Avisos sobre os cuidados com a ação de golpistas estão espalhados pela instituição (Divulgação) Não bastasse a preocupação de ter um parente internado, familiares de pacientes de um hospital em Santos têm passado por outra situação: o assédio de golpistas, que pedem dinheiro para assegurar benefícios, como transferências ou agilidade para exames. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! É o caso de um jornalista, que preferiu não se identificar. O pai dele está internado no Hospital Beneficência Portuguesa e, pouco tempo depois de dar entrada e mesmo com diversos alertas espalhados pelo prédio, foi procurado por um 'suposto médico' com um diagnóstico bastante peculiar sobre o seu genitor. “Meu pai deu entrada na noite de sexta-feira passada (6), quando eles (no hospital) deram um panfleto explicando para estarmos cientes dos canais de comunicação oficiais, porque havia pessoas aplicando golpes para pedir dinheiro”, conta o jornalista. Segundo ele, na segunda pela manhã, atendeu o telefonema de um suposto médico: “Deu um nome, falou que era um hematologista e estava vendo o caso do meu pai. Teriam feito um exame, que apontava um princípio de leucemia, e começou a usar vários termos médicos. Falou em célula blasto, alguma coisa assim. Que teria sintomas de covid, mas que não era covid”, relata. A tática de jogar termos aleatórios, acredita o jornalista, é aplicada na intenção de driblar os mais incautos – ou fragilizados diante de uma situação de internação hospitalar na família. “Ele começou a falar um monte de coisa, ele falou um monte de coisa negativa, de doenças, nenhuma relacionada com quadro que o meu pai tem”, afirmou. Mas o 'bote' tentou ser dado em seguida, 'vestido' de uma boa notícia. “Dá para a gente controlar. Só que, ao entrar na lista do Estado, pode demorar até seis meses. Assim, para conseguir, a gente pode ver um jeito’. É sinalizar para o Estado que vai fazer, e tal. Basta autorizar’”, relatou. Alí estava a tentativa de golpe. A fala do suposto médico acendeu um alerta no jornalista. “Lembrei do que aconteceu na entrada do hospital, que faltavam duas horas para a visita na UTI. Cheguei lá, fui ouvir o boletim médico e não havia nada do que tinham falado pelo telefone”, emenda. Conscientização Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Beneficência, Ademir Pestana, as tentativas de golpe vêm crescendo com as redes sociais. “Já ocorre há mais de 10 anos. Eles desenvolvem um sistema, e a gente (hospital, paciente, família) acaba sendo prejudicado com isso”, afirma. Segundo ele, o hospital vem tomando várias medidas, desde a entrada do paciente no hospital, nas portas das UTIs, nos quartos e corredores, bem como alertas por redes sociais, chamando a atenção para que qualquer pedido seja feito através da instituição. “A gente toma todos os cuidados necessários. Mas, infelizmente, tem pessoas que não leem e acabam caindo nesses contos do remédio, do médico etc. Não sei como conseguem os telefones. Deve ter alguma forma de rastrear pelas redes sociais dos familiares. É como outros golpes, de contas bancárias e cartões de créditos. Eles são muito espertos com relação a Isso. Cada medida que você toma, eles inventam outras”, argumenta. Pestana cita que, na internação, a recepcionista já pede para as pessoas observarem sobre qualquer pedido do hospital por telefonemas, especialmente com relação a dinheiro ou mesmo remédios. "Informações sobre o paciente por telefone, orientamos para não considerar em espécie alguma". “É o que a gente pode fazer, porque também somos vítimas. É difícil lidar com isso. A tecnologia veio para ajudar, mas, ao mesmo tempo, nos coloca em situações como essa. A gente procura alertar”, finaliza.