[[legacy_image_196648]] A coleta seletiva, feita para separar o lixo comum do reciclável, tem causado dores de cabeça a moradores de Santos. Isso porque catadores acabam abrindo o material acomodado para recolher recicláveis - que podem ser vendidos - antes de o caminhão da Prefeitura passar e recolher os resíduos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! "Eu já tentei de tudo, até deixar os sacos de lixo reciclável sem amarrar, para que não precisem rasgar ou destruir a embalagem, mas muitos deles espalham tudo, normalmente procurando latinhas ou vidro. Tem uns que arrumam depois de pegar o que querem, mas não são todos", diz Cecília, de 64 anos, aposentada e moradora do Bairro Boqueirão. "O caminhão passa aqui toda segunda-feira. Cuidamos de separar tudo por uma semana, deixar na calçada, e remexem tudo. Vêm com carrinhos e até de carro. Há um tempo, era um caminhão grande que passava recolhendo. Não vejo problemas em pegarem, já que para nós tanto faz quem leve o lixo. Mas, problema é que fica tudo aberto e espalhado. Às vezes, o caminhão da Prefeitura não leva uma parte, e até entendo, pois não é obrigação deles juntar tudo", completa. Separar o lixo é uma obrigação para o cidadão santista pela Lei Municipal 952 que prevê notificação e multa para quem não cumpre. Em nota, a Prefeitura de Santos disse que "os resíduos deixados na porta das residências acabam atraindo catadores, que buscam os recicláveis. Havendo a correta segregação, não haverá recicláveis no lixo orgânico, desestimulando essa prática. A Administração Municipal orienta que os resíduos devem ser colocados uma hora antes da coleta, seja ela a normal ou a destinada aos recicláveis, o que também evita problemas com a chuva". [[legacy_image_196649]] Um estudante de Marketing, de 24 anos, que mora no Bairro Aparecida e prefere não se identificar, explica que mesmo que o lixo não esteja na rua, pode ser problema. "Aqui temos um lugar dentro do prédio lá no térreo, onde deixamos o lixo reciclável, e outro onde colocamos o orgânico. O funcionário coloca na rua somente no dia em que passa o lixeiro", diz. O jovem separa o lixo reciclável porque tem consciência ecológica: "Muita coisa é reaproveitável, e precisamos cuidar do nosso planeta. Quanto mais reciclarmos, melhor para todos". Para ele, há também uma questão cultural. "Tem pessoas que são do meu prédio e que já ví levarem o lixo e ficarem retirando coisas do reciclável, como tampas plásticas e latinhas. Abrem até sacos para procurar", explica. OrientaçãoA Prefeitura de Santos mantém junto aos condomínios, desde 2017, o programa Condomínio Sustentável, em parceria com a Estação Cidadania. O projeto visitou, segundo a Administração Municipal, cerca de 2 mil condomínios desde sua implantação. A ideia é melhorar a reciclagem nos condomínios, levando ainda noções de compostagem e uso racional de água e energia elétrica. Após três meses da visita, a equipe do projeto retorna aos condomínios para avaliar as ações adotadas e sugerir correções. Destino do lixoO resíduo reciclável recolhido em Santos é enviado para cooperativa de catadores. No local, o material é triado e compactado para revenda. O valor aferido é distribuído entre os cooperados.