<div> <p class="p-smartimagebox"><img attr-cid="policy:1.424056" attr-version="policy:1.424056:1719175774" class="p-smartimage" src="/image/policy:1.424056/Design sem nome (94).jpg?f=3x2&w=400&q=0.3" /><br /> <span class="p-smartcaption">Mães relatam que crianças não têm almoço e que o ambiente do Núcleo da Vila Nova está "violento" (Arquivo Pessoal, Divulgação/Prefeitura de Santos e Arquivo Pessoal)</span></p> </div> <div>A Associação de Amor à Criança Arcanjo Rafael, que administra o Núcleo Vila Nova de Jornada Ampliada (extensão da UME José Bonifácio), em Santos, tem sido novamente motivo de reclamações e dor de cabeça para mães e alunos. Os problemas envolvem falta de cuidado com as crianças, ausência de infraestrutura apropriada, falta de almoço adequado e de segurança, entre outros.</div> <div> </div> <div><a href="https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9JSFuGehEFvhalgZ1n">Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp!</a></div> <div> </div> <div><strong>A Tribuna</strong> fez uma <a href="https://www.atribuna.com.br/cidades/santos/pais-denunciam-falta-de-seguranca-em-nucleo-escolar-de-santos-e-temem-acidentes-1.421835">série de reportagens</a> sobre a organização social que gerencia o local. Desta vez, os responsáveis pelos alunos alegam que a unidade não tem cozinha e, por isso, as refeições oferecidas são insuficientes. Além disso, mães dos estudantes afirmam que várias crianças têm se machucado, que os alunos com necessidades especiais não têm mediadores e, apesar da unidade ter elevador, ele não pode ser usado.</div> <div> </div> <div><strong>Funcionário </strong></div> <div>Um funcionário, que não quis se identificar, disse que o contrato que a associação tem com a Prefeitura não está sendo respeitado. “No contrato, é previsto que tenha almoço. Como tem almoço se não tem cozinha?”, questiona o homem.</div> <div> </div> <div>Além disso, ele alega que não há funcionários suficientes para fazer a refeição das crianças. O funcionário ainda conta que, na unidade, há episódios recorrentes de violência. “Tem criança sendo agredida o tempo todo. Todos esses problemas são remetidos para a direção da UME José Bonifácio, que não tem nada a ver com isso”, relata.</div> <div> </div> <div><strong>Mães </strong></div> <div>Jeniffer, que é mãe de uma aluna, diz que se sente preocupada com o que está acontecendo na unidade. “Há falta de segurança para as crianças, várias delas têm se machucando e nada foi resolvido. Até boletim de ocorrência de uma mãe tem”, explica.</div> <div> </div> <div>Ela afirma que o lanche da manhã na unidade são três bolachas e um copo de suco, e que as crianças só vão almoçar por volta de 12h45, quando chegam na escola (UME José Bonifácio). “No restante do tempo de manhã na ONG, (as crianças) ficam com fome. Precisamos de ajuda, nós mães não aceitamos todas essas situações que estão prejudicando nossos filhos”, desabafa Jeniffer.</div> <div> </div> <div>Apesar da quadra ter sido reformada e entregue recentemente, ela diz que lá não tem cozinha. “Ela (cozinha) está de reforma, assim diz eles. A reforma que nunca acaba. A quadra de esporte já fizeram e inauguraram, e a cozinha, nada”, critica. </div> <div> </div> <div>Segundo ela, as crianças especiais não têm mediadores. A mãe conta que a escola tem 30 alunos especiais, mas poucos frequentam esse projeto. “As mães não têm segurança de deixarem as crianças irem. Quem vai auxiliar eles?, questiona Jeniffer.</div> <div> </div> <div>A mãe explica ainda que a unidade tem 7 andares e, desde a semana passada, as crianças e educadores não podem usar o elevador. Por isso, de acordo com ela, eles estão tendo que subir pela escada. “É o cúmulo do absurdo o prédio contar com elevadores e ter que sacrificar as crianças assim, subindo e descendo o tempo todo de escada”, desabafa Jeniffer.