(Carlos Nogueira/AT) Referência em medicina na Baixada Santista, o Hospital Guilherme Álvaro (HGA) virou alvo de polêmica entre os funcionários e o Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde do Estado de São Paulo (Sindsaúde-SP). Situado em Santos, a unidade de saúde estaria encerrando serviços de assistência materno-infantil. A Secretaria Estadual da Saúde (SES) afirmou que a assistência será garantida na região. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com um funcionário- que optou por não ser identificado-, a equipe foi informada informalmente sobre o assunto e se manifestou contrária. A diretoria técnica do hospital teria dito que o serviço será definitivamente encerrado em julho de 2025, além de ter anunciado como algo já decidido pela SES. Conforme informado pelo vereador eleito e médico infectologista do HGA há 33 anos, Marcos Caseiro (PT), a informação é que haverá o descredenciamento e fechamento da materno-infantil do HGA. Isso inclui a maternidade, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, Centro de Parto Normal e o Banco de Leite. Com essa mudança, Caseiro alega que programas que são parte de uma parceria do hospital com o Ministério da Saúde também serão extintos, como: Hospital amigo da criança, banco de leite humano, método mãe canguru, centro de parte normal, aborto legal e Rede Alyne (programa de cuidado integral à gestante e bebê que visa diminuir a mortalidade infantil). Caseiro explica que o HGA é referência e atende toda Baixada Santista. O infectologista teme que a falta desses serviços agrave a situação da mortalidade infantil na região. “Isso é uma barbaridade dentro de uma situação que nós temos na Cidade e na nossa região metropolitana. Nós estamos nos piores indicadores de mortalidade infantil e mortalidade materna”. De acordo com o último levantamento feito por A Tribuna, em 2023, cinco dos nove municípios da Baixada Santista apresentam taxas de mortalidade infantil acima do preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 10 para cada mil nascidos vivos. O infectologista diz que procurou a diretoria do hospital e foi informado que o serviço será transferido para uma maternidade que está sendo construída em São Vicente e deve ser inaugurada até julho de 2025. Diante de algumas situações epidemiológicas, Caseiro relata que a SES levantou essa discussão desses equipamentos seria transferido para esta unidade. “O problema é que tem um bando de nós nessa história. Porque, assim, precisamos entender o que será feito com esses funcionários que trabalham aqui e qual será a garantia que todos esses equipamentos vão funcionar de maneira efetiva. Santos tem uma construção histórica para esse banco de leite que tem mais de 30 anos”, ressalta. Funcionários no escuro Dentro do setor de assistência materno-infantil, um funcionário cita que um ‘clima ruim’ se instaurou desde que a notícia foi dada à equipe na semana passada. “Tem uns dois anos que a gente tem visto toda pediatria perdendo muita coisa no hospital. Os funcionários foram se aposentando e não foi tendo recontratação Há dois anos teve um contrato emergencial que supre parcialmente os danos, mas mesmo assim é muita gente que se aposentou”. “Além disso, foram fechadas vagas na enfermaria da pediatria com a justificativa de que não tinha recursos humanos, que não tinha equipe de enfermagem para fazer atuar no número de leitos necessário e não tinha como contratar ninguém. Esse ano foram fechados mais cinco leitos com a mesma justificativa”, destaca. Desde então, os funcionários estão no escuro sobre qual será o novo hospital de referência na região para gestações de alto risco e para qual setor serão realocados após o encerramento do serviço. O colaborador comenta que a equipe trabalha há anos em conjunto e teme pela transferência. “A gente está desamparado de acreditar que um serviço tão grande e tão importante está sendo fechado sem justificativa, sem uma explicação melhor. Só fico pensando nas mães e nas crianças. Dá medo, incredulidade e raiva tudo misturado. As pessoas estão perdidas, estamos perdidos”, conclui. Sindicato busca diálogo O diretor geral do Sindsaúde-SP, Gervásio Foganholi, alega que a mudança traz um prejuízo para a população. Diante deste risco, solicitou uma reunião com o secretário Estadual da Saúde, Eleuses Paiva, que está marcada para o dia 11 de dezembro, na próxima quarta-feira. Na sequência, uma outra reunião será feita com a diretoria do HGA para cobrar uma resposta sobre o motivo do encerramento. “Nós somos contra o fechamento dos serviços, porque defendemos o Sistema Único de Saúde (SUS) e lá a gente tem vários programas que demoram um tempo para você conseguir o credenciamento do Ministério da Saúde e, de repente, fecha simplesmente assim”. Estado garante serviço Procurada por A Tribuna, a SES informa, em nota, que o Hospital Guilherme Álvaro é uma unidade de alta complexidade. Também divulga que a unidade estuda ampliar os atendimentos nas áreas de maior demanda regional, como doenças cardiovasculares e oncologia. Somado com a assistência materno-infantil, a SES explica que essas três áreas foram dadas como prioritárias no processo de Regionalização da Saúde, envolvendo os nove municípios do Departamento Regional de Saúde da Baixada Santista. Também garante o atendimento a estas especialidades na região. Por fim, a secretaria ressalta que a reorganização da rede assistencial está sendo discutida para assegurar a ampliação dos serviços à população, incluindo as novas maternidades construídas nos últimos anos na região.