Faróis existentes desde 1967 na Aparecida (foto) e no Boqueirão, em Santos, orientam navios durante manobras (Sílvio Luiz/ AT) Quem caminha pela orla de Santos, no litoral de São Paulo, costuma enxergar os dois faróis como parte da paisagem. Mas a função deles é muito mais do que visual. Instalados na praia, um na Aparecida, ao lado do Canal 6, e outro no Boqueirão, esses equipamentos são fundamentais para garantir a segurança da navegação na entrada e saída da Baía de Santos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Inaugurados em 1967, os faróis atuam como sinalizadores de alinhamento, emitindo luzes que orientam os navios durante as manobras. O objetivo é auxiliar o tráfego aquaviário, principalmente em uma área considerada sensível para a navegação, devido ao fluxo intenso de embarcações e às características da barra. A sinalização é utilizada tanto durante o dia quanto à noite, servindo como referência para embarcações que aguardam ou realizam a entrada no canal do Porto. Mesmo antes da instalação desses equipamentos, a entrada da baía exigia atenção. Segundo o historiador Dionísio Almeida, da Fundação Arquivo e Memória de Santos (Fams), sempre houve preocupação com a segurança, inclusive com o acompanhamento de profissionais responsáveis por conduzir os navios até o Porto. “Um navio desgovernado pode causar uma situação complicada, tanto para a própria embarcação quanto para o local onde ele venha a encostar, por falta de sinalização adequada”, explicou. Além da sinalização fixa, o historiador destaca que a operação portuária sempre contou com apoio humano para reduzir riscos. A instalação dos faróis ocorreu em um período de transformação urbana. Na década de 1960, a orla ainda tinha sua ocupação intensificada. Era impulsionada por fatores como a inauguração da Via Anchieta, cuja primeira pista data de 1947. Até então, áreas próximas à praia eram pouco habitadas, e o crescimento da Cidade ocorria gradualmente em direção ao mar. De acordo com o historiador, a presença dos faróis acompanha esse momento de expansão. “Eles surgem justamente nesse momento em que a orla começa a se desenvolver mais, principalmente entre as décadas de 1960 e 1970, quando essa região passa a ser mais ocupada”, afirmou. A escolha dos pontos onde os faróis foram instalados também está ligada à necessidade de orientação em trechos estratégicos da orla. Segundo Almeida, os locais permitem tanto auxiliar na entrada dos navios na barra quanto evitar que embarcações percam o rumo e se aproximem demais da faixa de areia. Hoje, os equipamentos continuam desempenhando a mesma função essencial: orientar embarcações e evitar acidentes. O farol do Boqueirão tem 18 metros de altura e alcance de 11 milhas náuticas (20,372 quilômetros), e o da Aparecida, com 12 metros, tem alcance de 12 milhas (22,224 quilômetros). Ambos são administrados pela Marinha. Apesar da importância, o impacto direto no cotidiano da população é pouco perceptível. De acordo com Almeida, trata-se de uma estrutura voltada especificamente para quem depende da navegação. “É um equipamento muito específico, voltado para orientar a entrada dos navios. O impacto é maior para quem está no mar ou nas imediações, como pescadores e embarcações que circulam pela região”, disse.