</div> <div> </div> <div>Ela também conta que o transporte das crianças no contraturno para ir à escola é feito a pé. A mãe ainda diz que, nos dias de chuva, se não tiver guarda-chuva, o aluno se molha. </div> <div> </div> <div>Uma outra mãe, que não quis se identificar, alega que a administração da unidade acusou o filho dela de ter agredido outra criança no local. </div> <div> </div> <div>“Até o momento, não houve retratação da parte da educadora que acusou meu filho injustamente, causando nele febre alta e afastamento das atividades da escola. Os funcionários da ONG não tiveram cautela em acusar, pois precisavam de um culpado para justificar a falta de atenção no ato da agressão”, desabafa. </div> <div> </div> <div>Num relato em suas redes sociais, a responsável pela criança acusada pelas agressões fez um desabafo e relatou estar esgotada mentalmente. </div> <div> </div> <div>“Hoje o corpo não aguentou e eu dormi demais que não vi a hora passar. Mas de verdade, pela minha família, eu vou cair e me erguer quantas vezes for necessário e tá tudo certo. O que eu não posso é ver o erro e continuar de braços cruzados, desabafa. </div> <div> </div> <div>Segundo a mãe, a situação se trata de uma violência silenciosa. “Estamos invisíveis, mas eu vou em busca de ser ouvida. Porque pressão psicológica, calúnia e difamação é crime. Muito fácil você apontar um culpado e não ter provas suficientes”.</div> <div> </div> <div>Por causa da acusação, a mãe contou que, durante uma semana, o seu filho chegava em casa chorando. Ela disse ainda que não conseguia entender o que estava acontecendo.</div> <div> </div> <div><strong>Relato </strong></div> <div>A mãe contou que, no dia 4 de junho deste ano, recebeu uma ligação da direção da escola solicitando sua presença, pois o filho dela, de 6 anos, seria encaminhado para o Conselho Tutelar, já que teria agredido e arrastado um aluno da mesma idade. Segundo a mãe, o motivo seria porque o garoto teria mexido na lancheira do seu filho e ele reagiu com agressividade, causando graves ferimentos em suas costas. </div> <div> </div> <div>“A direção colocou a mãe no telefone para falar comigo, a moça com uma voz preocupada pediu que isso não voltasse a acontecer, pois seu filho teve febre e teve que passar por atendimento médico”, conta a mãe. </div> <div> </div> <div>A mulher que teve o filho acusado de agressão diz que ficou arrasada. “Me coloquei no lugar dela, fiquei com um misto de sentimentos e a mente não parava de trabalhar”.</div> <div> </div> <div>No dia seguinte à ligação, a mãe foi até o local da suposta agressão e solicitou a presença da responsável pela instituição, além de pedir as imagens das câmeras de monitoramento. Porém, ela não conseguiu as gravações, pois foi alegado que não há câmeras nas oficinas.</div> <div> </div> <div>A mesma questionou a unidade e conseguiu ter acesso a folha de ocorrência. “Me deparei com um nome sem nexo nenhum, pois ao verificar no sistema, não tinha ninguém na unidade com esse nome citado na folha de ocorrência!”, explica a mãe. </div> <div> </div> <div>Ela foi convidada a conhecer todas as oficinas. Na visita, ela percebeu que alguns profissionais eram capacitados, porém, alegou que existiam educadoras que não davam atenção para as crianças.</div> <div> </div> <div>Depois de conhecer a unidade, a educadora refez a ocorrência com o nome correto da funcionária responsável por ter cuidado do caso das agressões. Porém, a mãe se recusou a assinar. </div> <div> </div> <div><strong>Outra mãe </strong></div> <div>Mais uma mãe contou que, durante reuniões, foi falado que a postura e o controle na unidade seriam mudados. Segundo ela, uma educadora com histórico de problemas dentro da ONG colocava a culpa na escola, nos pais e no bairro.</div> <div> </div> <div>“Ela mesma disse que é um bairro difícil. Isso me passa até um certo preconceito com a área, e até mesmo com as crianças, mas isso é uma opinião minha então, nem posso fazer mais nada”, relata.