Segundo a pesquisa, a faixa de 50 a 64 anos lidera a estatística dos devedores, com 23,94% do total (Matheus Tagé/ AT) Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), junto com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), indica que a inadimplência no País atinge quatro em cada dez brasileiros. Em Santos, houve queda de 0,66% em maio, em comparação com o mês anterior. No acumulado de 12 meses, até maio, a diminuição foi ainda maior: 7,14%. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a pesquisa, em maio, cada consumidor santista negativado devia em média R\$ 5.897,27. Para o presidente da Câmara dos Diretores Lojistas (CDL Santos-Praia), Nicolau Obeidi, a queda da inadimplência em Santos tem a ver com o nível de conscientização do uso do crédito. “A Cidade tem um poder aquisitivo maior e uma educação financeira melhor, com influência das pessoas que vêm de São Paulo. Isso explica essa condição”, acredita. Segundo a pesquisa, a faixa de 50 a 64 anos lidera a estatística dos devedores, com 23,94% do total. Por gênero, a divisão é de 52,47% para mulheres e 47,53% para homens. Obeidi entende que o grupo de inadimplentes dessa faixa etária é formado, principalmente, por consumidores que, em algum momento, perderam o controle das contas sem a intenção de dar calote. “Há muitos jovens que, sem controle do crédito que possuem, fazem contas e não pagam, porque não cabe no orçamento. Compram um aparelho de telefone, parcelam em dez vezes e, na sétima, resolvem comprar outro ou simplesmente param de pagar”, afirma. O professor de Economia Regional e Urbana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Paulo de Sá Porto, diz que a porcentagem dos idosos que procuram crédito é proporcionalmente maior devido à possibilidade de usar aposentadoria como garantia. “Isso diminui a renda mensal dele. Hoje, os filhos mais novos ou mesmo netos até pedem que o avô consiga fazer um empréstimo consignado no seu nome”, afirma. Conforme a pesquisa, o tempo médio de atraso dos devedores é de 27,4 meses (dois anos e três meses), sendo que 41,48% dos devedores estão inadimplentes de um a três anos. O setor que teve mais dívidas em maio em Santos foi o de bancos (81,92%) do total, seguido por outros (7,25%), água e luz (4,05%), comunicação (3,96%) e comércio (2,66%). “Está havendo uma queda no faturamento. A gente percebe uma situação que os bens de primeira necessidade são prioridade. A lista é liderada pela alimentação, seguida de remédio e aluguéis. O supérfluo fica em último lugar”, define o presidente do CDL Santos-Praia. Especialista diz que é importante investir em educação financeira (Unsplash) Onda de calote O professor de Economia Regional e Urbana da Unifesp, Paulo de Sá Porto lembra que, a partir da década de 2010, por conta do crescimento baixo, o desemprego também aumentou. Assim, muita gente começou a ficar inadimplente, com dificuldade de pagar as contas mais ainda. “No início dos 2020, com a pandemia, a situação piorou mais ainda, porque com a economia fechada, com o problema da saúde, a inflação voltou mais alta ainda e os bens ficaram mais caros”. Ele aponta alguns caminhos para fugir do risco da inadimplência. O primeiro passo, segundo ele, é a renegociação. “O Serasa e as empresas têm oferecido mais possibilidade de renegociar. Mas as pessoas têm que aceitar um aumento da porcentagem da renda que vai estar comprometida para pagar empréstimo. Isso significa aperto nos outros gastos”. Para ele, o segundo ponto é investir na educação financeira. “Sei que não é fácil, mas as pessoas precisam buscar isso, com os consultores, nas universidades, para aprender melhor a lidar com o controle financeiro e passar isso para os mais jovens, porque senão eles serão os endividados do futuro”.