, há áreas com alta demanda e boa remuneração que ainda enfrentam escassez de profissionais qualificados. “Eu tenho um déficit muito grande de eletricista de contêiner reefer. Esse profissional ganha até R\$ 12 mil por mês, e a gente não tem mão de obra suficiente para cobrir essa demanda.” Para Orlandi, o desafio passa por entender as necessidades reais do mercado e direcionar melhor a formação profissional. “Se a gente não tiver esse papel de articulação, o conhecimento se perde no caminho”, diz Eduardo Bittencourt, presidente da Fundação Parque Tecnológico de Santos (Alexsander Ferraz/AT) Ensino Técnico dá resposta rápida A importância do Ensino Técnico como ferramenta para ampliar a empregabilidade e reduzir o distanciamento entre formação e mercado também foi destacada no encontro, especialmente diante da necessidade de respostas mais rápidas às demandas da economia. O presidente do Centro Paula Souza, Clóvis Dias, disse que a educação tem de estar alinhada às necessidades reais das empresas e do setor produtivo. Segundo ele, o planejamento da formação profissional deve ser feito com base em dados concretos. “Fazer futurologia é muito complicado.” “Ame aquilo que você faz. Eu não tenho dúvida nenhuma que, independente daquilo que você escolher, você vai conquistar”, diz Bruno Orlandi, Secretário de Assuntos Portuários e Emprego de Santos (Alexsander Ferraz/AT) Dias chamou atenção para a responsabilidade individual no processo de formação, destacando que o acesso às oportunidades precisa ser acompanhado de iniciativa por parte dos estudantes. O secretário Bruno Orlandi defendeu que o processo de formação passa por qualificação técnica, oportunidade e direcionamento, especialmente aos jovens que ainda estão escolhendo suas carreiras. Ele citou exemplos de iniciativas voltadas à capacitação profissional e inserção no mercado, destacando casos em que jovens saem formados diretamente para o emprego. Ao abordar o desenvolvimento profissional, Orlandi reforçou a importância do envolvimento pessoal nas escolhas de carreira. “Ame aquilo que você faz. Eu não tenho dúvida nenhuma de que, independente daquilo que você escolher, você vai conquistar.” “Nós temos empresas precisando de mão de obra qualificada”, diz Clóvis Dias, presidente do Centro Paula Souza (Alexsander Ferraz/AT)