Armação danificada de cliente e recibo com a palavra "trouxa" (Reprodução/Erasmo Fonseca) A funcionária de ótica de Santos que digitou a mensagem ‘cliente trouxa’ em um recibo de troca entregue a um advogado afirma estar traumatizada após o episódio que viralizou na internet. A mulher, que prefere não ser identificada, acredita que o cliente foi mal-intencionado ao levar o caso para a mídia. “Ele quis prejudicar. A intenção dele era realmente essa, está mais do que óbvio”, diz. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A mulher se refere à fala de Erasmo Fonseca, o advogado de 47 anos, para A Tribuna. O cliente que teve entregue o recibo com a referida mensagem desistiu de mover uma ação contra a loja após a funcionária admitir o erro de digitação e se desculpar. “Nunca tive intenção de prejudicar. Eu só queria que ela refletisse sobre o que ela fez”, disse o advogado. Segundo ele, o caso foi exposto na mídia para conseguir uma retratação da loja, já que a funcionária não teria se desculpado com ele após entregar o recibo. A mulher, no entanto, nega que isso tenha ocorrido e afirma que pediu perdão assim que viu a mensagem. “Eu disse a ele: ‘me perdoe, fui eu mesma que digitei, e não era intenção de fazer um comentário negativo sobre você. Até porque esse papel nós estamos entregando para o senhor assinar. Se fosse para ofender, eu não colocaria esse papel em sua mão’”, lembra. Ainda assim, a funcionária ressalta que o pedido de desculpas foi pelo erro de digitação, e não pela adjetivação. “Eu me retrato pelo erro de digitação, não por chamá-lo de trouxa, porque isso não aconteceu”, diz a atendente. “Não tenho intenção nenhuma de pedir desculpas [diretamente] a ele, não tem motivo”. Ela trabalha na loja há 11 anos e afirma que nunca passou por uma situação tão ‘constrangedora’. Isso me causou um trauma. Tanto que se ele aparecer na loja, eu não quero atendê-lo. É algo muito negativo para mim, tanto na minha vida pessoal quanto no meu trabalho, porque qualquer cliente que chega eu já fico com medo”, diz a funcionária. Repercussão A repercussão nas redes sociais foi estrondosa. Houve críticas para os dois lados, mas a maioria delas foi direcionada ao advogado. Uma pessoa não identificada chegou a fazer comentários em uma postagem sobre empatia feita por Erasmo em seu perfil. Quem comentou não estava vivendo o que vivi, não sabia o que tive que conversar para ter o óculos do meu filho e ainda por cima depois de ser ofendido, intencionalmente ou não. Ninguém esteve nos meus sapatos, ninguém sentiu o que senti”, desabafou o advogado ao contar que tinha desistido de processar a loja. Em meio aos comentários, houve profissionais que se ofereceram para defender a funcionária da ótica de forma gratuita, caso ela entre na Justiça contra o cliente. No entanto, a mulher, que precisou procurar atendimento médico por conta do estresse provocado pelo desentendimento, afirmou que ainda não cogitou essa possibilidade. “Isso nem passa pela minha cabeça, só queria resolver isso. A empresa tem um setor jurídico que está tomando as medidas cabíveis. Mas se eu resolver algo do tipo, eu jamais vou colocar na internet”, diz. “Em momento algum estou me expondo, e nem pretendo”. ‘Trouxe’ ou ‘trouxa’? O advogado Erasmo procurou a ótica, localizada no bairro Aparecida, em Santos, para realizar a troca das lentes do óculos do filho de 14 anos em setembro. O garoto sofre de astigmatismo e o grau ocular sofreu uma alteração. No entanto, a armação quebrou uma semana após ser retirada da loja com as novas lentes. A princípio, a ótica negou-se a trocar a armação por se tratar de um item antigo. No entanto, o advogado insistiu que a quebra poderia ter sido causada por uma má manipulação na hora de instalar as novas lentes, e disse que entraria na Justiça se fosse necessário para conseguir trocar o produto. Em caráter de exceção, o supervisor da ótica permitiu que a funcionária fizesse a troca da armação por uma similar. A atendente fez um recibo e entregou para que o advogado assinasse ao retirar os óculos do filho. No entanto, no rodapé da nota estava escrito “cliente trouxa”. A mensagem revoltou Erasmo, porém a ótica explicou que houve um erro de digitação e a intenção era escrever “cliente trouxe” ao lado da data em que o homem levou os óculos à loja. Em nota enviada para A Tribuna, a loja chamou o episódio de “lamentável”. Leia, abaixo, o texto na íntegra. O fato em questão, ocorreu em um documento que foi digitado na hora, no momento para o cliente assinar o recebimento da troca, e houve um erro de digitação, a frase correta seria "Troca ref OS xxxxx - Cliente trouxe 03/10/24". A data "03/10/2024" após a palavra deixa claro que seria "trouxe" e ocorreu um erro de digitação e não uma adjetivação ao cliente, o qual por sinal foi grosseiro e agressivo com as atendentes da loja e agora busca reverter a sua reprovável conduta contra uma mulher aproveitando-se de um erro de digitação. Lamentável. Ainda assim, tudo foi esclarecido no momento, a troca realizada, não havendo razão para que o cliente buscasse expor tais fatos, ainda que distorcidos, nos meios de comunicação. O departamento jurídico já estuda o caso e buscará a aplicação das medidas cabíveis.