</div> <div> </div> <div>A mulher luta por justiça e não quer mais os filhos no núcleo de ensino. "O filho daquela mãe foi acusado injustamente, provou inocência e agora armaram toda uma situação para dizer que o menino é uma criança agressiva. Eu sinceramente tô com medo, raiva, porque se ela fez tudo isso com uma criança de 6 a 7 anos, imagina o que mais ela pode fazer. Ainda mais ali onde não tem ninguém para olhar, onde não tem ninguém da escola presente", critica.</div> <div> </div> <div>A mãe acredita que a maioria dos pais estão nessa situação. “Alguns não querem levar os filhos. A gente fica apenas aguardando, morrendo de medo de chegar a notícia de uma tragédia a qualquer momento”, desabafa. </div> <div> </div> <div><strong>Outros problemas </strong></div> <div>Em reportagens anteriores de <strong>A Tribuna</strong>, as mães também relataram outros problemas com as unidades. Uma mãe processou a associação alegando que o filho <a href="https://www.atribuna.com.br/cidades/santos/m-e-processa-administradora-de-escola-de-santos-apos-filho-quebrar-pe-na-ausencia-da-professora-1.422469">quebrou o pé na ausência da professora</a>. </div> <div> </div> <div>Em outra ocasião, uma criança de 6 anos <a href="https://www.atribuna.com.br/noticias/policia/m-e-alega-que-filho-de-6-anos-foi-agredido-e-arrastado-pelo-ch-o-da-escola-em-santos-1.422141">foi agredida ao ser arrastada pelo chão</a>. Porém, o aluno responsável pela violência não foi identificado corretamente, de acordo com as mães.</div> <div> </div> <div><strong>Posicionamento</strong></div> <div>Em nota, a Secretaria de Educação de Santos (Seduc) informa que todas as unidades municipais de Educação servem almoço para os alunos. As unidades subvencionadas de jornada ampliada também devem fornecer refeições, como lanche. No caso do Núcleo de Jornada Ampliada Vila Nova, sob responsabilidade da Associação de Amor à Criança Arcanjo Rafael, nas últimas semanas o lanche foi reforçado, além do suco de caixinha individual, bolachas, bolinho e fruta, também está sendo ofertado vitamina de frutas e pão com requeijão ou margarina. </div> <div> </div> <div>A pasta ressalta "que assim que estiver pronta a adequação do espaço da cozinha no prédio que abrigará as futuras instalações da Unidade Municipal de Educação José Bonifácio, mesmo que já abriga hoje o núcleo de jornada ampliada Vila Nova, os alunos serão atendidos em tempo integral no local facilitando ainda mais a questão da alimentação".</div> <div><br /> Em relação aos educadores, a Secretaria informa que a supervisão de ensino solicitou à Comissão de Monitoramento do Fomento que a entidade contrate mais educadores, o que já está sendo providenciado pela mesma, que além de educadores está contratando psicólogo institucional, assistente social e coordenador pedagógico.</div> <div><br /> Sobre acidentes e falta de segurança, a Seduc garante que "todas as providências estão sendo tomadas e o núcleo está sendo acompanhado pela supervisora e equipe da Seduc. Quanto ao acompanhamento dos alunos de inclusão, durante o período em que são atendidos pelas entidades subvencionadas, eles são acompanhados pelos educadores".</div> <div> </div> <div>Em relação aos elevadores, o uso não é permitido, segundo a pasta, para os alunos por questões de segurança, exceto para aqueles com necessidades médicas comprovadas ou dificuldade de locomoção, que podem usar o equipamento acompanhados de um responsável.</div> <div> </div> <div>A Secretaria lembra que os educadores que atuam no núcleo recebem Formação Continuada regularmente, providenciada pela entidade e a próxima acontecerá ainda no mês de julho, durante recesso dos alunos.</div> <div> </div> <div>"Informamos, ainda, que as capas de chuva já foram adquiridas pela Entidade e serão fornecidas em dias de chuva", finaliza a Seduc, em nota.</div> <div> </div> <div>A defesa da Associação de Amor à Criança Arcanjo Rafael não foi localizada.</div>