[[legacy_image_161665]] É comprovado que a música cura. Ela tem ligação direta com nossa mente, nossas emoções e controle delas. Além disso, facilita o entendimento de informações cognitivas e induz a produção de dopamina e seratonina, que são neurotransmissores reguladores de humor. Por outro lado, profissões que lidam com saúde têm objetivo da cura direta. Mas, quando a cura mental e a cura física se unem, o imenso bem-estar pessoal é o alvo certo atingido. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! É isso que Guilherme Jonas, 26 anos, faz em sua vida profissional. Graduado em farmácia, ele atua em um hospital de Santos e como professor de aulas particulares de violino e teoria musical. Afora isso, toca em orquestras dentro e fora da Baixada Santista para aperfeiçoamento de técnicas e realiza diversos cursos para expandir os conhecimentos na área da saúde. O início de sua jornada na música foi em 2014, aos 18 anos, através de um projeto social de música, em Santos. Inexperientes na área, Guilherme e seus sobrinhos passaram por um processo seletivo, foram aprovados e começaram a frequentar as aulas, que aconteciam de forma coletiva, para aprender um instrumento do zero. Para a Reportagem de A Tribuna, Jonas contou que no início era tudo por diversão. "Ia focado em ter um momento divertido em família, não gostava muito de tocar [o violino]", confessa. Depois de três meses, as partituras, os laços criados e a melhora em diversos aspectos da vida tomaram conta do coração e mente do rapaz. Ele relata que em sua primeira apresentação musical, uma 'chave' virou. "No meu primeiro contato com a plateia, com os aplausos e a sensação de 'dever cumprido', eu comecei a levar aquilo como parte da minha vida", relembra. Com isso, ele concluiu o curso de música, que tinha dois anos de duração, e conseguiu ingressar na Orquestra do Instituto GPA de Santos, que hoje continua em atividade apenas na sede de Osasco. [[legacy_image_161666]] Quando a fase de vestibular chegou para Guilherme, muitas dúvidas pairaram em sua mente. A licenciatura em música entrou como opção, mas ainda causava insegurança pela pouca experiência. A decisão foi cursar Farmácia, mas, mesmo na área da saúde, a música estava presente: a Universidade que Guilherme escolheu oferecia bolsas culturais de desconto para alunos com habilidades artísticas. Ele foi aprovado e ingressou na Orquestra Jovem da Universidade Católica de Santos. Conciliar a faculdade e as duas orquestras não foi fácil. Tentando dar o melhor em tudo, em algumas semanas ele tinha que escolher entre estudar para provas e treinar o instrumento. A dificuldade só aumentou quando começou a trabalhar. "Fiz três estágios não remunerados na faculdade, enquanto tocava em dois lugares diferentes. A falta de dinheiro dificultava tudo. Meus pais tentavam ajudar e eu precisava pagar minhas aulas", lembra. Em seus primeiros anos como musicista, Guilherme conseguiu se destacar. Ele foi chefe de naipe -pessoa que comanda o grupo que toca determinado instrumento -, visitou outros países e fez amizades que duram até hoje. Oportunidade irrecusávelJá no último ano da faculdade e prestes a completar a idade limite para se desligar da Orquestra GPA, Guilherme foi convidado pelo próprio maestro e diretora artística do grupo para se tornar professor nas duas sedes do projeto. Assim, ele teve a oportunidade de passar os conhecimentos adquiridos para novos alunos e próximas gerações da Orquestra. "Foi incrível! Aproveitei cada fase. A docência fez com que eu me encontrasse dentro da música", relembra, emocionado. O rapaz costuma olhar para trás e afirmar para o 'Guilherme do passado' que os momentos de insegurança no período de vestibular foram em vão. "A música não podia sair da minha vida", diz em tom certeiro. "Eu consigo fazer as duas coisas. Sei ser músico e farmacêutico. Na maioria das vezes é cansativo, mas essas são minhas paixões. É o que eu amo fazer, não posso ignorar meu coração". Guilherme é grato por tudo que a música o proporcionou. Como principais aprendizados, o respeito, trabalho em equipe, responsabilidade e capacidade de escuta são destacados pelo profissional, que agora transmite aos seus aprendizes. "Nem todo aluno dentro da sala de aula consegue aprender do mesmo jeito. Eles têm suas próprias dificuldades, seus limites e personalidades. Minha missão é entender cada um e fazer com que todos consigam se desenvolver positivamente, auxiliando para que aprendam a tocar corretamente e, acima de tudo, se divirtam", diz. [[legacy_image_161667]] Novas paixõesJá atuando como farmacêutico formado e lecionando no projeto social, o rapaz recebeu o convite do professor particular de violino para se aventurar em um novo instrumento: a viola erudita. "Ele precisava de um aluno violista para tocar em um curso de música de câmara do Sesc. Como eu tinha experiência com a ‘clave de dó’, eu mergulhei nisso”, contou. Após o início dos estudos do novo instrumento, Guilherme tentou prestar prova de viola no Conservatório Musical do Estado de São Paulo. “Foi um ato de loucura!”, diz. Ele já havia tentado o processo para violino e não foi aprovado. Com três semanas para preparar o que precisava para o teste, se dedicou e não comentou com ninguém. Apenas se preparou, pegou uma viola emprestada e foi para a Capital fazer a prova. Guilherme conseguiu passar, surpreendendo a todos. “Meus amigos me questionaram sobre como iria conciliar trabalho, aulas, conservatório e estudos. Eu dormia nos ônibus, estudava na Capital, morava e dava aula em Santos. Foi um ano insano”, relatou. No Conservatório, Guilherme também ingressou no coral da escola, conhecendo uma nova vertente da música. “Não canto nada, mas fiquei apaixonado!”, brincou. ‘Ajudar é minha missão’Guilherme salienta que a música causa gatilhos e acessa lugares para promover cura física e mental. Ele se diz ‘honrado’ por poder ajudar as pessoas a evoluir “A intenção nunca foi formar músicos renomados, mas pessoas melhores. Se consigo melhorar em 1% a vida do meu aprendiz, minha missão já foi cumprida", diz. Ele ressalta que na área hospitalar, mesmo que não veja o paciente, está ajudando uma pessoa a tomar o rumo da cura. “Sei que tenho uma parcela de crédito ali. É gratificante me doar para que seres humanos tenham um momento de bem estar”, conclui.