[[legacy_image_191389]] Meno Gonçalves era dessas pessoas que subvertem padrões e, com dose extra de talento, fazem dessa subversão algo a ser copiado. Foi assim com seus inesquecíveis bares, que marcaram a noite santista, transformando a saída para uma cerveja em uma experiência. Muito antes da onda gastronômica, Meno oferecia cardápios cheios de novidades, mas sem raio gourmetizador, como ele mesmo me disse várias vezes. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Quando abriu o Bar do Meno, no Canal 3, em pouco tempo o transformou em ponto de encontro obrigatório para quem quisesse comer bem. O local ficou tão indispensável que logo lhe ofereceram uma proposta irrecusável e ele vendeu a casa e o nome. Não demorou nada para se arrepender. Claro, era sua criação. Mas, como tinha uma mente veloz e cheia de ideias, abriu outro bar badaladíssimo, o White & Red, no Canal 5, que servia drinques bacanas e tinha um ambiente mais descolado, antecipando o que é moda hoje, décadas depois. Porém, o meu preferido foi o Mesa Redonda, bem ao lado da (antes) sua Casa do Meno. Logo na entrada, os clientes já ficavam impressionados com uma mesa chamativa, redonda óbvio, coberta de antepastos. Ao centro, a todo momento, viam-se chamas, com o fogo flambando linguiças portuguesas em cachaça com alecrim. Aquilo era um show e, ainda, uma maravilha de se comer. LEIA TAMBÉM: Empresário da gastronomia, Meno Gonçalves morre em Santos Inventou a noite mística, para movimentar dias de pouco movimento. Leitura de mão, tarô, numerologia eram oferecidos gratuitamente aos clientes, que passaram a lotar a casa até mesmo em uma terça. Recebia atores que estavam na cidade, que batiam papo com os clientes, como em uma mesa redonda, movimentando também a cena cultural. Sabia oferecer experiência acompanhada de boa gastronomia. Ele próprio era um anfitrião, daqueles à moda antiga, que sentava na mesa dos clientes para uma conversa. Seus bares eram enfáticos como sua personalidade. Seu último balcão, o Meno Chopp, em 2015, foi um sucesso. Afinal tinha sua assinatura, um selo da qualidade. Mas foi rápido, porque ele próprio se viu sem vontade de continuar. Meno Gonçalves nos deixa com sabor de nostalgia. Um brinde a este mestre dos bares.