A pedra inicial foi lançada nesta sexta-feira (14). O local do empreendimento tem área total superior a 15 mil metros quadrados (Sílvio Luiz/ AT) A Zona Noroeste de Santos irá receber um conjunto de obras reunindo um hospital pediátrico, escola de Educação Infantil, uma quadra poliesportiva e um campo de futebol. Será o futuro Complexo da Areia Branca, cuja pedra inicial foi lançada na manhã desta sexta-feira (14). O empreendimento fica na esquina da Rua César Augusto de Castro Rios com a Avenida Manoel Ferramenta Júnior, numa área total superior a 15 mil metros quadrados. O investimento será de R\$ 85 milhões. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A obra ficará a cargo de três empresas portuárias: Ultracargo, Vopak Brasil e Granel Química. Em troca, elas recebem do Município um terreno referente à Via A, área que já foi utilizada para desvios ferroviários e hoje está sem utilidade pela Administração Municipal. Ali, será construído um ramal ferroviário, que deve provocar a retirada de 250 caminhões, por dia, do Bairro Alemoa. “A gente enfrenta os desafios, sabe dos problemas. Estamos inovando com as leis que permitem essas contrapartidas e estratégias de planejamento total da Cidade. Teremos aqui um projeto social maravilhoso, com equipamentos na área de educação, um hospital de primeira e, ao mesmo tempo, ajudando a resolver um problema histórico da Alemoa Industrial, do intenso tráfego de caminhões”, afirma o prefeito Rogério Santos (Republicanos). Segundo ele, o prazo para entrega é de um ano e meio. “A gente acredita que, quanto mais rapidamente conseguir entregar, equipar, buscar a gestão desse hospital, e da escola, melhor, porque as necessidades da população são grandes”, acrescenta. Hospital O projeto do Complexo Hospitalar Pediátrico e seus acessos preveem uma área total de 3,1 mil m2. Com seis pavimentos e uma área técnica, a unidade deve abrigar duas salas cirúrgicas, 30 leitos — dos quais, 20 de enfermaria e dez de UTI —, lactário, copa, área administrativa e auditório. “Vai ser uma referência para a região. Nós temos uma carência de vagas muito grande. É um hospital de retaguarda, porque nós temos hoje três UPAs que atendem a pediatria e a gente precisa de fluidez nesses leitos”, define o secretário de Saúde de Santos, Denis Vallejo. Segundo ele, ainda não está definida a forma de gestão do hospital pediátrico, que poderá ficar a cargo de uma organização social (OS), como ocorre com o Complexo Hospitalar dos Estivadores. Escola Na unidade de Educação Infantil é prevista uma área de 2 mil m2. Ela contará com itens como 14 salas de aula (berçário, maternal, jardim e pré), brinquedoteca, refeitório, sala dos professores e pátio coberto, atendendo cerca de 300 alunos. Essa unidade, assim como uma futura, de Ensino Fundamental, deverá exercer a função de ‘escola pulmão’, nome designado às unidades que são ocupadas de forma provisória, enquanto as sedes originais são reformadas ou recebem construções novas. “Nos primeiros quatro meses, a gente tem a parte de infraestrutura urbana, a partir de agora. Vai requalificar todo o entorno desse terreno, deixar a área acessível para receber a implantação do hospital, escola e os dois campos”, acrescenta a secretária de Infraestrutura e Serviços Públicos de Santos, Larissa Cordeiro. “Nós estamos há três anos pensando nesse projeto, nos pilares mais importantes que a gente tem, que é educação e saúde”, emenda. Empresas destacam avanços As três empresas que se juntaram para a construção do Complexo Areia Branca têm em comum o mesmo conceito: tomar parte em um projeto desta magnitude é a aplicação prática dos preceitos de ESG, sigla em inglês para meio ambiente, social e governança. “A gente enxerga sustentabilidade quando pode cumprir e cobrir as necessidades que temos hoje, mas sempre pensando que as futuras gerações também possam desfrutar das necessidades que elas vão ter depois. E isso é ser uma empresa sustentável. E é um orgulho para mim poder trabalhar em uma empresa que realmente se interessa pela comunidade”, afirma o presidente da Vopak Brasil, Ignacio Gonzalez. Presidente da Ultracargo, Décio Amaral vai na mesma linha. “A empresa hoje possui uma responsabilidade socioambiental que tem que ser materializada em coisas concretas. Não adianta colocar compromissos públicos para ficarem pronto lá em 2050”, exemplifica. Já o presidente da Granel Química, Edson Souki, explicou como será o plano de ação para o empreendimento ferroviário que atenderá o segmento de granéis líquidos. “O projeto da ferrovia é um investimento em torno de R\$ 150 milhões a R\$ 200 milhões. Ele vai receber até dois comboios de trem, fazer carga e descarga de líquidos no Alemoa, na retroárea, nos terminais que ele vai atender. O projeto é super importante porque vai conectar Santos, os granéis líquidos, com todo o Brasil, especialmente o Centro-Oeste”, explica. “O combustível, à base de milho e soja, tem que chegar ao Porto vindo do Mato Grosso. Para que a gente, por cabotagem, abasteça o resto do Brasil e, quem sabe, exporte ou, ainda, agregue valor, como uma produção do SAF, que é o combustível sustentável de aviação”, complementa Décio Amaral.